Leo (Cauã Reymond) é um jornalista endividado, que faz alguns trabalhos esporádicos, pelos quais não recebe pagamento. Falta-lhe dinheiro para tudo: aluguel, para a esposa anoréxica e viciada, o filho dela, o salário da empregada. Para tentar sanar suas dívidas, ele acaba se envolvendo em gol ... Leia mais
Leo (Cauã Reymond) é um jornalista endividado, que faz alguns trabalhos esporádicos, pelos quais não recebe pagamento. Falta-lhe dinheiro para tudo: aluguel, para a esposa anoréxica e viciada, o filho dela, o salário da empregada. Para tentar sanar suas dívidas, ele acaba se envolvendo em golpes armados por Marcin (Caroline Abras), um ser andrógeno.
| Gênero | Drama |
|---|---|
| Título Original | Se Nada Mais Der Certo |
| Diretor | José Eduardo Belmonte |
| Atores principais | Cauã Reymond, Milhem Cortaz, João Miguel, Leandra Leal, Caroline Abras, Roberta Rodrigues, Murilo Grossi, Tainá Müller, Adriana Lodi, Luiza Mariane, Mariah Teixeira, Justine Otondo, Luisa Micheletti, Eucir de Souza |
| Ano de produção | 2008 |
| Duração | 120 minutos. |
| Escritor | José Eduardo Belmonte |
| País | Brasil |
| Avaliação da comunidade | ![]() Avaliação média baseada em 54 pessoas |
| Avaliação da mídia | ![]() Avaliação média baseada em 2 críticos |
| Última modificação | carla85 (2 anos atrás) |
Tudo mais deu certo
‘Se nada mais der certo’, corra para o cinema para conferir este elogio ao amor de José Eduardo Belmonte. Revelado em “Subterrâneos”, ele lapidou um thriller policial à moda do cinema americano dos anos 1970, fazendo assumida alusão à obra de Sam Peckinpah. Apoiado em um morteiro chamado Cauã Reymond, numa atua ... Leia mais Tudo mais deu certo
‘Se nada mais der certo’, corra para o cinema para conferir este elogio ao amor de José Eduardo Belmonte. Revelado em “Subterrâneos”, ele lapidou um thriller policial à moda do cinema americano dos anos 1970, fazendo assumida alusão à obra de Sam Peckinpah. Apoiado em um morteiro chamado Cauã Reymond, numa atuação dolorida, Belmonte cria um painel tenso da realidade urbana metropolitana, usando uma disputa política em seus bastidores.
Cronista do lado intersticial das selvas urbanas, o cineasta acompanha o mergulho de Leo (Reymond), um jornalista que perdeu seus ideais, no submundo do crime. Em sua entrada no crime, ele será escoltado por um taxista (João Miguel) e pela andrógina Marcin (Caroline Abras, perfeita).
Nesta descida aos infernos, Belmonte desenha uma fauna de perdedores que perseguem a redenção na partilha, no bem-querer e na lealdade — valores cada vez mais ficcionais.
Rodrigo Fonseca (13/08/2009)
Como boa parte dos filmes que tentam se apropriar de certas estruturas narrativas que nasceram da Nouvelle Vague, Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte, pode conquistar o cérebro dos espectadores sem lhes sensibilizar o coração. O filme fascina pelo retrato da existência patética dos fracassados numa sociedade em que só os vencedo ... Leia mais Como boa parte dos filmes que tentam se apropriar de certas estruturas narrativas que nasceram da Nouvelle Vague, Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte, pode conquistar o cérebro dos espectadores sem lhes sensibilizar o coração. O filme fascina pelo retrato da existência patética dos fracassados numa sociedade em que só os vencedores são aceitos, e pela exuberância de sua edição em saltos, não linear. Mas nem uma coisa nem outra é capaz de fazer com que aquelas personagens se tornem importantes para nós, ou para transformar nossa visão daquela mesma sociedade.
Aquele fascínio, contudo, pode ser suficiente para os que apreciam o cinema por suas possibilidades como comunicação e arte. Se nada mais der certo é instigante na maneira como lida com a edição. O espectador que busca a consciência a respeito de linguagens vai sair do cinema com a impressão de que as sequências do filme poderiam ser montadas de infinitas outras maneiras, sem que diminuísse nem o que compreendemos dele, nem o que deixou obscuro. É como se não houvesse começo, meio e fim, como se qualquer daquelas cenas pudesse ser o início das provações de seus heróis, como se eles estivessem perdidos no tempo e no espaço, como as personagens da clássica peça Esperando Godot, de Samuel Beckett.
Marcello Castilho Avellar - EM Cultura
Se Nada Mais Der Certo é o quarto longa-metragem de José Eduardo Belmonte, que, aos 39 anos, imprime visíveis marcas na cinematografia brasileira. Seus dois primeiros filmes - Subterrâneos (2003) e A Concepção (2005) – foram rodados em Brasília; em 2007, voltou à cidade de São Paulo no independente Meu Mundo em Perigo para, com Se Nada M ... Leia mais Se Nada Mais Der Certo é o quarto longa-metragem de José Eduardo Belmonte, que, aos 39 anos, imprime visíveis marcas na cinematografia brasileira. Seus dois primeiros filmes - Subterrâneos (2003) e A Concepção (2005) – foram rodados em Brasília; em 2007, voltou à cidade de São Paulo no independente Meu Mundo em Perigo para, com Se Nada Mais Der Certo , manter-se na mesma cidade, uma escolha geográfica que mostra-se claramente refletida na tela não somente pelas ambientações, mas também na definição dos próprios personagens. Em especial na obra de Belmonte, a questão do local é de extrema importância, já que ele desenvolve tramas que só poderiam ocorrer onde ele filma, o que ele já mostra em seu primeiro filme: Subterrâneos se passa no Conic, centro comercial localizado no centro de Brasília que reúne escritórios comerciais, igrejas, bares, puteiros e lojas de camisetas legais, de uma forma que somente quem vai lá e quem assistiu ao primeiro filme de Belmonte consegue ter ideia, mas jamais entender. Neste quatro trabalho em longa-metragem, os painéis de neon da rua Augusta ajudam a dar o tom às relações afetivas nutridas entre os personagens do longa. Leo (Cauã Reymond) é um jornalista que sobrevive em São Paulo sem ter muito sucesso. A profissão é difícil, sabemos, e a cidade grande é capaz de devorar quem não está apto a viver nela. Em sua casa, vivem a empregada (que evidentemente não recebe salários há meses, mas continua lá para ter onde dormir), uma jovem que sofre de bulimia (Luiza Mariane) e seu filho pequeno – cuja relação com o protagonista não fica muito bem definida. O envolvimento com Marcin (Caroline Abras) leva Leo a participar de golpes e negócios ilícitos a fim de melhorar suas condições de vida, que nunca dão certo, afinal. Em comparação a A Concepção , longa anterior de Belmonte que conseguiu chegar ao mercado comercial, Se Nada Mais Der Certo tem uma certa leveza, embora seus personagens transitem em situações complicadas, pesadas. O filme de 2005 passa uma urgência violenta, provocativa, enquanto este traz a delicadeza das relações afetivas. As imagens de Se Nada Mais Der Certo trabalham muito com o foco e a falta dele. Os personagens são encarados pela câmera de perto. Aliás, o filme não tem medo de encarar seus personagens de forma íntima, relação desempenhada pela proximidade das lentes de Belmonte. Com belas atuações, uma trama densa, desenvolvida de modo intenso, o filme é uma crônica de pessoas perdidas na cidade de São Paulo, esmagadas pela grandiosidade da grande metrópole.


Carregando...