É tão difícil uma comédia usar da facilidade para agradar à maior parcela do grande público que, quando o faz, torna-se memorável. Surgem aí possibilidades de continuações que provavelmente não atingirão o mesmo nível do longa original, nem alcançarão o seu sucesso. Por enquanto, esses são os únicos riscos de Se Beber, Não Case, q ... Leia mais É tão difícil uma comédia usar da facilidade para agradar à maior parcela do grande público que, quando o faz, torna-se memorável. Surgem aí possibilidades de continuações que provavelmente não atingirão o mesmo nível do longa original, nem alcançarão o seu sucesso. Por enquanto, esses são os únicos riscos de Se Beber, Não Case, que estreia no Brasil amanhã, depois de uma surpreendente campanha nos Estados Unidos que lhe rendeu quase 300 milhões de dólares em bilheteria somente lá.
The Hangover (título original que pode ser traduzido como “A Ressaca”) possui uma sinopse que, reduzida, não é das mais atrativas, tampouco originais. Um grupo de amigos viaja para Las Vegas para a despedida de solteiro de um deles. Juntos, pretendem gastar e reaver rios de dinheiro em jogos, clubes e mulheres. Nesta empreitada, envolvem-se em inúmeros problemas que são o motivo da comédia. Fruto do contexto subestimado, surge uma comédia com piadas objetivas, claras, fáceis e não por isso ruins. Se Beber, Não Case vale-se do elemento surpresa e causa o riso com tanto preparo para tal que, em raros momentos em que não tenta ser engraçado, o é.
O trunfo do longa está no tratamento das situações não pelo roteiro, mas pelos próprios personagens. A trama não está preocupada em narrar as peripécias do grupo de quatro amigos pela jogatina e avenidas iluminadas da cidade dos jogos de azar. O alvo é bem diferente. Por um “engano”, Phil, Stu e Alan não se lembram de absolutamente nada do que ocorrera na última noite e não fazem a mais vaga ideia de onde está o noivo Doug, que deve estar no altar em um espaço de tempo relativamente curto. Os fatos vividos são omitidos e, aos poucos, vão sendo revelados ao público e aos três amigos desesperados. Phil, um professor de ensino fundamental canastrão, acredita fielmente que ao fim o resultado será positivo. Alan, um adulto com mentalidade de criança, verdadeiramente não sabe o que opinar e Stu, o politicamente correto, já acredita na morte do pobre amigo.
O bom humor, ora presente em resultados assustadores dos atos e escolhas dos amigos, ora por comentários do divertidíssimo Alan, de cara cai no gosto da plateia. As opções do roteiro são as mais estapafúrdias possíveis e, por incrível que pareça, não tão absurdas – salvo uma ou outra atitude durante a bebedeira que fora apagada da memória. O que resulta em sessões de riso que se estendem por longos minutos, frutos do choque, do absurdo e, às vezes, de uma escolha singela da direção de Todd Phillips. O que se alia sem nenhum espaço para questionamentos a escolha do elenco.
Se Bradley Cooper é o canal que passa por fora da veia cômica, preocupando-se mais com a postura incorreta de seu personagem (Phil), e Justin Bartha é o mais próximo do equilibrado ao viver Doug (que tem uma soma de minutos, obviamente, inferior aos demais na tela), Zach Galifianakis e Ed Helms como o impagável Alan e o tímido Stu, respectivamente, são o gatilho. O despreparo de Alan para o mundo adulto e real é uma fonte de comentários e dúvidas que, por mais que se entenda sua situação, não há caminho para se fugir e não achar engraçado, e isso toma proporções ainda maiores pela contraditória imagem serena de Galifianakis na tela. Ao passo que Helms, em posse do personagem mais contido, protagoniza as melhores caras e bocas que destoariam de Stu se não fossem as descobertas de suas ações na obscura noite anterior.
Com uma narração corrida, o roteiro consegue, apesar dos atropelos, encontrar respostas e explicações plausíveis para cada extravagância citada na história. E, apesar de não ter preferido optar por um caminho tão surpreendente para se chegar ao fim quanto a fórmula da comédia em si, encerra com resoluções de última hora com cabimento e ainda se reserva ao direito de continuar com os jogos cômicos nos créditos finais.
Arthur Melo
Uma ressaca daquelas
‘Se beber, não case’. Já vimos várias comédias sobre turmas que decidem enlouquecer num final de semana em Las Vegas. A melhor delas, até então, foi “Curtindo a noite” (“Swingers”, aqui, direto para vídeo). Mas, eis que surge “The hangover” (no original), com produção barata e elenco desconhecido, qu ... Leia mais Uma ressaca daquelas
‘Se beber, não case’. Já vimos várias comédias sobre turmas que decidem enlouquecer num final de semana em Las Vegas. A melhor delas, até então, foi “Curtindo a noite” (“Swingers”, aqui, direto para vídeo). Mas, eis que surge “The hangover” (no original), com produção barata e elenco desconhecido, que foi uma das maiores bilheterias do verão americano.
