É incrível como a Pixar, a cada novo projeto, surpreende o mundo com histórias divertidas e inovadoras. Se em tantas outras boas trilogias do cinema, dificilmente o segundo filme igualou ou superou o original em qualidade, com “Toy Story 3” a Pixar criou a cereja do bolo para um série que nasceu para fazer a diferença.
Lembremos: “Toy ... Leia mais É incrível como a Pixar, a cada novo projeto, surpreende o mundo com histórias divertidas e inovadoras. Se em tantas outras boas trilogias do cinema, dificilmente o segundo filme igualou ou superou o original em qualidade, com “Toy Story 3” a Pixar criou a cereja do bolo para um série que nasceu para fazer a diferença.
Lembremos: “Toy Story”, de 1995, marcou o início do uso da computação gráfica, que levaria o mundo a reboque. O segundo filme, de 1999, é importante internamente, pois foi a primeira e até então a única continuação dentro da companhia (“Carros” e “Monstros S.A.” têm sequencias programadas). E este terceiro longa utiliza o 3D estereoscópico e prova que, é possível sim, criar uma trilogia cujos filmes mantenham o alto padrão de direção, roteiro, dublagem e interpretação. Sim, interpretação, porque os personagens criados pela Pixar emocionam.
Mas acima de tudo, conferir “Toy Story 3” é voltar no tempo, e perceber que, mesmo 11 anos depois, parece que fomos apresentados ontem a Woody, Buzz Lightyear e o resto da turma. Somos próximos a eles. E a Pixar, que nasceu como um braço de Lucas Film para depois ser adquirida pela Disney, soube trabalhar essa proximidade entre público e personagens a seu favor. Jamais enjoamos deles. Pelo contrário. Ficamos felizes ao revê-los e torcemos por cada ação da turma.
Lee Unkrich, que dividiu a direção de “Toy Story 2” com John Lasseter (produtor desse longa e atual diretor do departamento de animação da Disney) e Ash Brannon, e também foi co-diretor de “Procurando Nemo” e “Monstros S/A”, dirige com talento o filme – ele também colaborou no roteiro.
Na trama, passaram-se quinze anos desde a última aventura e Andy, agora com 17 anos, e prestes a ingressar na faculdade, precisa decidir que destino dará a seus brinquedos: leva-os com ele, guarda-os no sótão, faz uma doação, ou joga-os o lixo? Por uma série de desencontros Woody acaba sendo o único escolhido para acompanhar o jovem à universidade, enquanto os outros brinquedos vão parar numa creche.
Quando chegam ao local, são recebidos com festa pelos outros brinquedos, principalmente Ken (Michael Keaton) e o veterano urso de pelúcia Lotso (Ned Beatty). Lotso no começo parece um bom velhinho, simpático, receptivo. Mas com o tempo revela-se um ditador, que envia os brinquedos de Andy à ala das crianças menores de dois anos, que batem, puxam, jogam e sujam os brinquedinhos. Woody precisa encontrar os amigos, que procuram uma forma de fugir da creche.
Seria clichê dizer que “Toy Story 3” é “ideal para crianças e adultos”. Mas é isso mesmo. É fofinho, engraçado e apaixonante para a garotada, como também tem reviravoltas, ação, romance, e humor para cativar os mais velhos. E ainda traz uma série de mensagens: a passagem da infância para a vida adulta e a necessidade de sabermos dar o passo à frente; o ser humano que não precisa mais de certos bens materiais e, ao invés de doá-los, encontrando pessoas que necessitem deles, simplesmente joga-os fora ou guarda-os sem necessidade; e claro, que a amizade é capaz de superar todas as dificuldades.
Aliás, por falar em amizade, rever Woody, Buzz Lightyear e companhia foi como reencontrar antigas pessoas queridas. Sabe aqueles amigos que ficamos sem ver durante anos, mas quando reencontramos, o carinho continua o mesmo? Pois é, foi isso que senti ao ver o filme e seus personagens. E só por nos proporcionar esse tipo de sensação, “Toy Story 3” já seria maravilhoso, mas ainda nos presenteia com cenários encantadores, ótimas cenas de ação, piadas certeiras (o encontro entre Barbie e Ken é impagável, e outro momento “latino” causa gargalhadas deliciosas) e cenas emocionantes, capazes de levar o espectador às lágrimas. Mais uma vez a Pixar acertou em cheio.
