A história de cinco personagens, e seus percursos emocionais que abordam a recuperação de suas próprias vidas: a jovem Mariana, uma menina que vive em uma pequena cidade na fronteira com o México; Sylvia, que procura deixar para trás um pecado do seu passado; Nick e Gina, um casal ilegal de am ... Leia mais
A história de cinco personagens, e seus percursos emocionais que abordam a recuperação de suas próprias vidas: a jovem Mariana, uma menina que vive em uma pequena cidade na fronteira com o México; Sylvia, que procura deixar para trás um pecado do seu passado; Nick e Gina, um casal ilegal de amantes; e Maria, que ajuda a levar a seus pais redenção, perdão e amor.
| Gênero | Drama |
|---|---|
| Título Original | The Burning Plain |
| Diretor | Guillermo Arriaga |
| Atores principais | Charlize Theron, Kim Basinger, John Corbett, Jennifer Lawrence, Danny Pino, Joaquim De Almeida, Tessa Ia, Martin Papazian, Diego J. Torres |
| Ano de produção | 2008 |
| Duração | 111 minutos. |
| Classificação do CAEC | R - Exigido acompanhamento dos pais ou de adultos. Não Recomendado para menores de 16 anos |
| Produtor | Walter F. Parkes, Laurie MacDonald |
| Escritor | Guillermo Arriaga |
| Música | Hans Zimmer, Omar Rodríguez-López |
| País | Estados Unidos da América · Argentina |
| Avaliação da comunidade | ![]() Avaliação média baseada em 155 pessoas |
| Avaliação da mídia | ![]() Avaliação média baseada em 7 críticos |
| Última modificação | la vieja (5 meses atrás) |
No meio do nada, numa paisagem árida e ensolarada, um trailer se incendeia e explode. Nos próximos minutos, ficaremos sabendo que o lugar era, na realidade, o ninho do amor proibido entre Nick (Joaquim de Almeida) e Gina (Kim Basinger). Ele, moreno e mexicano. Ela, loira e norte-americana. Ele, dono de uma velha picape. Ela, com um luxuoso sedan. ... Leia mais No meio do nada, numa paisagem árida e ensolarada, um trailer se incendeia e explode. Nos próximos minutos, ficaremos sabendo que o lugar era, na realidade, o ninho do amor proibido entre Nick (Joaquim de Almeida) e Gina (Kim Basinger). Ele, moreno e mexicano. Ela, loira e norte-americana. Ele, dono de uma velha picape. Ela, com um luxuoso sedan. Ambos adúlteros. Agora mortos, com seus corpos fundidos pelo fogo intenso, Nick e Gina se transformam nos mártires da fronteira, imolados num inesperado altar de ferro retorcido em pleno deserto, símbolo de duas famílias consumidas pela dor e pelo ódio mútuo.
É neste clima de desolação que Mariana (Jennifer Lawrence), filha de Gina, e Santiago (J.D. Pardo), filho de Nick, vão surpreendentemente encontrar um espaço na dor para se apaixonar como Capuletto e Montecchio.
Mas Vidas Que se Cruzam não é um Romeu e Julieta. É uma bela história de amor e ódio, de culpa e desespero e de choques culturais, contada com talento pelo mexicano Guillermo Ariaga, roteirista dos aclamados Amores Brutos, 21 Gramas e Babel, que aqui estreia na direção. Com o próprio roteiro, por supuesto.
O título brasileiro Vidas Que Se Cruzam não é feliz. Talvez faça o espectador pensar que estará diante de mais um Amores Brutos ou 21 Gramas, estes sim exatamente mostrando episódios de vidas que se cruzam. Não é bem o caso aqui. Claro, há vidas que se cruzam, mas em qual filme não há? Assim como Encontros e Desencontros: em qual filme eles não existem? Mas este trabalho de Ariaga prioriza mais os tempos que os espaços fílmicos. A narrativa é intercalada entre o tempo atual e o cruel tempo passado que motivou a dor dos personagens do presente. Com muita sensibilidade e sem cair nas fáceis armadilhas rasas de causa e efeito.
Ariaga também não se rende à cartilha acadêmica que reza tratar passado e presente com diferentes estilizações visuais. Aqui, como que reforçando a linha do tempo, o que é contado no passado segue o mesmo desenho visual do que acontece no presente, para o desespero de quem saiu do cinema por dois minutos para comprar pipoca e voltou achando que não vai conseguir entender mais nada do filme. O recurso só cria ainda mais interesse pela trama, contada em precisas doses cinematograficamente homeopáticas e atraentes.
