O roteiro foi criado a partir dos personagens das histórias em quadrinhos de Stan Lee. Os mutantes, pessoas que possuem estranhas habilidades em função de mutações genéticas, enfrentam uma onda de rejeição: há políticos que temem seus poderes e querem exterminá-los. Ao mesmo tempo, o Prof ... Leia mais
O roteiro foi criado a partir dos personagens das histórias em quadrinhos de Stan Lee. Os mutantes, pessoas que possuem estranhas habilidades em função de mutações genéticas, enfrentam uma onda de rejeição: há políticos que temem seus poderes e querem exterminá-los. Ao mesmo tempo, o Professor Xavier (Patrick Stewart) mantém uma escola para que os mutantes aprendam a usar suas habilidades e o façam para o bem. É lá que Wolverine (Hugh Jackman) e Vampira, dois mutantes desnorteados pelos seus poderes, encontram ajuda. Mas, além do preconceito, há outro inimigo: Magneto (Ian McKellen), um mutante que tem ódio da humanidade, tem um terrível plano contra os homens e seqüestra Vampira para roubar seus poderes.
| Gênero | Ação, Aventura, Ficção Científica |
|---|---|
| Título Original | X-Men |
| Diretor | Bryan Singer |
| Atores principais | Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, James Marsden, Famke Janssen, Shawn Ashmore, Patrick Stewart, Anna Paquin, Rebecca Romijn, Ray Park, Tyler Mane |
| Ano de produção | 2000 |
| Duração | 104 minutos. |
| Classificação do CAEC | PG-13 - Não Recomendado para menores de 14 anos |
| Produtor | Lauren Shuler Donner, Ralph Winter |
| Escritor | Stan Lee, Jack Kirby, David Hayter |
| Música | Michael Kamen |
| País | Estados Unidos da América |
| Avaliação da comunidade | ![]() Avaliação média baseada em 9784 pessoas |
| Avaliação da mídia | ![]() Avaliação média baseada em 3 críticos |
| Última modificação | a.t.vasconcelos (10 meses atrás) |
Hoje, quando falamos sobre as melhores adaptações dos quadrinhos para o cinema, logo pensamos em “Superman”, clássico de 1978 estrelado por Christopher Reeve, geralmente eleito o melhor filme do gênero, o primeiro decente sobre heróis, e “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, que em 2008 não só mostrou que filme de super-herói podia s ... Leia mais Hoje, quando falamos sobre as melhores adaptações dos quadrinhos para o cinema, logo pensamos em “Superman”, clássico de 1978 estrelado por Christopher Reeve, geralmente eleito o melhor filme do gênero, o primeiro decente sobre heróis, e “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, que em 2008 não só mostrou que filme de super-herói podia ser levado a sério, como virou uma das maiores bilheterias da história, ultrapassando US$ 1 bilhão em arrecadação mundial.
Mas um outro longa-metragem, lançado há 10 anos, também pode ser considerado um divisor de águas na trajetória dos filmes baseados em HQs: “X-Men – O Filme”. Lançado em julho de 2000 nos EUA, e um mês depois no Brasil, o filme abriu as portas do novo milênio para uma enxurrada de produções protagonizadas por seres superpoderosos, que transformariam atores desconhecidos em estrelas do dia para a noite, e resgatariam antigos astros do ostracismo.
Na virada da década de 90 para os anos 2000, o cenário cinematográfico não era dos mais positivos para as produções cinematográficas de super-heróis. A quadrilogia “Batman” (personagem da DC), que iniciou com dois sucessos de Tim Burton (lançados em 1989 e 1992), perdeu o foco e virou uma chanchada carnavalesca nas mãos de Joel Schumacher, encerrada melancolicamente no péssimo “Batman & Robin” (1997).
Os heróis da concorrente Marvel não tiveram melhor sorte. “Justiceiro” (1989), “Capitão América” (1990), “Quarteto Fantástico” (1994) e “Nick Fury” (1998, feito para a TV) foram massacrados pela crítica e praticamente ignorados pelo público – o filme do quarteto não teve nem lançamento.
Quem, em sã consciência, na época, investiria dezenas de milhões de dólares num filme de super-herói?
Mas a virada de jogo começou com “Blade” (1998), filme que surgiu de forma praticamente despretensiosa, apresentou uma trama melhor elaborada que seus congêneres e deu a pista para os produtores que desejassem realizar um filme inspirado em HQs dar certo: seria preciso ser criterioso na produção e não fugir da mitologia dos personagens.