Há 15 anos, era lançado pela Walt Disney Pictures um certo filme de animação totalmente realizado em computação gráfica. Tendo como chamariz ser a primeira animação em longa metragem totalmente feita por tal técnica (embora haja controvérsias a respeito do fato), Toy Story arrebatou milhões de fãs e elevou a empresa que o gerou, a ent ... Leia mais Há 15 anos, era lançado pela Walt Disney Pictures um certo filme de animação totalmente realizado em computação gráfica. Tendo como chamariz ser a primeira animação em longa metragem totalmente feita por tal técnica (embora haja controvérsias a respeito do fato), Toy Story arrebatou milhões de fãs e elevou a empresa que o gerou, a então desconhecida Pixar Animation Studios, ao primeiro time da animação mundial. No ano de 2010, a mesma Pixar, agora pertencente a Walt Disney Company, lança a segunda continuação da obra que deu o grande passo para ser a empresa ser o que é hoje.
Em Toy Story 3, o tempo passou. Woody, Buzz e todos os personagens que tanto trouxeram alegria ao Andy, agora não possuem mais utilidade, visto que o antes garoto agora está a caminho da universidade. Ao constatarem que estão relegados a pegarem poeira como entulhos no sótão ou, até pior, serem jogados no lixo, os brinquedos são levados por um mal entendido a tentar uma sobrevivência agradável na nova vida que lhes é imposta.
As tiradas e o bom humor característicos estão excelentes – como sempre foram – mas agora há uma certa melancolia permeando o universo dos brinquedos de Andy: há o clima de despedida, de fim e do que vem depois. A primeira cena do longa resume bem o que se sucederá nos cativantes 103 minutos de duração da película.
Um filme que, apesar de levar o número 3 em seu título, carrega a razão de existir por si só. Toy Story 3 se trata de uma obra que encerra um ciclo, respeitando toda a mitologia criada nos filmes anteriores e, ao final da trilogia, atinge o seu ápice. Foi realizado um trabalho tão completo, que poderia existir facilmente sem os seus antecessores, graças a um roteiro extremamente bem executado. Pode soar apenas uma coincidência, mas o tempo em que estréia esta terceira parte da saga, seria também a época em que Andy (e muitos dos espectadores) estaria largando de fato os brinquedos e partindo rumo a vida adulta. Sacada de mestre dos roteiristas Michael Arndt, John Lassete, Andrew Stanton e Lee Unkrich.
As técnicas e animações estão bastante fluidas, com a qualidade nunca menos que espetacular que se está acostumado a encontrar em toda a obra realizada pela Pixar. A técnica 3D em nenhum momento soa como gratuita, sendo perceptível o cuidado em cada detalhe. As dublagens em português continuam excelentes, apresentando todas as vozes que fizeram parte das películas anteriores. Já a trilha acrescenta qualidade sonora à obra, entre releituras e composições de Randy Newman.
A Pixar comprova todo o cuidado que sempre teve com os seu filmes e eleva a “prata da casa”, em sua segunda continuação, ao status de obra-prima. Toy Story 3 é, definitivamente, um filme a ser celebrado, não havendo palavras para descrever as emoções que é capaz de proporcionar.
Vale ressaltar que a o curta-metragem Dia & Noite, exibido antes das cópias de Toy Story 3, merece todos os elogios vindouros e já valeria o ingresso apenas para assisti-lo, misturando magistralmente animação tradicional e em computação gráfica.
