O lançamento brasileiro de Transformers – A vingança dos derrotados, foi uma das coisas mais confusas que o público já viu. O filme começou a ser apresentado na terça-feira. Na quarta, novas salas se integraram ao circuito – e diversas das que haviam começado a mostrá-lo na véspera trocaram seus horários. Tudo isso, oficialmente, foi ... Leia mais O lançamento brasileiro de Transformers – A vingança dos derrotados, foi uma das coisas mais confusas que o público já viu. O filme começou a ser apresentado na terça-feira. Na quarta, novas salas se integraram ao circuito – e diversas das que haviam começado a mostrá-lo na véspera trocaram seus horários. Tudo isso, oficialmente, foi apenas pré-estreia – o lançamento “de verdade” ocorre apenas hoje. Com novas mudanças de horário, claro. O esforço de engenharia de programação, que deve ter feito muita gente que não leu os jornais de quarta morrer de raiva quando chegou no cinema e descobriu que os horários eram outros, tem sua razão de ser. A Paramount, distribuidora da película, aposta no filme. Queria, pelo menos, uma semana para sua exibição em um monte de salas, sem concorrência forte. Só que 1º de julho cai numa terça-feira, e a data já estava reservada para um blockbuster concorrente, o terceiro episódio de A era do gelo. O jeito de garantir a Transformers um lançamento à altura das expectativas sem enfrentar nem a estreia de A era do gelo na primeira semana em cartaz nem derrubar filmes que estão fazendo sucesso foi montar a agenda esquisita com que o filme se apresentou aos brasileiros.
Bem está o que bem acaba – Transformers – A vingança dos derrotados merece o esforço. Como o capítulo anterior da série, é manifestação incomum da produção hollywoodiana. Tem tudo o que qualquer blockbuster tem – de efeitos visuais e sonoros magistrais a cenas de perseguição. Mas organiza esse material de maneira incomum. Ao ponto de ser fácil perdoar o fato de que também tem os vícios usuais das superproduções. Jordanianos e egípcios, por exemplo, talvez não gostem da confusão geográfica que os produtores, em busca de boas imagens, fizeram em torno de algumas de suas principais relíquias históricas. Mas o resultado, bonito e adequado ao suspense, compensa a incorreção territorial e política.
Boa parte da força de Transformers – A vingança dos derrotados se funda na eficiência com que lida com alguns dos mitos primordiais da humanidade. Trata de morte e ressurreição, e da redenção que a última produz – como na trajetória de Cristo, na lenda egípcia de Osíris, e em mitos gregos diversos (o luto de Deméter pelo rapto de sua filha Perséfone, por exemplo). Seu vilão mais poderoso, Fallen (“caído”), foi, nas origens, um dos transformers “prime” – referência a histórias análogas das quais a mais célebre é da tradição judaico-cristã, a queda de Lúcifer. A maneira como aborda esses enredos pode não ter a grandiosidade de algumas de suas versões mais célebres no século 20, de O senhor dos anéis a Guerra nas estrelas. Mas é eficiente tanto no sentido de emocionar o espectador, dar a impressão de que o filme tem algo a dizer, quanto em termos de não atrapalhar o suspense e a ação da narrativa – que, em última instância, são os motivos que levam a maioria dos espectadores ao cinema.
Marcello Castilho Avellar - EM Cultura
A abordagem megalomaníaca é uma constante da indústria cinematográfica hollywoodiana. Tal fato acaba por ditar as regras e origina, justamente, os chamados blockbusters. Em tempos de férias, as atenções desdobram-se em função das produções as quais têm a intenção de causar um impacto visual e sonoro. Afinal, o público se interessa pe ... Leia mais A abordagem megalomaníaca é uma constante da indústria cinematográfica hollywoodiana. Tal fato acaba por ditar as regras e origina, justamente, os chamados blockbusters. Em tempos de férias, as atenções desdobram-se em função das produções as quais têm a intenção de causar um impacto visual e sonoro. Afinal, o público se interessa pelo surrealismo, ou irrealismo, que o cinema propõe por transcender os limites da nossa imaginação. Entretanto, em Transformers – A Vingança dos Derrotados, tudo acaba se convergindo para uma imensa desordem não só contextual como, principalmente, audiovisual. O resultado? Um longo exercício de paciência.
