Baseado na famosa franquia de videogame, Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo chega nesta sexta-feira aos cinemas brasileiros. Com grandes nomes no elenco, como Jake Gyllenhaal, Alfred Molina e Bem Kingsley, o título de aventura e ação da Disney deixa um pouco a desejar – e a culpa, desta vez, é do roteiro.
Apesar de Príncipe da P ... Leia mais Baseado na famosa franquia de videogame, Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo chega nesta sexta-feira aos cinemas brasileiros. Com grandes nomes no elenco, como Jake Gyllenhaal, Alfred Molina e Bem Kingsley, o título de aventura e ação da Disney deixa um pouco a desejar – e a culpa, desta vez, é do roteiro.
Apesar de Príncipe da Pérsia ser uma boa diversão, está longe de ser um épico. E as falhas já vem dos rostos em cena. Gyllenhaal não está muito convincente no papel, sendo ofuscado pelo elenco de apoio e, principalmente, por Gemma Arterton no papel de Tamina. A atuação de Gemma como a princesa protetora da adaga, que contém as areias do tempo, é a melhor do filme, superando em muito a de Gyllenhaal no papel de príncipe Dastan. Um pecado, por acabar desviando a atenção para si até quando Dastan deveria ser hegemônico na tela.
O roteiro é relativamente corrido e fraca. Sem reservar muito tempo para a apresentação dos personagens, termina por deixar as esperanças em cima de um elenco que não os sustenta. Para não ser posta como vaga, a história apenas pincela uma pequena origem de como Dastan se tornou membro da família real e discorre sobre a personalidade de seus dois irmãos. Mas,no geral, a trama se concentra em Dastan e na princesa, sem deixar tanto espaço para o rei da Pérsia, pai de Dastan, e seus herdeiros. Quando encontra alguma brecha para evoluir e passar algum conteúdo válido, opta por dar destaque à princesa Tamina, que tem seus princípios bem definidos e sua personalidade bem exposta no filme, mostrando mais desenvolvimento em relação aos outros personagens.
Sem profundidade, Jeffrey Nachmanoff assina um roteiro com um enredo simples que apenas prepara o palco para a ação que se desenrola no filme. Em compensação, em matéria de efeitos visuais, o filme não deixa tanto a desejar – o efeito das areias do tempo é impressionante -, embora o título também não conte com cenários muito fascinantes. As cenas de ação, no entanto, são de boa qualidade, com um enquadramento bem escolhido e surpreendentemente divertidas, levando Jake Gyllenhaalàá constantes lutas contra os guardas persas e os horrendos assassinos que estão caçando sua pele e a da princesa durante praticamente toda projeção.
Príncipe da Pérsia é uma boa escolha para uma tarde de diversão no cinema. Mas não é um título memorável dentro das aventuras Disney como o primeiro Piratas do Caribe, por exemplo. E nem entremos no mérito da originalidade ou qualquer profundidade, nesta comparação.
As adaptações de videogames para o cinema sofrem do mesmo mal que acometeu (e eventualmente ainda acomete) os filmes de histórias em quadrinhos: direcionamento equivocado de profissionais que não conhecem o material-base suficientemente bem para entendê-lo e extrair dele seus pontos mais fortes e mitologia. O que Hollywood enxerga ao licenciar ... Leia mais As adaptações de videogames para o cinema sofrem do mesmo mal que acometeu (e eventualmente ainda acomete) os filmes de histórias em quadrinhos: direcionamento equivocado de profissionais que não conhecem o material-base suficientemente bem para entendê-lo e extrair dele seus pontos mais fortes e mitologia. O que Hollywood enxerga ao licenciar esses produtos é apenas a base de fãs estabelecida, personagens e cenários prontos e o valor da marca.
Felizmente, depois que séries excelentes nos games geraram filmes medíocres e sem grande expressão em bilheteria, as coisas começaram a mudar. Paralelamente, editoras, distribuidoras e desenvolvedoras de games começaram a ficar tão grandes, ou maiores, que alguns estúdios de cinema. O resultado são negociações muito mais cuidadosas de marcas como Prince of Persia, que está chegando aos cinemas com o "pedigree" da Walt Disney Pictures, através da empresa de Jerry Bruckheimer e com o criador Jordan Mechner a bordo do projeto. A intenção era transformar a aventura egressa dos jogos eletrônicos no novo Piratas do Caribe, a mais lucrativa série cinematográfica do superprodutor e estúdio.
O resultado, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (Prince of Persia: The Sands of Time), não esconde esses esforços. É tudo superlativo, épico, grandioso... os efeitos especiais e os valores de produção - a direção de fotografia de John Seale é primorosa! - são de primeira, exatamente o esperado de um orçamento de 200 milhões de dólares. Mais do que isso, ao entregar a direção a Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo, Amor nos Tempos do Cólera) os produtores já haviam de certa forma deixado claro seu interesse em fazer algo que fosse além do "blockbuster da semana", pela linha menos pirotécnica e mais romântica do cineasta.