Dá para contar a história da Pixar e da animação atual acompanhando a trilogia Toy Story. O primeiro filme, de 1995, é um marco pois foi o pioneiro no uso exclusivo de computação gráfica, abrindo um filão depois explorado por outros estúdios. Toy Story 2 (1999) é importante dentro da empresa porque foi a primeira (e por enquanto única) ... Leia mais Dá para contar a história da Pixar e da animação atual acompanhando a trilogia Toy Story. O primeiro filme, de 1995, é um marco pois foi o pioneiro no uso exclusivo de computação gráfica, abrindo um filão depois explorado por outros estúdios. Toy Story 2 (1999) é importante dentro da empresa porque foi a primeira (e por enquanto única) continuação (Carros e Monstros S.A. já têm sequências programadas para 2011 e 2012). E agora, Toy Story 3 (2010) marca a inauguração no 3-D estereoscópico. Isso sem contar que no meio do caminho, a Pixar Animation Studios - que começou como braço da Lucasfilm - foi comprada pelo Walt Disney Studio e John Lasseter passou a comandar todo o departamento de animação da casa do Mickey, com carta branca para refazer projetos que já estavam em andamento, como Bolt - Supercão. Mas nada disso é novidade, a não ser que você tenha vivido em Marte nos últimos 15 anos. Aliás, depois de Wall-E, acho que até no planeta vermelho a Pixar deve ser conhecida.
Tudo isso para dizer o que todo mundo já sabe: a Pixar ainda não aprendeu a fazer filmes ruins. Dá para falar que Carros, por exemplo, fica abaixo da média estabelecida pelo estúdio, mas não é ruim. O mesmo vale para o curta-metragem Pular (Boundin'). Mas tanto o curta-metragem/aperitivo Dia e Noite quanto Toy Story 3 são irretocáveis. Falando rapidamente do curta, é impressionante como há na Pixar pessoas preocupadas em inovar e encontrar novas histórias ou novas formas de contá-las, por mais simples que elas sejam. E em Dia e Noite isso fica claro.
Agora, partindo para o prato principal, Toy Story 3 é épico desde a primeira cena. A sequência de abertura já é um aquecimento para o que virá a seguir: muita aventura, humor na medida certa e uma gostosa nostalgia. A cada filme, nós acompanhamos uma nova etapa na vida de Andy, o dono dos brinquedos. Agora, 15 anos depois que o conhecemos, ele está pronto para ir para a faculdade e sua mãe bota pressão para que ele arrume o seu quarto, separando o que vai ser guardado no sótão, o que vai ser doado e o que vai para o lixo. E aí começa a ação.
Conformados com seu destino longe do Andy, os brinquedos se juntam em uma missão de encontrar um novo lar e novas crianças que queiram brincar com eles. A primeira parada é a creche Sunnyside. Ao chegarem no local, são recebidos com festa pelos outros brinquedos, principalmente Ken (Michael Keaton) e o veterano urso de pelúcia Lotso (Ned Beatty). Porém, por trás de todo aquele aroma artificial de morango existe um ditador duro, que envia todos os antigos brinquedos de Andy para a ala das crianças menores de dois anos, que só sabem bater, puxar, jogar e sujar. O único que escapa ileso é Woody, que tenta a todo custo fazer com que seus amigos voltem para a casa do antigo dono e só retorna para salvá-los quando fica sabendo dos planos de Lotso.
Um dos trunfos da Pixar em relação à sua concorrência é que essa não é toda a trama do longa. Eles não se preocupam em ter apenas um arco simples para ser desenvolvido. A cada esquina virada, muito mais acontece e os personagens encontram novos desafios, que os forçam a parar, pensar e trabalhar em equipe. Ao contrário de outros estúdios por aí que fazem sequência até de filme ruim e que ninguém quer ver (sim, Shrek, estou falando de você mesmo!), a Pixar desenvolve os roteiros de forma envolvente e, não raramente, nos mostra que as vidas mostradas ali na tela são também as nossas.
E é por isso que já está rolando na Internet a piadinha de que a melhor coisa que a Pixar fez com Toy Story 3 foi incluir o 3-D, porque agora, com os óculos, vai ser mais difícil as pessoas perceberem quando você estiver chorando. E é verdade! Apesar de ser um filme em que a aventura dos brinquedos mais uma vez é o principal elemento, quando chega na hora de mostrar o lado mais pessoal, é impossível segurar as lágrimas que vão se agrupando no canto do olho. É a Pixar fazendo história. De novo.
P.S. A versão exibida para os jornalistas foi o 3-D legendado. Esta é a forma ideal de se ver o filme, pois ele foi pensado dessa forma. Porém, a tridimensionalidade é bastante discreta e utilizada muito mais para aumentar a sensação de profundidade dos cenários do que apontando e jogando coisas na direção do público e por isso não deve fazer falta aos que optarem (ou não tiverem outra opção) pelo 2-D.