Atualmente, há uma incessante discussão entre a técnica sobrepor à dramaticidade e o roteiro. Ela se justifica mais uma vez, óbvio. A trama de Transformers – A Vingança dos Derrotados é apenas um pretexto para o desenvolvimento de explosões, combates, roldanas e mecanismos. Nela, acompanhamos a entrada de Sam Witwicky (Shia LaBeouf) na faculdade, enquanto enfreta o afastamento da namorada Mikaela (Megan Fox), dos pais e de seu robô protetor Bumblebee. Em paralelo, uma divisão do governo chamada NEST mantém um acordo militar com os Autobots, tentando exterminar os Deceptions que restaram no planeta. Entretanto, a ressureição de Megatron, líder da facção vilã, e o interesse pela energia do globo despertará um novo combate entre máquinas e também humanos. Um combate excessivamente maçante, diga-se de passagem.
Assim como no primeiro volume, algumas poucas sequências – em plano geral – impressionam pelo alto apuro técnico. Todavia, a repetição contribui para tornar o processo em algo bastante modorrento. A direção de Michael Bay engana o espectador ao exagerar em closes e movimentos bruscos em uma tentativa de disfarçar supostas falhas. Revela-se uma alternativa, porém recai na já afirmada desordem audiovisual. É normal o espectador se perguntar o que está acontecendo em cena ao assistir à massiva presença de peças mecânicas em choque, faíscas, explosões, mistura de cores, luzes. A experiência pode até se tornar desconfortável aos mais exigentes, enfrentando o limite de tolerância dos mesmos.
É instigante averiguar que o alívio cômico, mesmo que pastelão, acaba por se revelar mais interessante que as próprias sequências de ação graças ao suporte de um elenco carismático. Shia LaBeouf, apesar de repetir o papel do nerd em apuros em diversos filmes, convence e cumpre seus deveres de herói desastrado. Já Megan Fox e a sua beleza reprensentam bem a função de moça sensual e corajosa. O divertido elenco secundário, porém, é o maior responsável por arrancar risos da plateia. E, de certa forma, uma observação curiosa a ser feita é que a relação entre os humanos é muito mais interessante e divertida do que o embate entre as máquinas. Infelizmente, este último acaba por refletir quase noventa por cento do tempo de projeção.
Aliás, a vertente de cineastas publicitários defende que um bom diretor e roteirista são capazes de transmitir certa idéia em menor tempo possível. Em Transformers – A Vingança dos Derrotados, Michael Bay abusa da tolerância e paciência dos espectadores por durante quase 150 minutos para transmitir, basicamente, nada. É uma repetição do primeiro filme, só que mais longa, mais barulhenta e mais desorganizada. Não me surpreenderá, logo, que os fãs da saga fiquem satisfeitos; e acredito em tal fato. Seria, então, uma produção destinada a um público mais restrito?
Steven Spielberg, produtor executivo do longa-metragem, afirmou em uma entrevista que Transformers – A Vingança dos Derrotados era um dos melhores filmes do ano. Fica a pergunta se o importante cineasta estava apenas tentando promover a produção e o seu colega Michael Bay ou se ele, realmente, está ficando senil. O fato é que a megalomania generalizada parece estar cansando o público e a crítica especializada. Bay, recentemente, se mostrou indignado com a negativa recepção da produção e fez questão de dizer que não está mais cogitando realizar um terceiro filme. Sinceramente? Apesar de achar que a ganância irá imperar mais uma vez, torço para que ele tenha dito a verdade, afinal este segundo teste de tolerência e paciência já se revelou mais do que suficiente.