Como? Basta ser honesto, trazer uma boa história e ter um elenco que vista a camisa. O filme mostra um grupo que vai fazer a tradicional festa de despedida de solteiro na Disney dos adultos e, após uma noitada regada a muita bebida e algumas drogas pesadas, acorda numa ressaca fenomenal, sem saber o que aconteceu. E o que aconteceu é melhor realmente nem querer saber.
Com humor nada politicamente correto e linguagem adulta, passa longe de bobagens adolescentes e só peca por ter um final algo careta. Mas, como vem uma continuação por aí, isso pode mudar...
Tom Leão (21/08/2009)
Divertidíssimo filme politicamente incorreto que engrossa a lista de belas comédias lançadas por Hollywood nos últimos anos.
Não me recordo, nas últimas duas décadas, de um momento tão produtivo para a comédia comercial norte-americana quanto o atual. Após o lançamento de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos, quando dois dos p ... Leia mais Divertidíssimo filme politicamente incorreto que engrossa a lista de belas comédias lançadas por Hollywood nos últimos anos.
Não me recordo, nas últimas duas décadas, de um momento tão produtivo para a comédia comercial norte-americana quanto o atual. Após o lançamento de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos, quando dois dos principais cômicos da nova geração, Steve Carell e Seth Rogen, finalmente estouraram para o grande público junto daquele que é conhecido como o clã Apatow, Hollywood vem emplacando uma série de belos filmes cômicos que parece não ter mais fim. Superbad - É Hoje, Trovão Tropical, Queime Depois de Ler e Segurando as Pontas são alguns exemplos de filmes que teriam presença garantida em qualquer compilação de melhores trabalhos contemporâneos do gênero, lista que ganha um novo integrante com o lançamento deste novo filme de Todd Phillips.
Phillips passou os anos 2000 inteiros fazendo comédias, mas nenhuma com força cômica suficiente para transgredir seu pesadíssimo estilo narrativo. Se Caindo na Estrada e Dias Incríveis realmente possuíam alguns bons momentos de inspiração, o timing cômico do diretor terminava por frear a dinâmica dos filmes e provocar aquela habitual sensação de chateação transmitida por grande parte das comédias ruins – que assim como em todo gênero são lançadas aos montes, obviamente. Já ao final da década, porém, Phillips faria deste The Hangover (a tradução nacional é de cortar os pulsos e pedir por álcool) sua redenção, bem como a surpresa da temporada de verão dos cinemas norte-americanos, mantendo-se por duas semanas no topo das bilheterias.
E não é que o filme merece mesmo todo o alarde? Assim como seus trabalhos anteriores, The Hangover é besteirol puro; uma espécie de Cara, Cadê Meu Carro? com temática adulta em Las Vegas – mas com uma habilidade em conectar piadas e potencializar de maneira sempre surpreendente a bola de neve em que os personagens se inserem jamais vista em sua carreira. O ponto de partida é a despedida de solteiro de um dos três integrantes de um grupo fechado de amigos, que decide partir junto deles para a “cidade do pecado” a fim de aproveitar a noite derradeira de sua vida de solteiro. Juntam-se aos três o irmão da noiva, um daqueles personagens que precisam existir em qualquer filme de humor (o gordinho bobão e desajustado), e a Mercedes de extimação do sogrão, e a bagunça está armada.
Se Beber, Não Case começa ganhando pontos justamente pela forma como aborda esta premissa pouco inventiva: ao invés da bebedeira e da farra da noitada, o filme se concentra, como já antecipa o título, na ressaca do dia seguinte. A introdução da problemática é uma das dezenas de grandes sacadas: depois de um brinde no telhado do Caesar’s Palace, hotel onde se instalam, a câmera arremessa o foco dos atores para a cidade, cheia de luzes e neóns. No plano seguinte, estamos de volta à suíte do hotel, plenamente bagunçada, com resquícios de festa por todos os lados, dois dos personagens dormindo ao chão, uma galinha, um tigre e até mesmo um bebê dentro do armário.
