Tron: O Legado estreia em escala mundial 28 anos após o seu original. Tratado como uma continuação, a obra de 2010 tem a pretensão de atualizar o visual e criar uma nova leva de seguidores. Se o filme em questão é capaz de tal feito? Bem, isto é questionável.
Visualmente, a película tem uma qualidade ímpar. A complexidade arquitetônic ... Leia mais Tron: O Legado estreia em escala mundial 28 anos após o seu original. Tratado como uma continuação, a obra de 2010 tem a pretensão de atualizar o visual e criar uma nova leva de seguidores. Se o filme em questão é capaz de tal feito? Bem, isto é questionável.
Visualmente, a película tem uma qualidade ímpar. A complexidade arquitetônica do sombrio mundo virtual, aliado ao neon que permeia praticamente todas as cenas (seja nos cenários ou figurinos) são capazes de criar um efeito quase catártico. A profundidade de campo alcançada ao 3D acrescenta uma aproximação extremamente empolgante, conquistando facilmente o espectador. Se há algo no que o filme pode ser elogiado, é de sua direção de arte em total sincronia com a fotografia.
Em um filme tão focado nos efeitos especiais, onde a mise-en-scène é praticamente em sua totalidade realizada na pós-produção, o elenco seria o pilar responsável pela identificação com o público. Dada a devida importância, aqui se encontra um dos grandes defeitos da película. Garrett Hedlund se esforça tanto para parecer cool que acaba transformando as cenas em que o Sam Flynn aparece em um grande marketing de si mesmo. Não há praticamente uma cena em que não esteja fazendo pose ou um expressão corporal e/ou facial que remeta a um desfile de moda. Cabe a Jeff Bridges e Olivia Wilde, respectivamente como Kevin Flynn/Clu e Quorra, serem os coadjuvantes que entregam – ao menos – uma atuação correta. Atenção especial para a rápida aparição de Michael Sheen, que introduz uma das melhores cenas do longa.
Se existe um elemento que justificaria a feitura de Tron:O Legado, com certeza seria a sua trilha sonora. Todas as cenas parecem ter sido coreografadas para se encaixarem nas músicas compostas pela dupla francesa de música eletrônica Daft Punk. Não à toa, a trilha é um dos principais produtos no marketing do filme. A dupla, inclusive, realiza uma participação extremamente bem executada, chegando a confundir o que é diegese ou não.
Joseph Kosinski estreia a carreira cinematográfica reforçando o estereótipo de diretor advindo da publicidade. Sendo bem sucedido nas propagandas em que os efeitos digitais são necessários, processa um trabalho exemplar em Tron:O Legado neste quesito. Por inexperiência e por tiques de sua carreira predecessora, acaba por realizar uma obra que soa o tempo todo como um grande trailer, se esforçando o tempo todo para entregar cenas de tirar o fôlego visualmente, mas esquecendo de outras características que fariam de seu primeiro filme um grande exemplar da ficção científica.
Tron:O Legado criou uma expectativa em fazer justiça com o original que – por muitos – é considerado subestimado. O mais óbvio que se poderia afirmar, no entanto, é que será lembrado como uma homenagem, com um visual tão embasbacante quanto o anterior, cada qual referente à época em que ambos foram produzidos. A diferença é que o mais recente não corre nenhum risco de virar cult como o Tron que o deu origem.
Quando Tron - Uma Odisséia Eletrônica foi lançado, em 1982, o mundo era diferente. Os computadores começavam a se popularizar e, como tudo que é novo, representavam uma ameaça para muitos. Dentro deste contexto, alguns filmes da época aproveitaram o mote do perigo que a nova realidade poderia trazer. Tron foi um pouco mais longe, pois també ... Leia mais Quando Tron - Uma Odisséia Eletrônica foi lançado, em 1982, o mundo era diferente. Os computadores começavam a se popularizar e, como tudo que é novo, representavam uma ameaça para muitos. Dentro deste contexto, alguns filmes da época aproveitaram o mote do perigo que a nova realidade poderia trazer. Tron foi um pouco mais longe, pois também promoveu uma imersão - literalmente - no mundo tecnológico. Apesar do fracasso comercial, tornou-se cult. Gerou fã clube, virou brinquedo, jogo e toda espécie possível de lembranças. Tron - O Legado surge quase três décadas depois, disposto a promover a mesma sensação no espectador. Consegue.