Por Henrique Chirichella
Depois do sucesso de Transformers, tanto o diretor Michael Bay quanto o produtor Steven Spielberg decidiram, claro, que uma continuação deveria surgir. Afinal, o que mais poderia ser feito em uma continuação? Colocar mais ação, mais robôs e melhorar a confusão visual deles. Dois anos mais tarde, chega Transformers 2 – A Vingança dos Derr ... Leia mais Depois do sucesso de Transformers, tanto o diretor Michael Bay quanto o produtor Steven Spielberg decidiram, claro, que uma continuação deveria surgir. Afinal, o que mais poderia ser feito em uma continuação? Colocar mais ação, mais robôs e melhorar a confusão visual deles. Dois anos mais tarde, chega Transformers 2 – A Vingança dos Derrotados. Tem mais ação, mais robôs e o visual continua confuso. E a história? Bom, este é um dos primeiros erros.
No ano que tivemos um Exterminador do Futuro sem o jeito de seus antecessores, este novo Transformers lembra o antigo filme de James Cameron. Isto porque a trama nos apresenta Sam Witwicky (Shia LaBeouf) sendo caçado pelos Decepticons – os Tranformers vilões – e protegidos pelos Autobots – Transformers heróis. Há em um momento uma Exterminadora, uma mulher robô maligna. As batalhas entre os robôs são o ponto alto do filme, mas o que dizer da história?
Dois anos se passaram desde os eventos do 1º filme. Sam está lá, namorando a deusa Mikaela, ao mesmo tempo em que se prepara para ir para a faculdade. Lá, conhece seus colegas de quarto e a bonitona do lugar. Não demora muito para os novos Decepticons chegarem à Terra e atacarem tudo. Os dois militares do 1º filme estão de volta, coordenando a linha de defesa terráquea, que agora conta com Autobots na sua equipe e se chama NEST.
Mas se, no primeiro filme, Sam era a chave por ter a localização do Cubo, neste, Sam é a chave por ser Sam… Ou seja, ele ‘absorve’ o aprendizado do Cubo e passa a ser perseguido por isso. E se o filme encontra uma oportunidade de piorar, ele o faz. O pior personagem coadjuvante do mundo, Leo Spitz (Ramón Rodríguez), o acompanha sendo figurante de luxo. E ainda resgatam Seymour Simmons (John Tuturro) – aquele militar da antiga “Zona 7” – e o elevam a herói. No meio desta salada, somos apresentados a novos minirrobôs, que parecem os saudosos “Gremlins”, dois robôs gêmeos sem graça e um já velho – com direito a bengala e tudo.
E quando parecia não ter fim, a trama é transferida para as areias do Egito, onde fica mais fácil realizar cenas de destruição, já que não há muitos prédios e a nuvem de areia encobre muita parte das tomadas.
Se Transformers 1 é uma diversão sem pretensão, a continuação patina feio em relação ao antecessor. Muito longo, muito confuso, muito chato e muito bobo. Mas se for para apenas comer pipoca e esquecer o que se viu logo em seguida, está adequado, afinal trata-se de um filme de férias. Além disso, tem Megan Fox fazendo beicinho e usando shortinho, o que, para o público masculino, é uma salvação.
Por Daniel Mattoso
Muita pirotecnia e nada de inteligência.
Há alguns anos, milhares de crianças japonesas foram parar nos hospitais com epilepsia fotossensitiva, após assistirem a uma seqüência do desenho animado Pokémon. Com Transformers: A Vingança dos Derrotados, é provável que mais gente vá parar nos centros médicos pela mesma e simples razão: o ... Leia mais Muita pirotecnia e nada de inteligência.
Há alguns anos, milhares de crianças japonesas foram parar nos hospitais com epilepsia fotossensitiva, após assistirem a uma seqüência do desenho animado Pokémon. Com Transformers: A Vingança dos Derrotados, é provável que mais gente vá parar nos centros médicos pela mesma e simples razão: o espectador estará sujeito a todo tipo de stress mental que um produto audiovisual pode produzir em som e imagem por intermináveis duas horas e meia de projeção.