Trilha melancólica, saudáveis tempos de silêncio (ufa!), interpretações marcantes e um jeito sem pressa de contar uma boa história valeram a Vidas que Se Cruzam um convite para participar da Mostra Competitiva do prestigioso Festival de Veneza de 2008. Não ganhou como filme, mas rendeu um prêmio de interpretação para Jennifer Lawrence. Talvez merecesse mais, não importa. O que vale mesmo é conferir de olhos e coração abertos esta mais do que promissora estreia de Ariaga na direção.
Logo após o lançamento de Babel nos cinemas americanos, por volta outubro de 2006, veio a público a troca de farpas entre o diretor Alejandro Iñárritu e seu roteirista de todas as horas, Guillermo Arriaga. Segundo Arriaga, ele seria o responsável por grande parte da estrutura de Amores Brutos e de 21 Gramas, o que lhe daria o direito de recla ... Leia mais Logo após o lançamento de Babel nos cinemas americanos, por volta outubro de 2006, veio a público a troca de farpas entre o diretor Alejandro Iñárritu e seu roteirista de todas as horas, Guillermo Arriaga. Segundo Arriaga, ele seria o responsável por grande parte da estrutura de Amores Brutos e de 21 Gramas, o que lhe daria o direito de reclamar boa parcela da autoria de ambos os filmes. Em resposta, Iñárritu o proibiu de freqüentar as exibições de Babel no Festival de Cannes daquele ano. Pouco tempo depois, como que comprando a briga, Arriaga anunciou que debutaria na direção com The Burning Plain, o novo roteiro que acabara de concluir. Visto agora, é interessante observar que se o Arriaga-roteirista não perdeu seu jeito na construção das histórias, ainda falta ao Arriaga-diretor mais ousadia no aprofundamento dos conflitos dos personagens. Vidas que se Cruzam, título que o filme recebeu no Brasil, sente falta de um Iñárritu.
A narrativa começa no Novo México, com o plano geral de um trailer em chamas. Logo saberemos que em seu interior, estavam Gina (Kim Basinger) e Nick (Joaquim de Almeida), um casal de amantes. Ela, esposa de um caminhoneiro e mãe de quatro filhos. Ele, também casado, tinha dois filhos para criar. Eles faziam sexo no momento em que veículo, por algum motivo ainda obscuro, foi pelos ares. No momento do enterro de ambos, as respectivas famílias se cruzam. Em meio à tristeza pela perda de pessoas tão próximas, e o constrangimento pelo modo como ela ocorrera, a filha de Gina, Mariana (Jennifer Lawrence) e o filho de Nick, Santiago (J.D. Pardo), percebem que podem encontrar um no outro as respostas que lhes faltam.
Paralelamente, em Portland, estado do Oregon, Sylvia (Charlize Theron) é a administradora de um restaurante à beira-mar. Algo a consome. Alguma dor invisível ligada ao seu passado a coloca num processo de auto-destruição. Durante o dia, Sylvia recebe seus clientes, preocupa-se em manter cheio o copo dos políticos que freqüentam seu estabelecimento, e recomenda saborosos vinhos Bordeaux. Após o expediente, vai para a cama com qualquer homem que lhe dê uma cantada – ou algo ela entenda como tal – que pode vir de um de seus funcionários – o fato de ele ser casado até ajuda – ou um de cliente mais ousado.
Há uma terceira história, em que Maria (Tessa La), uma garota mexicana, acompanha o pai (Danny Pino) no seu trabalho de despejar inseticidas sobre terrenos rurais. Eventualmente, um acidente aéreo vai relacionar todas essas episódios.
Como nos outros roteiros de Arriaga (e aqui deve se incluir Três Enterros, dirigido por Tommy Lee Jones), as diversas histórias e personagens de Vidas que se Cruzam vão se revelando aos poucos. Também como em seus outros trabalhos, os primeiros minutos são narrados de forma descontínua, o que faz com o espectador fique meio perdido no meio de tantos nomes e fatos. Mas logo as conexões surgem, o novelo de lã vai de desfazendo e o filme começa a surgir na nossa frente.
Os personagens de Arriaga sempre carregam angústias do passado e caminham no presente em busca da salvação pessoal. Foi assim com o mendigo de Amores Brutos, que sacrificara o relacionamento com sua filha em nome da luta armada; com Benicio Del Toro, que se deixa ser preso após ter atropelado as filhas de Naomi Watts; e com o casal Brad Pitt e Cate Blanchett, que vê numa viagem para o Marrocos a solução para a crise do seu casamento.
Com Vidas que se Cruzam não é diferente. Gina e o marido não se dão bem na cama. Por algum motivo, ele não consegue ir até o final do ato sexual. Ela parece achar que os problemas são relacionados à cirurgia que lhe obrigou a retirada de um dos seios. Insatisfeita e frustrada, Gina encontra no fazendeiro Nick um homem mais presente e que a respeita como mulher. Eles se encontram no meio do deserto, no trailer dele. Ela sabe que aquele relacionamento extraconjugal coloca em risco até mesmo o relacionamento com seus quatro filhos. Mesmo assim, entre a culpa e a satisfação de ser vista como uma mulher atraente, ela segue em frente.