Consegue muito graças à tecnologia 3D aplicada. Assim como Avatar, Tron - O Legado foi concebido para ser em 3D desde o início. Ou seja, o filme foi pensado de forma que a tecnologia auxiliasse a história, ao invés de ser apenas um meio caça-níqueis para cobrar um ingresso mais caro. O resultado pode-se perceber quando Sam Flynn (Garreth Hedlund, correto na função de herói) entra na grade, o ambiente totalmente informatizado desenvolvido décadas antes por seu pai, Kevin (Jeff Bridges). Em um mundo estilizado onde os programas possuem forma humana, meio simples mas eficiente para a boa condução da história, o 3D ajuda a ressaltar o show de luzes e sombras presente.
O visual é outro ponto crucial. Afinal de contas, o ambiente tecnológico foi o grande chamariz do filme original. Nos dias atuais, onde praticamente tudo é possível graças aos efeitos especiais, criar algo novo e ao mesmo tempo atraente e condizente com o primeiro Tron era o grande desafio. O diretor Joseph Kosinski foi feliz nas escolhas, gerando um universo sombrio e de fácil identificação através das cores - os mocinhos têm tonalidade azul, os malvados vermelha. Junta-se os veículos que deixam um rastro de luz sólida e voilá. O universo está pronto, proporcionando um forte impacto não apenas pelo seu visual mas também pela qualidade das cenas de ação, por sua vez também auxiliadas pelos elementos estéticos aplicados.
Além do universo estilizado, o filme traz outros pontos altos. Um deles é a dupla atuação de Jeff Bridges, criando personagens antagônicos através do visual adotado e do rejuvenescimento tecnológico nele aplicado. Em algumas cenas o jovem Bridges soa artificial, mas, de qualquer forma, a ideia funciona dentro do que o filme se propõe. Outro destaque é Michael Sheen, de espírito completamente anárquico. Com movimentos lembrando de Charles Chaplin a Rocky Horror Picture Show, seu personagem é o que há de mais divertido no filme. Méritos também para a ótima trilha sonora, composta pelo duo Daft Punk.
Entretanto, tamanho cuidado no lado visual não se repete quando o assunto é roteiro. O filme insiste no batido e sempre atual conflito entre produtos de informática cobrados e disponibilizados gratuitamente, algo já visto em filmes como Ameaça Virtual e até mesmo A Rede Social. Há também questões deixadas em aberto, provavelmente de forma proposital para que sejam exploradas em possíveis sequências. E há uma forte reverência ao passado, presente em detalhes como os brinquedos no quarto de Sam, a loja de arcades e a música tema do primeiro filme, com seu espírito típico dos anos 80. Os saudosistas vão se deliciar!
Tron - O Legado é um bom filme de ação, que merece ser visto em 3D para melhor apreciação da obra como um todo. Não possui uma trama revolucionária e nem era esta a proposta. O simples combate bem x mal está presente e funciona. O que importa, neste caso, não é nem tanto o que acontece mas sim a forma como acontece. É o cinema sendo utilizado em sua expressão sensorial, de forma a promover, assim como o primeiro Tron, a imersão do espectador no universo proposto. Consegue.