Imagine então fazer um filme dos X-Men, que sempre protagonizaram, nos gibis, histórias de cunho social, que utilizavam os mutantes como retrato de tantas minorias prejudicadas e massacradas pela intolerância e o preconceito da sociedade ao longo da história humana – negros, judeus, homossexuais etc. Em algumas análises, Professor Xavier é comparado a Martin Luther King, negro que pregava a aceitação pacífica de sua raça entre os brancos. E Magneto representa o militante negro Malcom X, que tinha atitude agressiva em relação às diferenças raciais. Ambos desejavam, assim como Charles e Magneto, ser aceitos e compreendidos, mas utilizam meios conflitantes para atingir o objetivo. Ou seja, X-Men é um gibi complexo, sério, que gerou histórias em quadrinhos clássicas e premiadas, além de um desenho animado elogiado nos anos 90, mas que poderia não atrair o grande público que frequenta os cinemas em busca de diversão imediata.
Ainda bem que houve quem insistiu em levar os mutantes às telonas. A Fox adquiriu os direitos dos personagens para o cinema em 1994, após James Cameron tentar desenvolver um filme dos X-Men em 1989. Alguns profissionais chegaram a trabalhar em roteiros que jamais viram a luz do sol e, em 1996, Bryan Singer, cineasta desconhecido das massas, mas que possuía no currículo o premiado “Os Suspeitos” (1995), assumiu o projeto. Uma escolha que se mostraria acertada.
O diretor precisaria condensar décadas de gibis dos X-Men num roteiro que soubesse transportar para o cinema o teor das histórias mutantes, sabendo tratar-se de uma mídia completamente diferente dos quadrinhos; agradar os fãs das HQs, os mais fanáticos entre os meios de entretenimento; e ainda chamar a atenção do grande público e escolher um bom elenco. Porém era inviável reunir grandes estrelas de Hollywood, já que o orçamento era limitado em US$ 75 milhões. Valor modesto, se comparado a outras produções como a trilogia “Homem-Aranha”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “Homem de Ferro”. Esse valor fez, também, alguns personagens frequentes dos X-Men nos gibis, que necessitariam de maiores efeitos visuais (Fera, Colossus, entre outros), serem excluídos do roteiro.
Assim, optou-se por não contar a origem do grupo, mas elaborar uma trama que já mostrava os X-Men como equipe (contando com os principais mutantes: Ciclope, Jean Grey, Tempestade e Wolverine, que se junta á equipe durante a história) comandada pelo Professor Xavier, combatendo seu velho arqui-rival Magneto.
“X-Men – O Filme” mescla várias sagas dos quadrinhos. Na trama, parte dos humanos temem e não entendem a existência mutante. O Professor Xavier e seus alunos buscam um entendimento pacífico entre as espécies. Mas Magneto, com sua Irmandade, prefere confrontar a humanidade e provar que os mutantes são o próximo passo da evolução humana. Para tanto, cria um equipamento (que só funcionará com os poderes de Vampira, e por isso a sequestra) para matar autoridades reunidas numa conferência em Nova York, que visa discutir um ato de registro de mutantes, idealizado pelo senador Robert Kelly. O intuito do atentado é gerar uma revolta da sociedade contra os mutantes, que teriam a deixa perfeita para começar um conflito.
O elenco não contava com nomes capazes de arrastar multidões naquele período. Para interpretar o Professor Xavier foi contratado Patrick Stewart, conhecido por viver o Capitão Picard entre 1987 e 1994 na série televisiva “Star Trek – A Nova Geração”, mas que até então não fizera nada de extraordinário no cinema. O ator incorporou o personagem de tal maneira, que nos dias atuais é mais fácil lembrá-lo pela trilogia mutante do que pela série de ficção-científica.
Magneto ganhou como intérprete Sir Ian McKellen, ator inglês veterano do teatro, assumidamente homossexual, que acabou revelando-se outra jogada de mestre dos produtores. Na primeira metade da década, ele dividiria suas atuações na franquia mutante com outra trilogia, ainda de maior sucesso, “O Senhor dos Anéis”.
Já os X-Men não contavam com rostos famosos. Halle Barry, até ali pródiga em papéis coadjuvantes, seria Tempestade (em 2002, a atriz venceria o Oscar por “A Última Ceia” e depois só faria bobagens). Apesar de ter ganhado, quando menina, um Oscar de atriz coadjuvante por “O Piano” (1993), Anna Paquin, que viveria Vampira, não podia ser considerada uma estrela. Egresso da série de TV “Gossip”, que tinha Kate Hudson e Joshua Jackson no elenco, o galã James Marsden seria Ciclope. Famke Janssen, que protagonizara uma adaptação de uma HQ independente, o modesto “Model By Day”, encarnaria Jean Grey. E a bela Rebecca Romijn, ex-modelo e apresentadora da MTV, faria Mística.
