Sonhos Roubados

Sonhos Roubados
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Sinopse

Jéssica, Sabrina e Daiane sonham como jovens de qualquer lugar do mundo. Moradoras de um bairro pobre da periferia do Rio de Janeiro, eventualmente se prostituem para sobreviver e satisfazer seus desejos de consumo. Mas, mesmo nesse quadro de absoluta incerteza e total falta de horizontes, elas tei ... Leia mais 

Jéssica, Sabrina e Daiane sonham como jovens de qualquer lugar do mundo. Moradoras de um bairro pobre da periferia do Rio de Janeiro, eventualmente se prostituem para sobreviver e satisfazer seus desejos de consumo. Mas, mesmo nesse quadro de absoluta incerteza e total falta de horizontes, elas teimam em amar, se divertir e sonhar com um futuro melhor.

Dados técnicos

Gênero Drama
Título Original Sonhos Roubados
Diretor Sandra Werneck
Atores principais Nélson Xavier, Ângelo Antônio, Marieta Severo, Daniel Dantas, Amanda Diniz, Sílvio Guindane, MV Bill, Kika Farias, Nanda Costa
Ano de produção 2009
Duração 85 minutos.
Escritor Eliane Trindade
País Brasil
Avaliação da comunidade
Média da avaliação: 3.39
Avaliação média baseada em 28 pessoas
Avaliação da mídia
Média da avaliação: 3.00
Avaliação média baseada em 2 críticos
Última modificação jev233 (um ano atrás)

Trailer

Imagens

Crítica especializada

Omelete - Érico Borgo (Brasil)

3.00
Bom

Seis anos depois de Cazuza - o Tempo não Pára, a cineasta Sandra Werneck retorna à ficção nas telas com Sonhos Roubados (2009).

Inspirado no livro As Meninas da Esquina – Diários dos Sonhos, Dores e Aventuras de Seis Adolescentes do Brasil, de Eliane Trindade, o filme retoma um assunto já explorado por Werneck em seu documentário Men ... Leia mais Seis anos depois de Cazuza - o Tempo não Pára, a cineasta Sandra Werneck retorna à ficção nas telas com Sonhos Roubados (2009).

Inspirado no livro As Meninas da Esquina – Diários dos Sonhos, Dores e Aventuras de Seis Adolescentes do Brasil, de Eliane Trindade, o filme retoma um assunto já explorado por Werneck em seu documentário Meninas, de 2006: o difícil cotidiano das jovens de comunidades carentes.

A trama acompanha três dessas garotas, amigas inseparáveis de colégio que encontram na prostituição uma maneira de complementar o orçamento doméstico ou alcançar seus sonhos de consumo. A mais "esperta", Jéssica (Nanda Costa), se vira como pode para cuidar do avô Horácio (Nelson Xavier) e sua filha Britney. Já Daiane (Amanda Diniz) vive em busca do afeto de seu pai ausente, Seu Germano (Ângelo Antônio). Pra completar, Sabrina (Kika Farias), carente de afeto e atrás de um futuro melhor, se apaixona por um traficante da comunidade.

Ainda que um tanto previsível - histórias como as das três meninas existem aos montes, basta procurar ouvi-las -, Sonhos Roubados é bastante sensível em sua abordagem. A diretora não depende dos diálogos para mostrar o carinho que nutre pelas suas representativas personagens... ela o demonstra através de cenas sutis. A honestidade está na embalagem de shampoo que divide a profundidade de campo ou na cena em que uma das meninas passa batom usando o bule da pastelaria como espelho.

As protagonistas dividem seu tempo entre problemas adultos precoces e a vontade de ser menina. As histórias cruzadas são fortes tanto separadas como nos momentos em que elas se encontram, trocando confidências. Os diálogos, porém, mereciam um pouco mais de cuidado - são instáveis, problema talvez do excesso de roteiristas (são seis, Paulo Halm, Michelle Franz, Adriana Falcão, José Joffily, Mauricio Dias e a própria Werneck) -, mas nada que a qualidade das atuações não salve.