Sylvia, por sua vez, parece carregar uma culpa tão grande, que o suicídio é uma hipótese que ela considerada regularmente. Na falta de coragem para um ato tão extremo, Sylvia encontra na auto-mutilação e na dor física a única forma de esquecer o mal que aflige sua alma. No sexo com desconhecidos, ela busca uma voz de aprovação, um apoio, um colo. Por vezes é rejeitada. Nessas horas, com um apelo quase infantil, indaga: “Por que? Você não gosta de mim?”.
Talvez o grande problema de Vidas que se Cruzam seja a falta de aprofundamento em cada uma destas histórias. Se no papel, elas eram potencialmente ricas, na tela, soam flácidas, frias, sem emoção. De um lado, Arriaga poderia dar uma maior densidade aos seus personagens, fornecendo ao espectador mais detalhes sobre seus passados. Não sabemos, por exemplo, como o romance adúltero entre Gina e Nick começou. Quando os vemos fazendo sexo no trailer, não conseguimos captar a real dimensão daquele envolvimento. Gina parece estar entrando de cabeça, mas e Nick? Ele surge sempre disposto, esperando por ela. Mas não sabemos se o seu discurso coincide com suas ações. Ele realmente pensa em se separar da sua esposa e dos filhos? Ele está se apaixonando por Gina? E quanto à menina Maria? Ela já aparece no filme como uma pré-adolescente, ao lado do pai, quando seria importante termos visto algo da sua infância. Esse hiato de informações, impede que nos relacionemos com a obra de uma forma mais intensa. Vidas que se Cruzam é um filme que pedia uma metragem mais longa.
No fundo, todos esses problemas derivam provavelmente da escolha de Arriaga de contar histórias ambientadas em diferentes espaços temporais. O cruzamento de tramas dá mais certo quando elas ocorrem simultaneamente e separadas apenas por uma pequeno espaço físico (uma comunidade, uma cidade). Foi assim em Amores Brutos, 21 Gramas e, em menor grau, em Babel. Em Amores Brutos, por exemplo, a fuga de carro do personagem de Gael Garcia Bernal provoca o acidente e torna a modelo paraplégica. Como o filme nos faz acompanhar a vida daquelas duas pessoas, sabemos que, cedo ou tarde, o destino de ambos se encontrará. Quando assistimos à seqüência da colisão dos veículos, o efeito é devastador. Em Vidas que se Cruzam é diferente. Os dois principais núcleos do filme estão separados por alguns anos, o que minimiza o impacto da montagem paralela. Para sermos justos, o que Arriaga faz nem é bem uma montagem paralela, mas sim contar duas histórias praticamente independentes entre si, cujos efeitos se darão apenas no longo prazo. Os roteiros em mosaico de Arriaga pedem mais urgência e imediatismo.
Vidas que se Cruzam estreou nos EUA no segundo semestre de 2009. A intenção do estúdio era que o filme rendesse uma indicação ao Oscar à sua protagonista, Charlize Theron. No entanto, ainda que todos concordem que ela não é apenas um rosto (muito) bonito, Theron ressente-se de cenas de maior impacto. E aqui a culpa é mais do roteiro do que dela. Melhor que Theron está Basinger. Mesmo defendendo um personagem mal desenvolvido, Basinger brilha na seqüência em que revela a seu amante a cicatriz em seu seio esquerdo. Outro destaque vai para a jovem Jennifer Lawrence, como a jovem Mariana. O restante do elenco dá conta do recado, ainda que nenhum dos papéis tenha maior importância dentro do filme.
Se Vidas que se Cruzam não servisse para nada, ele ao menos provoca um interessante debate sobre quem seria o verdadeiro autor no cinema. Não há dúvida que os filmes são resultados de um grande esforço coletivo. Mas se eles representam a visão de mundo de uma única pessoa, quem seria ela: o diretor ou o roteirista? No caso de Arriaga, talvez não seja coincidência o fato de que Vidas que se Cruzam é um filme bem inferior aos outros que também se basearam em roteiros seus mas que foram dirigidos por outras pessoas. É claro que Arriaga pode e deve voltar a dirigir outros filme no futuro, mas o fato é que, no braço de ferro que ele quis criar com seu ex-parceiro e hoje desafeto Iñárritu, Arriaga provou que os diretores são as verdadeiras estrelas do pedaço.


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Vidas que se cruzam
"Bom"
"Vidas Que se Cruzam
Um bom drama familiar, enredo denso triste Charlize Theron e Kim Basinger estão deslumbrantes
"