Existem muitos motivos que levam uma continuação a ser feita. Durante o verão americano são verdadeiras febres, basta um filme ter feito sucesso moderado pra que as vezes mais dois estejam engatilhados, sem nenhuma preocupação se a história de fato renderia tanto. Muitas vezes, uma boa idéia acaba virando uma trilogia ruim, como em Matrix. ... Leia mais Existem muitos motivos que levam uma continuação a ser feita. Durante o verão americano são verdadeiras febres, basta um filme ter feito sucesso moderado pra que as vezes mais dois estejam engatilhados, sem nenhuma preocupação se a história de fato renderia tanto. Muitas vezes, uma boa idéia acaba virando uma trilogia ruim, como em Matrix. Outras, uma visão diferente de um gênero saturado acaba se tornando mais uma franquia esticada até que pare de dar lucro, como Jogos Mortais. Mas muito de vez em quando aparece um filme como Toy Story 3, que apesar do apelo popular, é feito com grande afeição aos personagens e um bom roteiro.
O primeiro Toy Story foi um marco no cinema em 1995, sendo o primeiro longa feito 100% por computação. Sua continuação veio em 1999, mais de 10 anos atrás, e embora sejam sucessos de bilheteria, não são os mais populares dos filmes da Pixar. Ainda assim, assistindo ao terceiro filme, percebemos que os envolvidos têm uma relação especial com Woody, Buzz, e todos os personagens do quarto do Andy. E é impressionante constatar que os filmes evoluíram muito. O primeiro é divertido, e apresenta os personagens. O segundo fortalece a nossa relação com eles, faz com que nos importemos. O terceiro é o perfeito equilíbrio entre todos os elementos que fizeram de Toy Story um sucesso. Seja pelo valor emocional, as cenas de aventura ou os diálogos sempre inspirados que dão personalidades aos bonecos.
Nesse terceiro filme, Andy está a caminho da faculdade, e os brinquedos estão preocupados com o que acontecerá com eles, se serão levados para o sótão, doados para uma creche infantil ou simplesmente jogados no lixo. É triste constatar que a vida daqueles brinquedos que tanto amamos se resumiu a criar planos que chamem a atenção do seu dono, e que por anos ninguém brincou com eles. O roteiro é muito eficiente em nos fazer importar com o destino dos personagens, em humanizar bonecos, e a fazer entrarmos no mundo de fantasia que eles criam.
Os filmes de Toy Story também sempre foram eficientes ao inserir novos personagens. Alguns dos melhores momentos do segundo filme envolviam Jesse, a cowgirl, que havia sido abandonada por sua dona, ou a Sra Cabeça de Batata, ou os vilões Stinky Pete e o Imperador Zurg. Agora somos mais uma vez envolvidos pelo metrossexual Ken, o ursinho cor de rosa Lotso, o assustador Big Babby, o dramático Mr. Pricklepants, entre tantos outros. Trazem um novo senso de humor, sempre inteligente, surpreendendo em algumas escolhas e conseguindo divertir crianças e adultos.
Também é interessante perceber o quanto nos envolvemos com Andy. Apesar de ser um personagem a princípio secundário, Toy Story é a história dele, e do seu amadurecimento, tanto quanto é a história de Woody, e da constituição de um grupo unido, uma quase família. Andy é parte importante desse grupo, e perceber que ele está crescendo, seguindo em frente, é de partir o coração, embora inevitável.
Pela primeira vez, não coube a John Lasseter a direção do filme. E embora isso possa parecer preocupante, ele ainda é responsável pelo roteiro, e você pode perceber sua influência em toda a produção. Lee Unkrich, que havia editado os filmes anteriores, e já havia dirigido Procurando Nemo e Monstros S.A., ficou responsável em manter a qualidade dos filmes anteriores e se superou no cargo. Muitos filmes de ação poderiam aprender um pouco com Toy Story 3, sobre como coordenar uma sequência de ação sem tremer a câmera e fazer cortes incompreensíveis e, ainda assim, manter a tensão. As cenas no lixão devem manter as crianças grudadas nas cadeiras, e certamente não vão entediar os adultos.