“Tron - Uma Odisséia Eletrônica”, de 1982, foi lançado no mesmo que “E.T, O Extraterrestre”, “Jornada nas Estrelas II – A Ira de Khan” e “Blade Runner”. Ano bastante concorrido no gênero ficção científica. Com trama e visual à frente de seu tempo, o filme da Disney, primeiro a usar em grande escala a computação gráfica ... Leia mais “Tron - Uma Odisséia Eletrônica”, de 1982, foi lançado no mesmo que “E.T, O Extraterrestre”, “Jornada nas Estrelas II – A Ira de Khan” e “Blade Runner”. Ano bastante concorrido no gênero ficção científica. Com trama e visual à frente de seu tempo, o filme da Disney, primeiro a usar em grande escala a computação gráfica e o conceito de realidade virtual estável, caiu no ostracismo. Virou cult pra alguns, passou despercebido para a maioria. Reza a lenda que o estúdio mandou recolher o que fosse possível das cópias em home vídeo, tamanha a frustração com o fracasso do longa nas bilheterias. Hoje o visual daquela produção soa datado. Na época, foi o embrião de muito do que seria feito em sci-fi. Um exemplo? “Matrix”.
Comercialmente, uma continuação seria dar um tiro no pé. Mas a Disney acreditou que, 28 anos depois, com a evolução tecnológica, seria possível criar o universo de Tron do jeito que os produtores imaginavam e atrair o grande público. Investiram muito. E obviamente, pelo tema restrito, a obra não tem correspondido nas bilheterias. Diretor do primeiro, Steven Lisberg produziu este. E trouxeram novamente Jeff Bridges, protagonista do original, para reviver Kevin Flynn, que desapareceu há anos. O filho, Sam (Garrett Hedlund), decide procurá-lo e acaba indo parar na Grade, a realidade virtual criada pelo pai e que agora é dominada por Clu, avatar rebelado de Kevin. Na busca para voltar ao mundo real junto com o pai, Sam encontra ajuda em Quorra (Olivia Wilde).
Dirigido por Joseph Kosinski, oriundo do mercado publicitário, “Tron: O Legado” é pura diversão visual. Um filme para não ser levado a sério, mesmo porque o roteiro não tem lógica e conta com vários furos. Se o filme não é tecnicamente revolucionário, impressiona. Kosinski e equipe criaram um mundo fantástico. Não tão grandiloqüente ou detalhista quanto a Pandora de “Avatar” - este sim revolucionou o cinema -, mas bem definido, complexo, rico em detalhes, espetacular. O espectador que se deixar levar mergulhará no universo da Grade. As cenas que se passam fora dela são descartáveis. Nela, o entretenimento está garantido. O filme vale como escape e deve, se possível, ser visto em 3D. Na tela grande, cada centavo investido pela produção é justificado. Direção de arte e efeitos visuais batem um bolão, a trilha sonora com Daft Punk é cool e o elenco está ok.
Jeff Bridges aproveita o momento “Oscar” pela vitória por “Coração Louco” este ano (atualmente ele também estrela “Bravura Indômita”) e até aparece em cena rejuvenescido via CGI, como Clu. Garrett Hedlund, o primo mais novo de Brad Pitt em “Tróia”, não compromete como o protagonista Sam. Mas acima do visual e qualquer elogio técnico ou às atuações, o real legado deste “Tron” é a escalação de Olivia Wilde. Se tanta gente deu espaço a Megan Fox, Wilde surge muito mais sexy, charmosa, carismática, bonita. E destaca-se mesmo numa personagem que não exige grande atuação. Só a sua presença já catalisa nossas atenções. Seus olhos azuis hipnotizam. E a atriz não tem medo de encarar papéis polêmicos, como a médica bissexual de “House”. Produtores com um pingo de noção perceberão nela uma estrela pronta para Hollywood.
Tron - O Legado
"Muito bom"
"Tal qual seu antecessor, Tron o Legado monstra um novo universo, efeitos sensacionais e uma aventura empolgante. Com a tecnologia atual foi possível mostrar mais claramente o potencial que a história tem, diferente do primeiro que passou 'incomprenendido' ou taxado como 'exagerado' por muitos. O que um filme precisa ter e ser: entretenimento puro com um fundo emocional como as histórias com a marca Disney constumam trazer. Recomendado para toda família. Destaque para Olivia Wilde, da série House, e para Jeff Bridges, duplicado na versão jovem através de CG. #videoteca"