A comédia de ação 'Zumbilândia' (Zombieland) gira em torno de dois homens lutando para sobreviver num mundo dominado por zumbis. Columbus (Jesse Eisenberg) é um grande covarde – mas quando você teme ser devorado por zumbis, o medo é justamente o que pode mantê-lo vivo. Tallahassee (Woody H ... Leia mais
A comédia de ação 'Zumbilândia' (Zombieland) gira em torno de dois homens lutando para sobreviver num mundo dominado por zumbis. Columbus (Jesse Eisenberg) é um grande covarde – mas quando você teme ser devorado por zumbis, o medo é justamente o que pode mantê-lo vivo. Tallahassee (Woody Harrelson) é um exterminador casca-grossa de zumbis, armado com seu fuzil AK e a determinação de comer o último Twinkie, um bolinho com recheio cremoso, que resta na Terra. Eles se associam a Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin), que também têm métodos únicos de sobreviver ao caos zumbi, mas precisarão avaliar o que é pior: confiar nos parceiros ou sucumbir aos zumbis.
| Gênero | Ação, Aventura, Comédia |
|---|---|
| Título Original | Zombieland |
| Diretor | Ruben Fleischer |
| Atores principais | Woody Harrelson, Bill Murray, Jesse Eisenberg, Abigail Breslin, Emma Stone |
| Ano de produção | 2009 |
| Duração | 88 minutos. |
| Produtor | Relativity Media, Pariah, Columbia Pictures |
| Escritor | Paul Wernick, Rhett Reese |
| País | Estados Unidos da América |
| Avaliação da comunidade | ![]() Avaliação média baseada em 1036 pessoas |
| Avaliação da mídia | ![]() Avaliação média baseada em 8 críticos |
| Última modificação | Arkangelito (8 meses atrás) |
Filmes de zumbis podem ser considerados um subgênero cinematográfico, dentro do balaio “terror”. Mas, além de sustos, produções deste subgênero também são capazes de provocar o riso, mesmo sem ter a intenção. Está aí o grande lance dos filmes de zumbis e essa combinação “terror + comédia” faz com que essas produções tenham ... Leia mais Filmes de zumbis podem ser considerados um subgênero cinematográfico, dentro do balaio “terror”. Mas, além de sustos, produções deste subgênero também são capazes de provocar o riso, mesmo sem ter a intenção. Está aí o grande lance dos filmes de zumbis e essa combinação “terror + comédia” faz com que essas produções tenham um público tão fiel e apaixonado. Mas, se os longas dirigidos pelo mestre George A. Romero e seus seguidores levam a questão dos mortos-vivos relativamente a sério, produções como Todo Mundo Quase Morto (2004) e Zumbilândia (declaradamente influenciado pela comédia inglesa lançada há mais de cinco anos) resolvem percorrer o caminho do riso para conquistar o espectador, abrindo ainda mais o leque de possibilidades em se tratando de zumbis.
Estreia de Ruben Fleischer na direção de um longa-metragem após larga experiência em curtas e videoclipes (o que fica evidente no desenvolvimento visual do filme), Zumbilândia é claramente o fruto de uma mente desenvolvida a partir da admiração a produções protagonizadas por morto-vivos. Esta comédia traz a já tradicional crítica da sociedade norte-americana, tão comum aos longas do subgênero: o protagonista chama o país de “Estados Unidos da Zumbilândia”, uma referência bastante cínica que já aparece nos primeiros minutos de fita; nem a líder de torcida e a “miss qualquer coisa”, símbolos fortes dessa sociedade, escapam da sina de virar zumbis. É um filme tão americano que até os personagens foram batizados a partir de cidades do país. Quem escapa da epidemia de mortos vivos, na realidade, é o garoto fracote, zoado na escola que morre de medo de palhaços, mas sabe que tem de ter preparação física para fugir dos zumbis que mais se parecem com as ágeis e selvagens criaturas de Extermínio do que os trepidantes zumbis de Romero.
Jesse Eisenberg (Férias Frustradas de Verão) é Columbus, rapaz solitário e tímido, cuja vida se resume a regras que o levam a sobreviver aos ataques zumbis. Ele vive sozinho e resolve atravessar o país, numa tentativa não somente de sobreviver ao caos ao redor, mas também encontrar alguma companhia. Como Tallahassee (Woody Harrelson), um cara machão, cuja especialidade é eliminar violentamente os não menos violentos mortos-vivos. Esta dupla improvável acaba unindo-se num momento em que o individualismo pode significar a sobrevivência de uma pessoa. A caminho de Los Angeles a fim de encontrar um abrigo seguro, eles encontram Wichita (Emma Stonep) e Little Rock (Abigail Breslin), formando um grupo tão improvável quanto engraçado.
No meio de um elenco formado por novos atores, Harrelson torna-se o veterano, levando às alturas a qualidade das piadas e o nível cômico de Zumbilândia, sem jamais ofuscar os atores menos conhecidos desta comédia. O roteiro, escrito por Rhett Reese e Paul Wernick, é reflexo de mentes que cresceram conhecendo muito bem os clichês de filmes de zumbis, capaz de calcar o humor em todos os elementos – tanto cômicos quanto de suspense – de longas do gênero. Além do roteiro inteligente e boas atuações, Zumbilândia ainda traz diversas piadas específicas para adultos que viveram sua adolescência nos anos 80. Impossível não rolar de rir com a participação de Bill Murray ao som do tema de Os Caça-Fantasmas, um dos primeiros sucessos do ator em Hollywood.