A história segue ideias do game homônimo de 2003. Nela, Nizam (Ben Kingsley) arma o assassinato de seu irmão, Shahrman, o soberano de Pérsia, e bota a culpa no príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal) para poder assumir o trono. Banido, Dastan tem que relutantemente juntar forças com uma bela e misteriosa princesa Tamina (Gemma Arterton) para guardar uma adaga ancestral capaz de conjurar as areias do tempo - um presente dos deuses que pode fazer voltar o tempo e dar ao seu mestre o controle do mundo.
A trama aventuresca é feliz ao adaptar para as telonas algumas das maiores qualidades da série de games. Desde o primeiro Prince of Persia (1989), a movimentação fluida do protagonista, as armadilhas e quebra-cabeças são elementos consagrados desses games. No filme, Dastan move-se como sua contraparte digital e conta com o auxílio de técnicas de parkour para ricochetear e macaquear através dos telhados e paredes das cidades persas. Há também algumas sequências em que o príncipe precisa usar seu raciocínio rápido e habilidades para resolver urgências - como o momento em que derruba um caldeirão de óleo para impedir que o exército inimigo avance sobre o do seu irmão. Para os fãs dos games e o público em geral, tratam-se de cenas agradáveis de acompanhar, ricas em detalhes e aventura.
O grande problema do filme é a escolha do protagonista. Para viver o persa Dastan foi contratado o angelino Jake Gyllenhaal (O Segredo de Brokeback Mountain, Zodíaco). Gyllenhaal se esforça, mas tem uma certa fragilidade lânguida no olhar que não convence muito como herói de ação. Ele quer ser o Ladrão de Bagdá de Douglas Fairbanks, mas fica mais para o Sheik de Rodolfo Valentino. Ou seja, a personagem de Gemma Arterton parece mais durona que Dastan e seus músculos torneados...
A produção se descontrola ainda no último ato, que se arrasta demais e não sabe como resolver direito os poderes da adaga do tempo. Todo o desfecho é atropelado e a ideia do retorno ao passado (o rebobinamento do filme) fica jogada sem muita lógica. Afinal, se o artefato é tão poderoso e Dastan era contra a invasão da cidade sagrada por que não o segurou mais alguns instantes para impedir o derramamento de sangue?
É curiosa também - e um tanto desnecessária - a metáfora com a Guerra do Iraque que o longa apresenta no começo. O irmão de Dastan invade uma cidade sagrada em busca de armas que, mais tarde, descobrimos não existir. A produção faz assim um mea culpa Era Obama visando agradar as audiências internacionais. Ao mesmo tempo segue com a eterna solução de colocar caucasianos para viver etnias diversas (todos os persas são vividos por norte-americanos ou ingleses e para dar um ar "exótico" à produção falam com uma inexplicável ponta de sotaque britânico). Não dava pra ficar mais bipolar que isso... mas ao menos é um bipolar bonito e cheio de ação.
Qual cético a filmes adaptados de games já não confirmou sua frustração a cada produção lançada? Que tal Street Fighter – A Última Batalha, Super Mario Bros. ou Alone in the Dark? Longas como Terror em Silent Hill ou Mortal Kombat são exceções com resultados razoáveis.
Pode-se acrescentar mais um filme à lista de boas exceções. ... Leia mais Qual cético a filmes adaptados de games já não confirmou sua frustração a cada produção lançada? Que tal Street Fighter – A Última Batalha, Super Mario Bros. ou Alone in the Dark? Longas como Terror em Silent Hill ou Mortal Kombat são exceções com resultados razoáveis.
Pode-se acrescentar mais um filme à lista de boas exceções. Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo utiliza todos os clichês para se construir como um filme de aventura decente para quem enxerga cinema como diversão. O que é mais obrigação do que mérito para quem tem um produtor como Jerry Bruckheimer, uma estrela em ascensão como Jake Gyllenhaal e um simpático orçamento de US$ 200 milhões, ajuda no resultado de um filme.
Essa combinação entre produtor-dinheiro-ator domina a estrutura do filme. Primeiro, porque Bruckheimer (o senhor Piratas do Caribe) é uma máquina de fazer dinheiro sabe que o público reage bem quando uma pitada de romance é adicionada ao herói. O dinheiro permite contratar uma equipe eficiente para executar ótimos efeitos especiais (gente que trabalhou em A Bússola de Ouro a O Lobisomem), investir em boas locações e caprichar na direção de arte. Já a presença de um ator acostumado a filmes menores liderando um potencial blockbuster contribui para que as cenas dramáticas não sejam risíveis.
Na trama de Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, Jake Gyllenhaal é Dastan, um príncipe adotivo que lidera a ocupação do reino sagrado de Alamut sob a alegação de que ali estavam escondidas armas destrutivas. Ele conhece a princesa Tamina (Gemma Artenton), que lhe revela a existência de uma adaga que permite viajar pelo tempo. O que Dastan não sabia é que, por trás da busca pelas armas de destruição, há muitos outros mistérios a serem revelados.
O filme entrega o que o público fiel a esse tipo de aventura aguarda: perseguições e lutas bem filmadas, tiradas cômicas, efeitos especiais, romance. O público sai feliz porque viu o que esperava e a produção sai mais feliz ainda, comemorando a bilheteria.