É tudo bem ao gosto do Michael Bay que estamos acostumados: cortes incessantes, explosões a todo o momento, muito corre-corre e zero de cérebro. Só que tudo isso elevado a enésima potência, se firmando praticamente como um enorme videoclipe, ou videogame, ou um híbrido entre os dois (que não ousem chamar isso de obra cinematográfica). As pausas vêm somente quando Megan Fox está em cena, sempre seminua e em posições eróticas – a primeira vez que ela aparece, está sobre uma motocicleta, num shortinho minúsculo e bundinha arrebitada para cima – para delírio das espinhas dos adolescentes.
Transformers: A Vingança dos Derrotados começa com um prólogo ambientado em 17.000 a.C. Nele, ficamos sabendo que os nossos antepassados já tinham entrado em contato com os alienígenas-máquinas (ou algo que o valha). Já no presente, humanos e Autobots (os Transformers do bem) cooperam na tentativa de conter um vazamento tóxico na China, que dá margem para as primeiras cenas de destruição. Enquanto isso, Sam Witwicky (Shia Lebeouf) deixa o lar para ir para a universidade, para o desespero de sua mãe e seus sapatinhos (Julie White em momento de vergonha alheia).
Quando Sam, o clichê do herói relutante, toca num fragmento de um cubo alienígena, surgem vários Transformers-Gremlins que destróem a casa. Ele ainda enfrentará a Transformer-Carrie (Isabel Lucas, páreo duro para Megan Fox), os Transformers-cachorros, as Transformers-insetos e todos os demais Transformers-Decepticons (os malvados), que desejam roubar o nosso Sol e outras coisas tão vexaminosas quanto aleatórias.
Nesse momento, nada mais do “filme” faz sentido: Sam tem ataques epiléticos (sim, ele também!) e passa a rabiscar símbolos extraterrenos em todos os lugares – um momento que ficará eternizado na carreira de LeBeouf; o Egito passa a ser locação por algum motivo; um monte de subtramas desconexas saltam à vista, envolvendo um monte de personagem sem motivo aparente de existência; John Turturro entra em cena para pagar mico, seminu; e um monte de coisas a mais que devem ter um propósito qualquer, que não seja o de dar coerência ao andamento de uma narrativa que não existe.
É hora de deixar, então, o cérebro fritar nas seqüências pirotécnicas que saltam a tela até os créditos, sem se importar nem um pouco em relação ao que está acontecendo, e esperar o estardalhaço terminar. Conselho de amigo: não esqueça o analgésico.
Por Andy Malafaya
23/06/2009
Muito barulho por nada
"Transformers: a vingança dos derrotados". Sabe perspectiva, quando, olhando alguma coisa da qual você não gosta muito sob outro ângulo e comparando-a com outra, ela até parece melhor? É o caso do primeiro "Transformers", que, apesar de seus excessos, tinha alguns momentos legais. O mesmo não se pode dizer de sua co ... Leia mais Muito barulho por nada
"Transformers: a vingança dos derrotados". Sabe perspectiva, quando, olhando alguma coisa da qual você não gosta muito sob outro ângulo e comparando-a com outra, ela até parece melhor? É o caso do primeiro "Transformers", que, apesar de seus excessos, tinha alguns momentos legais. O mesmo não se pode dizer de sua continuação (...), que é o mais próximo de uma overdose que alguém pode sentir sem ter tomado nada.
Tudo no filme de Michael Bay é over: a duração (quase três intermináveis horas!), as explosões, os efeitos especiais, até o nada! (...). Bay alinhavou todos os clichês possíveis, recheou com patriotada americana (...) e arrematou com cenas e mais cenas de efeitos digitais e som no volume máximo. (...)
Tom Leão (26/06/2009)
Transformers: A Vingança dos Derrotados
"Bom filme"