Depois de se sentirem estranhos o suficiente com a situação e darem conta de que não lembram de absolutamente nada da noite anterior, os amigos do noivo descobrem ainda que o próprio anfitrião da festa sumiu. É a partir desta bizarra coleção de objetos misteriosos que o grupo precisa investigar o que realmente aconteceu durante a festa, para encontrar o noivo a tempo de não arruinar casamento. Procurando conectar uma pista a outra, aos poucos eles vão preenchendo lacunas e recebendo novas evidencias de seu roteiro da noite passada, e da mesma forma como no supracitado Cara, Cadê Meu Carro?, porém, logicamente, com um humor muito menos zoado e mais próximo à comédia de costumes, vão encontrando tipos bizarros e entrando em novas confusões.
Phillips chega em The Hangover ao limite do humor politicamente incorreto – o que em alguns momentos chega a ser surpreendente num filme de tamanho sucesso comercial nos dias de hoje, já que a censura e o falso moralismo estão mais do que nunca em evidência. Há uma variada paleta de piadas que poderiam tranquilamente ser motivo de birra para quem assiste a comédias com olhares mais conservadores: mulheres, negros, homossexuais, enfim, há um grande desfile de estereótipos sendo desenvolvidos e trabalhados em prol do humor, mas a maneira como Phillips conecta todas estas situações e a inventividade de grande parte das cenas deveria ser motivo suficiente para deixar de lado estes preconceitos (afinal, não deixa de ser um) e se divertir com a jornada inusitada na qual mergulham os personagens.
Jornada que, como diversas outras comédias atuais, tem em seu cerne um verdadeiro discurso de adoração à amizade e a este conceito de buddies, de melhores amigos, o que faz deste filme, assim como outros citados anteriormente (evidente que neste sentido Superbad continua sendo o filme a ser batido já que, acima de tudo, é um dos mais sinceros filmes sobre amizade de que eu me recordo), um riquíssimo material para ser visto em grupo, em reuniões de amigos. Não que sem este discurso The Hangover não fosse um filme ideal para ver numa noite de curtição, afinal, um filme que traz ninguém mais ninguém menos que Mike Tyson cantando Phil Collins antes de sentar a porrada nos homens que seqüestraram seu tigre de estimação enquanto invadiam sua mansão chapados durante a madrugada só pode ser o filme perfeito para este tipo de situação.
Por Daniel Dalpizzolo
20/08/2009
Todd Phillips tenta estabelecer seu nome dentro da nova comédia americana, mas sempre bate na trave. É um diretor com problemas sérios com o ritmo das sequências e isso prejudica muito o tempo do humor em seus filmes. O mais novo exemplo é Se Beber, Não Case , a ressaca de uma despedida de solteiro vivida por quatro amigos em Las Vegas. Você ... Leia mais Todd Phillips tenta estabelecer seu nome dentro da nova comédia americana, mas sempre bate na trave. É um diretor com problemas sérios com o ritmo das sequências e isso prejudica muito o tempo do humor em seus filmes. O mais novo exemplo é Se Beber, Não Case , a ressaca de uma despedida de solteiro vivida por quatro amigos em Las Vegas. Você sabe: o que acontece em Vegas, fica em Vegas , frase clássica dos norte-americanos, repetida pelo pai moderninho da noiva. Um pai que parece apoiar a farra do futuro genro, antítese de Spencer Tracy em O Pai da Noiva , de Vincente Minnelli. O acerto foi fazer com que tudo que eles tenham feito enquanto altamente chapados seja descoberto pelo público ao mesmo tempo que eles descobrem. Como a droga que tomaram faz com que esqueçam as besteiras feitas, desde casar com uma stripper até roubar o tigre de Mike Tyson (sim, é ele mesmo, numa participação que é o ponto alto do filme), eles acordam com sequelas das mais esquisitas, e precisam descobrir onde o noivo - justo ele - foi parar. A dificuldade em administrar o ritmo faz com que o filme se perca em algumas das piadas, ainda que dê para se perceber que Phillips tem consciência desse problema e faz o possível para atenuá-lo. Na trama, existe superação - o exemplo mais claro é o do nerd que consegue, finalmente, responder à altura para sua mulher -, leves críticas ao departamento de polícia de Nevada (Estado onde fica Las Vegas) e zoeiras com minorias (Black Doug, o chinês efeminado). No geral, é inferior ao Escola de Idiotas , que Phillips dirigiu em 2006. O alento é que dá para perceber uma evolução na intenção de criar uma dramaturgia, ainda que essa evolução seja muito tímida. Dá para rir também, mas não muito. Se o propósito for esse, melhor escolher outro filme.
Se Beber Não Case
"Incrível"
"Deveriamos nos unir e matar quem dá nomes aos filmes no Brasil... Hangover, seria A Ressaca! Vamos ser honestos esse título combina muito mais. "