O que talvez o público não esteja esperando é o subtexto político. A Alamut do filme é uma metáfora do Iraque. Tus, um dos príncipes, é George W. Bush filho, enquanto o Rei Sharaman é George W. Bush pai. As “armas perigosas” são como espelho das “armas de destruição em massa” que justificaram a destruição iraquiana. A adaga, o grande tesouro que procuram, tem como paralelo o petróleo do Oriente Médio. Os Hassansin encontram respaldo nos mercenários da guerra.
Hollywood já não pode ignorar o efeito Iraque, mas tampouco ousa contestar a indústria bélica (tanto que o filme traz a pérola “nós somos os conquistadores e os salvadores”). À exceção dessa simplificação do texto político, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo promete um bom produto e o entrega.
Ah, as adaptações de games... Quando vamos aprender, afinal? Do filme que matou Raul Julia até Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, passando pelos atentados contra Alone in The Dark e Resident Evil, o cinema parece não ter se mostrado capaz, até agora, de transportar o universo do game à tela do cinema. Talvez porque nenhum projeto até ... Leia mais Ah, as adaptações de games... Quando vamos aprender, afinal? Do filme que matou Raul Julia até Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo, passando pelos atentados contra Alone in The Dark e Resident Evil, o cinema parece não ter se mostrado capaz, até agora, de transportar o universo do game à tela do cinema. Talvez porque nenhum projeto até hoje tenha caído em mãos realmente talentosas, mas acima de tudo, porque os games têm uma vantagem (ou uma “diferença”, simplesmente) que está muito longe do alcance - e do conceito - do cinema: a interação. Por isso só mesmo um gênio reproduziria com uma câmera o que você e eu já conseguimos com um simples joystick em Silent Hill. Às vezes os objetivos até podem ser os mesmos (como no caso do filme de Christophe Gans), mas os recursos são diferentes; quase opostos.
O filme de Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo), da Disney e de Jerry Bruckheimer, estréia em 2010 com a meta de se tornar para esta década o que a série Piratas do Caribe foi para os anos 00, uma trilogia de aventura que identifique uma geração. E vai falhar lindamente.
Príncipe da Pérsia é um extraordinário desastre de ritmo. Mesmo apesar de se atropelar todo, de apresentar a introdução como se fosse um teaser e dispensar apresentações de personagens como se já os conhecêssemos desde sempre (o que deixa aquela impressão de se entrar no cinema já com as luzes apagadas), leva intermináveis 30 minutos para o filme engrenar na trama primária (aquela que vira sinopse de dvd). Newell não tem idéia de como pontuar os twists previstos no roteiro e o filme inteiro passa como se nada de relevante tivesse acontecido. Cada revelação importante e cada personagem que morre parecem na verdade obstáculos entre um princípio torto e um final que mal se contém em chegar de uma vez (embora leve uma eternidade).
Pegando o game como referência, o melhor de Prince of Persia é a jogabilidade. Fazer coisas impossíveis, voar, caminhar nas paredes e dar um duplo carpado antes de dilacerar um inimigo, voltar no tempo, e dilacerá-lo de novo. Como todos quando moleques ficamos ansiosos para ver os poderes do Sub-Zero e do Scorpion em Mortal Kombat - O Filme, parte da responsabilidade de um filme baseado em game é transpor ao menos a sensação original para a grande tela. Mas como Mike Newell não sabe filmar a ação, é conveniente estilhaçar cada seqüência em centenas de pedaços e jogá-los quase que aleatoriamente numa centrífuga para que o espectador deduza estar vendo algo que aparente ser melhor do que de fato veria se conseguisse, afinal, ver alguma coisa. É como tentar ler em outro alfabeto. Newell tenta vender uma energia e um vigor através da ação que simplesmente não é capaz de oferecer, não tendo outra escolha senão maquiar o que na verdade foi desde sempre uma cena mal coreografada e mal captada.
Outros problemas são especialmente irritantes, pelo nível e pela recorrência. Sabe-se por exemplo que não se traduz verbalmente uma informação que acabou de ser transmitida em imagens. Toda redundância, quando intencional, soa como uma ofensa grave à inteligência do espectador, que sai de uma sessão de Príncipe da Pérsia destratado até a 5ª geração. É incrível, acontece o tempo todo. Há momentos, inclusive, em que os diálogos entre Tamina e Dastan são teleportados ao nível de narração em off e empossados de um tom didático de tele aula onde se explica incansavelmente o que, afinal, acabou de acontecer.
Seria preciso nascer de novo - e de pais diferentes - para que Príncipe da Pérsia se tornasse ao menos um bom entretenimento. Supõe-se engraçado, divertido, bonito, romântico; supõe-se grande o suficiente para ser a primeira franquia bilionária da década, e é apenas mais um dos vários títulos que ficam melhores quando em polígonos, em plataformas, em 8, 16 e 32-bit.
Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo
"Incrível"
"História legal, porém previsível, antes de começar já sabia tudo que ia acontecer no filme, apenas algumas supresas."