Exceto Anna Paquin, prejudicada ante os fãs babões por não contar com o corpão da Vampira dos gibis e da TV, e James Marsden, que fez um Ciclope insosso, meio bundão, todos os atores corresponderam e agradaram. Mas nenhum deles foi catapultado ao estrelado como Hugh Jackman, ator australiano que iniciou a carreira no teatro, estrelou musicais e precisaria encarnar ninguém menos que Wolverine, mutante irônico, rebelde e violento. Mas assim como nos gibis, Jackman concebeu um Wolverine carismático. O ator viu sua carreira dar uma guinada, sendo requisitado para trabalhar com diretores do quilate de Woody Allen (em “Scoop”) e Christopher Nolan (em “O Grande Truque”), e estrelando e produzindo, inclusive, aquela que é até agora a única aventura solo de um x-men na tela grande: “X-Men Origens: Wolverine”.
Marcaram presença na trama, em participações secundárias ou em rápidas aparições, outros personagens conhecidos das histórias mutantes como Dentes-de-Sabre, Groxo, Kitty Pryde e Jubileu. As filmagens aconteceram entre 22 de Setembro de 1999 e 3 de Março de 2000, principalmente em Toronto, no Canadá.
A produção buscou tornar a saga mutante menos fantasiosa. Os uniformes coloridos deram lugar a trajes escuros (o que rendeu até uma piada de Wolverine durante o longa). E não houve exagero em cenas de efeitos visuais. Tempestade, por exemplo, mal sai do chão (Halle Berry, considerada objeto de decoração no elenco por fãs e parte da crítica, reclamaria maior presença da heroína nos filmes seguintes da franquia).
Apesar de não ser um épico como o “Superman” de Richard Donner e “O Cavaleiro das Trevas” de Christopher Nolan, “X-Men – O Filme” conseguiu misturar bem drama, ação, efeitos competentes e romance. Tudo que precisava está lá: o conflito das diferenças, a atração que Wolverine desperta em Jean (ela namora Ciclope), entre outras referências aos gibis. O longa agradou a crítica e venceu seis categorias no Saturn Awards (inclusive melhor Sci-Fi, diretor, roteiro e ator, para Jackman), premiação volatada aos gêneros de ficção-científica, terror e fantasia. E marcou o início de uma época. A partir dele, os heróis passaram a ser tratados com respeito pela indústria cinematográfica. Ninguém mais queria dar bola fora. Fossem produtores, diretores, roteiristas ou atores.
Direta ou indiretamente, foi o responsável pelo surgimento da trilogia “Homem-Aranha”, do reinício da franquia “Batman” e pela criação de um estúdio de cinema da Marvel, que tinha vendido os direitos de alguns personagens seus (inclusive os X-Men) e viu estúdios ganharem fortunas. Com o Marvel Studios, a empresa pôde lançar “Homem de Ferro”, “O Incrível Hulk” e preparar outros projetos ambiciosos.
Nos 10 anos antes ao filme, cerca de uma dezena de longas baseados em HQs foram produzidos. Entre 2000 e 2010 uma verdadeira avalanche de obras cinematográficas inspiradas em gibis foram lançadas: as trilogias “X-Men” e “Homen-Aranha”, dois filmes do Batman, dois do Hellboy, dois do Hulk, dois do Quarteto Fantástico e mais dois do Homem de Ferro, “Superman – O Retorno”, “O Procurado”, “300″, “Watchmen – O Filme”, “V de Vingança”, “Demolidor”, “Elektra” e por aí vai.
Com os quase US$ 300 milhões arrecadados mundialmente, o longa deu início a uma trilogia (por enquanto, a melhor sobre HQs), que seguiu com o superior “X-Men 2” (2003), novamente dirigido por Singer, e concluiu de forma honrosa em “X-Men – O Confronto Final” (2006), que teve direção de Brett Ratner (Singer se aventurou em “Superman Returns”, que fracassou nas bilheterias). Além de gerar “X-Men Origens: Wolverine” (2009) e “X-Men: First Class”, filme em produção que narrará o início da saga mutante. E que venha muito mais.


Carregando...
X Men - O Filme
"Bom"
"Bacana o filme. Ficaram muito bom os efeitos"