Daniel Dantas está excelente como o pedófilo Tio Peri, equilibradíssimo entre a ojeriza que o personagem causa e a naturalidade com que ele mesmo parece encarar seu desvio. Marieta Severo, um dos pontos altos de Cazuza, mais uma vez tem destaque em um filme de Werneck, agora como a cabelereira que serve como figura materna e amiga a Daiane. MV Bill, que interpreta um presidiário, só não rouba suas cenas porque todas elas envolvem a promissora Nanda Costa, o grande trunfo de Sonhos Roubados. As histórias de Daiane e Sabrina são interessantes, mas é Daiane, através de Nanda, que queremos ver... a garota arisca e atirada, que "rala muito pra ser gostosa", sabe usar o corpo e não vê qualquer problema em se prostituir. Aliás, sequer acredita que o que faz é prostituição, visão honesta que a diretora parece, de certa maneira, compartilhar, já que o filme - acertadamente - não trata o assunto com qualquer preconceito.

Cineclick - Heitor Augusto (Brasil)

3.00
Bom

Uma boa ambientação garante a Sonhos Roubados, o novo filme de Sandra Werneck, a necessária sensação de veracidade ao construir um relato cinematográfico em forma de crônica. Ali está um Rio de Janeiro distante dos cartões postais da zona sul, com câmeras voltadas à favela – apesar de que os dois mundos conversam, no filme, a partir do ... Leia mais Uma boa ambientação garante a Sonhos Roubados, o novo filme de Sandra Werneck, a necessária sensação de veracidade ao construir um relato cinematográfico em forma de crônica. Ali está um Rio de Janeiro distante dos cartões postais da zona sul, com câmeras voltadas à favela – apesar de que os dois mundos conversam, no filme, a partir dos desejos pequenos burgueses.

O novo filme de Sandra Werneck (Meninas e Cazuza – O Tempo Não Pára) é feliz na escolha das roupas, no uso das cores, os cabelos, nos pequenos gestos, no timbre de voz das atrizes, no tom documental do que está por trás das protagonistas. Mas por que Sonhos Roubados não é retumbante? Penso em duas razões.

Primeiro: porque não questiona, oferece, propõe, desmente ou afirma. Apenas “mostra”. Mais um filme crente de que intervir seria desrespeitar os dramas das protagonistas Jessica (Nanda Costa), Sabrina (Kika Farias) e Daiane (Amanda Diniz) – ficcionais, mas com histórias parecidas com a de muitas outras que dividem a mesma pobreza.

Acompanhamos Jessica tentando criar a filha pequena, Sabrina esperando pelo príncipe encantado enquanto cai no mundo real e Daiane lutando para que o pai lhe dê o amor devido. E? E nada. Mesmo com a amizade entre o trio – esteio da sobrevivência de cada uma –, suas histórias não são particularizadas. São meninas que sobrevivem quando o mundo diz “não”. E só. Óbvio que, em potencial, isso pode significar muito, mas não no caso desse filme.

Segundo: Sonhos Roubados tropeça em muitas lombadas, cenas que um personagem vira caricato ou uma cena tem uma pompa desnecessária. Um exemplo do primeiro caso: Wesley (Guilherme Duarte), o quase príncipe que Sabrina esperava, é o bandido do pedaço. Depois de sumir, aparece de surpresa na casa que montou para a namorada. Desenrola-se ali uma cena extremamente canastrona, com Wesley como um bandidão mequetrefe.

O cara entra na casa, põe a arma na mesa e, segundos depois, banca o machão com a profética “sou eu que mando nessa p...”. Epa! Inspiração no Nuno Leal Maia dos anos 80 ou no James Gandolfini de Família Soprano? Que representação canastrona do bandido!

Ou senão: as meninas vão ao cemitério e, com uma decisão digna de gente grande, transformam um ato sentimental em solene e, de quebra, com os diálogos, fazem uma explicação didática ao espectador.

Nesse caminho, Sonhos Roubados busca a amizade das protagonistas, os pequenos gestos que representem os seus sonhos, a resistência para viver em um mundo hostil a pobres.

E? À exceção da boa atuação de Nanda Costa (méritos que devem ser divididos com a direção de Sandra Werneck), Sonhos Roubados retrata, mas não afirma. Retrato eficiente, diga-se, mas nunca incisivo.

Comentários

ROSELANEA comentou:

Foi de Sandra Werneck!! vejam
ela é genial

um ano atrás ·  Sin votos · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
Média da avaliação

Média da avaliação: 30
Bom
Avaliação da comunidade
Média da avaliação: 3.39
Avaliação média
baseada em 28 pessoas
Avaliação da mídia
Média da avaliação: 3.00
Avaliação média
baseada em 2 críticos

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