Toy Story 3 é um dos melhores filmes de 2010, uma animação que só consegue ser equiparada por outros filmes da Pixar dentro do mercado americano, ou a obras-primas mundiais como A Viagem de Chihiro, Persépolis e As Bicicletas de Belleville, ficando entre os mais recentes. É muito mais do que uma boa animação. É um grande filme.
Toy Story é uma animação diferente por diversas razões. Para mim, a principal delas é seu caráter extremamente lúdico, que desperta a essência do divertimento e do enorme prazer que é fantasiar uma aventura. Não à toa, quem lidera a turma são dois aventureiros: Woody, vindo diretamente dos seriados e filmes de faroeste dos anos 50 e 60, ... Leia mais Toy Story é uma animação diferente por diversas razões. Para mim, a principal delas é seu caráter extremamente lúdico, que desperta a essência do divertimento e do enorme prazer que é fantasiar uma aventura. Não à toa, quem lidera a turma são dois aventureiros: Woody, vindo diretamente dos seriados e filmes de faroeste dos anos 50 e 60, e Buzz Lightyear, filho de Star Wars e neto de 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Um é o caubói que desbrava a Terra, enquanto o outro conquista o espaço.
Quando Woody, o Sol, e Buzz, a Noite, estão juntos, há um encontro mágico chamado Toy Story. Toy Story 3 não tem aquele mesmo frescor e originalidade do primeiro. Já não há a surpresa dos bonecos falantes e até mesmo um tiranossauro rex medroso, mas uma coisa não se perdeu: o prazer do divertimento que trás, por baixo dos panos, muitas coisas sérias a se pensar. A morte é a principal delas, pois, o que é senão a morte para um brinquedo que fica jogado num baú do sótão?
Nesta terceira aventura, Andy já tem 17 anos e decide levar apenas Woody para a faculdade. O restante da turma (Sr. e Sra. Cabeça de Batata, Tiranossauro Rex, Porquinho, Slinky e Soldado) deve ficar no sótão... mas esse será mesmo o destino?
Se as crianças de 1995 se contentavam com os 16 bits de Mega Drive e Super Nintendo, as de 2010 estão acostumadíssimas ao mundo online e às imagens em altíssima definição. Toy Story 3 sabe disso e este é justamente seu Tendão de Aquiles. Os criadores mergulham o filme no amálgama do espetáculo, explosões, coloridos e uma sequência final com aventuras inacreditavelmente impossíveis. Lindo de se ver, claro, mas Toy Story é um fenômeno primeiramente pela simplicidade e aura artesanal e, depois, pela tecnologia.
À primeira vista, as mentes da Pixar divertem. Porém, há sempre algo mais por trás do cômico. Como a maioria dos filmes americanos pós-11 de setembro, Toy Story 3 não passa incólume aos métodos da administração Bush. Os brinquedos vão parar em uma creche e param nas mãos de crianças vorazes e repletas de energia.
Sunnyside, a creche, é uma verdadeira Guantânamo, com direito à tortura e com um nome que é clara referência ao “dark side” que permitiu ao ex-presidente norte-americano ocupar o Iraque e violar inúmeros Direitos Humanos.
Mas, isso é subtexto voltado para o público que espera Cinema. Como um bom produto de mercado, Toy Story 3 emociona e incorpora elementos pop (sim, Barbie volta, e desta vez ao lado de Ken), ao mesmo tempo que cutuca e diz “olha, sabemos o que aconteceu na última década, viu?”.
A habilidade de arrancar o riso de situações inusitadas e surpreender o espectador com comportamentos estranhos dos personagens não sofreu nenhum arranhão comparados aos filmes anteriores da franquia. Os esquetes ainda continuam poderosos. O que perdeu força foi o conjunto da história e os desfechos dos atos.
Ainda assim, Toy Story 3 nos faz lembrar como tem sido difícil encontrar inovação na indústria de cinema dos EUA. Se todo o blockbuster tivesse o mesmo esforço criativo de John Lasseter, talvez poderíamos voltar 35 anos no passado, quando um filme sofisticado como Tubarão era o maior sucesso de bilheteria.