Zumbilândia pode não prometer ser o maior sucesso do cinema em 2010. Sua tia não vai querer assistir a este filme. No entanto, não há como negar que a produção cumpre seu papel ao desenvolver uma complexa e bem-resolvida homenagem aos filmes de zumbis. Os amantes do subgênero agradecem e se divertem.
Zumbilândia está mais próximo de Férias Frustradas de Verão do que de Todo Mundo Quase Morto e isto, a rigor, diz praticamente tudo sobre o filme. Na obra de Greg Mottola, Jesse Eisenberg é James, personagem que carrega nos ombros a responsabilidade de representar uma parcela de uma geração que, em virtude dos avanços da tecnologia e da gl ... Leia mais Zumbilândia está mais próximo de Férias Frustradas de Verão do que de Todo Mundo Quase Morto e isto, a rigor, diz praticamente tudo sobre o filme. Na obra de Greg Mottola, Jesse Eisenberg é James, personagem que carrega nos ombros a responsabilidade de representar uma parcela de uma geração que, em virtude dos avanços da tecnologia e da globalização, cresce ao mesmo tempo tão mais conectada com o mundo quanto distante do contato direto com as peças que o compõem. Surgem, como conseqüência, as dificuldades de relacionamento quando este não passa pelo filtro conversor de um computador e a insegurança sempre latente na menor das exigências de um contato físico (como a sonhada primeira transa do protagonista, personagem que tanto pode pertencer a 1982, ano em que se passa a história, quanto a 2010).
Pois Zombieland me parece exatamente o mundo com o qual James sonharia caso tivesse fumado algumas gramas a mais antes de dormir. Columbus, o personagem de Eisenberg neste filme de Ruben Fleischer, é em prática uma extensão do James de Mottola. Solitário, inseguro e inteiramente dependente da tecnologia, passa as noites em casa à base de pizza, refrigerante e videogame, e enxerga na inconsistência do casamento dos pais, por sinal outro reflexo dos novos tempos, um bom motivo para temer relacionamentos, apesar de desejá-los. E realmente deseja. Seu grande sonho é mais tradicional do que qualquer outro: quer uma garota para afagar os cabelos e dar o ombro para deitar. Nada mais que isso. Quer apenas um relacionamento como conhece nos filmes mais românticos, apaixonante e sem complicações.
A imagem de afeto perseguida por ele é finalmente alcançada, numa precisa inversão de expectativa. “A primeira garota que entra na minha vida e ela tenta me comer”, diz ele, depois de descobrir na marra, após ceder o ombro para sua vizinha gostosa se reconfortar, que o mundo foi contaminado através de um hambúrguer e todos seus habitantes se transformaram em zumbis ferozes e famintos. Pois Columbus inicia sua jornada através dos relacionamentos humanos justamente quando o mundo que conhecia se transforma em um caótico cenário de depredação, com gente comendo gente, mortes e sangue, assim como nos jogos que jogava. Ele fica preso, então, a uma realidade semelhante à de seu imaginário, mas mais do que nunca deseja fazer parte daquele mundo de pessoas reais que tão pouco aproveitou, e que gostaria de ter aproveitado muito mais.
O olhar de Fleischer por sobre esta parcela plugada diretamente com as conseqüências da globalização, basicamente formada pela juventude que evoluiu junto dela, é de uma precisão e contundência dignas de Mottola, hoje a grande referência a se bater sobre o tema. Diante do filme-de-zumbi, gênero bastante revisitado e conseqüentemente desgastado nestes últimos anos, o diretor constrói uma narrativa que se assemelha aos videogames e insere seu protagonista em uma realidade que domina de forma mais eficiente do que sua própria vida. Columbus determina regras, cumpre missões e estuda friamente sua checklist antes de dar qualquer passo, e é desta forma que se torna um dos poucos sobreviventes desta jornada insana. Ele, duas garotas safadinhas (não no sentido sexual, afinal uma delas tem apenas 12 anos – mas, também em virtude dos jogos que jogava, sabe até mesmo atirar) e um brutamontes que certamente seria o herói nos filmes de antigamente, mas que na Zombieland passa aperto perto da molecada.
Com bom humor, as já tradicionais referências à cultura pop (como afinal estamos imersos em um sonho de James não poderia deixar de tocar os gloriosos Velvet Underground na trilha-sonora) e algumas cenas de morte bastante criativas (incluindo uma engraçadíssima participação de Bill Murray e sua mansão em Hollywood – que concentra alguns dos melhores momentos do filme) Zumbilândia é um filme que passa voando (ou seria correndo?) e, especialmente, sem que a perspectiva fuja sequer um momento do âmbito pessoal. Afinal, dane-se a sociedade, a grande catástrofe de Zombieland é a de um garoto buscando o amor em meio a um mundo consumido por zumbis.


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Zumbilândia
"Muito bom"
"Muito bem bolado o modo que eles usam os zumbis para fazer comedia, no fim do filme você se sente frustrado por não estar em um mundo pós-apocalíptico zumbi!"