Quando idealizou Toy Story, o diretor John Lasseter declarou que o filme era baseado em seus brinquedos de infância. A sensação gostosa que sentia ao brincar e viajar com eles, em incríveis e fascinantes aventuras que estimulavam a mente criativa daquele que viria a se tornar o manda chuva da Pixar, o maior centro criativo hoje existente em Hol ... Leia mais Quando idealizou Toy Story, o diretor John Lasseter declarou que o filme era baseado em seus brinquedos de infância. A sensação gostosa que sentia ao brincar e viajar com eles, em incríveis e fascinantes aventuras que estimulavam a mente criativa daquele que viria a se tornar o manda chuva da Pixar, o maior centro criativo hoje existente em Hollywood. Toy Story, acima de tudo, era um filme nostálgico. Não apenas para Lasseter, mas para todos que vivenciaram esta experiência. Todos aqueles que se divertiram com seus brinquedos e sonharam, ingenuamente, que tivessem vida própria.
Foi esta recordação, aliada a personagens carismáticos e uma animação revolucionária - Toy Story foi o pioneiro na animação computadorizada, não se esqueçam -, que fez com que o filme, e toda a série, se tornasse tão querida. Sim, querida. Filmes de sucesso são feitos aos montes, todo ano surgem vários. Aqueles que ficam na memória afetiva são poucos. Woody e Buzz Lightyear são representantes daquilo que fomos, nos fazem lembrar dos bons tempos em que éramos o Andy da história. Desta forma, seu retorno em uma nova aventura é sempre motivo de festa. Mesmo quando o novo filme não demonstra ser tão bom quanto os anteriores.
É o caso de Toy Story 3. Os principais brinquedos de Andy estão presentes, cada qual com sua peculiaridade característica. Há uma enorme leva de novos personagens, a maioria mero coadjuvante. A aventura também está lá, logo de início, com a fantasia de Andy com seus brinquedos. As peripécias de Woody e sua turma também garantem bons momentos e agitação até o fim. Mas, se há tanto neste filme, o que falta? A resposta é: novidade. Toy Story 3 é um filme divertido, mas que durante um bom tempo deixa a sensação de ser apenas mais uma aventura de Woody e Buzz. O que acontece também graças a alguns clichês utilizados no roteiro.
Um deles é o vilão da história, óbvio até demais. Os novos brinquedos dão um visual colorido que agrada aos olhos e atinge em cheio o público mirim. Inclusive este é o grande motivo para tantos novos personagens, já que poucos são realmente utilizados na trama. Entretanto, há também no roteiro um grande achado: Ken. Não exatamente a presença do boneco, e todo o simbolismo que ele e Barbie automaticamente trazem, mas o modo como é encarado diante dos dias atuais. Há uma série de piadas adultas, envolvendo seu comportamento e vestuário, que são deliciosas. Os pequenos talvez não compreendam perfeitamente seu significado, mas os maiores com certeza as reconhecerão.
Só que Toy Story 3 prepara uma surpresa. Na verdade um golpe baixo, um soco no estômago que atinge em cheio outro órgão: o coração. Quando tudo se encaminhava para o desfecho daquele que seria apenas um filme divertido, a Pixar tira outro coelho da cartola e nos faz relembrar o porquê da série existir. Com um final de impressionante sensibilidade e delicadeza, é inevitável lembrar dos seus momentos felizes com aquele brinquedo que tanto adorou. Há uma sintonia, imediata, entre espectador e filme, que faz com que este, assim como os anteriores, também entre na memória afetiva.
O tempo passa, as crianças envelhecem. Os brinquedos também. Os interesses mudam, mas a memória fica. Toy Story poderia permanecer congelado, repetindo aventuras sem considerar o momento dos envolvidos. Seria lucrativo, mas não o faria especial. Portanto, assista e prepare seu lenço. É difícil não se emocionar ao término da sessão.
Toy Story 3
"Incrível"
"Incrível como a Pixar consegue se superar a cada filme, Toy Story 3 tem uma sequência que na minha opinião é a mais emocionante em todos os filmes de animação já feitos, impossível não chorar com esses amigos chamados Woody e Buzz.
Não deixe de passar esse filme para seus filhos, pais e avós. Enfim, para quem você ama de verdade. "