O jovem rancheiro Dan Evans (Christian Bale) é escolhido pelo xerife para escoltar perigoso líder de uma gangue, Ben Wade (Russell Crowe), até o tribunal de Yuma, no Colorado, numa longa viagem de trem. Mas, ao chegar lá, o rapaz é surpreendido pelo bando do criminoso disposto a tudo para liber ... Leia mais
O jovem rancheiro Dan Evans (Christian Bale) é escolhido pelo xerife para escoltar perigoso líder de uma gangue, Ben Wade (Russell Crowe), até o tribunal de Yuma, no Colorado, numa longa viagem de trem. Mas, ao chegar lá, o rapaz é surpreendido pelo bando do criminoso disposto a tudo para libertá-lo.
| Gênero | Ação, Policial, Drama |
|---|---|
| Título Original | 3:10 to Yuma |
| Diretor | James Mangold |
| Atores principais | Russell Crowe, Christian Bale, Ben Foster, Peter Fonda, Vinessa Shaw, Luce Rains, Dallas Roberts, Gretchen Mol, Logan Lerman, Alan Tudyk |
| Ano de produção | 2007 |
| Duração | 122 minutos. |
| Escritor | Elmore Leonard, Michael Brandt |
| Música | Marco Beltrami |
| País | Estados Unidos da América |
| Avaliação da comunidade | ![]() Avaliação média baseada em 447 pessoas |
| Avaliação da mídia | ![]() Avaliação média baseada em 3 críticos |
| Última modificação | Bernabé.Quiroga (8 meses atrás) |
Um autêntico western que dignifica um gênero esquecido com o tempo. Simplesmente imperdível!
A história de "Os Indomáveis" (releitura de "Galante e Sanguinário", dirigido por Delmer Daves em 1957, o qual não tive a oportunidade de ver) é simples: Ben Wade (Russell Crowe) é um destemido líder de uma gangue que é capturado após um assa ... Leia mais Um autêntico western que dignifica um gênero esquecido com o tempo. Simplesmente imperdível!
A história de "Os Indomáveis" (releitura de "Galante e Sanguinário", dirigido por Delmer Daves em 1957, o qual não tive a oportunidade de ver) é simples: Ben Wade (Russell Crowe) é um destemido líder de uma gangue que é capturado após um assalto. Dan Evans (Christian Bale), um jovem rancheiro falido e debilitado da perna, resolve acompanhar - em troca de uma quantia em dinheiro suficiente para salvar seu rancho de ser tomado pelas dívidas - a escolta ao assaltante até o trem para Yuma, onde será julgado. Contudo, o bando de Wade, liderado por Charlie Prince (Ben Foster), está no rastro de seu chefe, a fim de libertá-lo. A partir daí, muitos incidentes surgirão.
Em meados dos anos 1960, o período de decadência do faroeste teve início. Vários fatores convergiram para a queda do bangue-bangue - o avanço das tecnologias, a mudança radical nas práticas consumidoras dos jovens, enfim -, mas falar sobre isso agora não é meu objetivo. O fato é que desde "Os Imperdoáveis" (1992), de Clint Eastwood, que um filme não consegue proporcionar aos saudosistas uma aventura à altura dos gloriosos clássicos do gênero quanto este "Os Indomáveis".
E isso começa a se concretizar logo nas primeiras cenas, nas quais somos apresentados a Dan Evans, um pai de família dedicado que, mesmo sendo humilhado, não toma nenhuma atitude violenta - fato que é justificado posteriormente, quando seu passado verdadeiro é revelado. Aos poucos, o diretor James Mangold nos mostra como Dan se relaciona com seus filhos - o mais velho, por exemplo, deixa bem claro o descrédito e a covardia que sente vindo do pai.
Já a relação de Dan com a esposa (a linda Gretchen Mol, firme principalmente nas cenas mais dramáticas) mostra que o fazendeiro não tem coragem nem de encará-la, visto que suas dívidas e a situação penosa em que vivem deixam ele frustrado – afinal, por ser o homem da casa, a culpa acaba caindo sobre seus ombros. E é nesse caminho fecundo, sem cair num dramalhão - com exceção do final, que explicarei melhor mais adiante - apesar de inúmeros elementos para tal ocorrer, como evidenciado, que o texto do longa nos aproxima de um dos protagonistas. Temos aí, então, um dos méritos do filme.
Todavia, é Ben Wade o personagem mais interessante. Com pinta de um verdadeiro e honrado líder de uma gangue de western - com exceção do visual moderninho demais, embora combine com seu jeito galanteador -, Wade é rico não apenas em suas tiradas extremamente sarcásticas e ousadas, mas também em seu poder de persuasão, de maneira que é impossível não se envolver com suas histórias, todas bem descritas.
Além de protagonistas corretíssimos, que vão se relacionando ao longo das duas horas e pouco de projeção, o roteiro acerta na forma como tudo é mostrado, sempre no tempo certo. No caminho para a estação do trem, por exemplo, o passado de certas figuras é devidamente mostrado - vale destacar a rápida cena na qual a mãe de Wade é ofendida, tendo um desfecho caricatural, mas vibrante como todo o filme. Dessa forma, a trama transcorre com uma fluidez muito boa, com surpresas para os personagens - Dan contará com a ajuda de alguém que não esperava, por exemplo - e, evidentemente, para nós espectadores, que somos agraciados com cenas tensas (como a do ataque indígena) e violentas (como quando Charlie queima um homem vivo dentro de uma carroça).
Por conseguinte, notamos que o filme é um grande faroeste, com homenagens e tudo (referências a "O Cavalo de Ferro" e a "Matar ou Morrer" são patentes), ainda que possua uma singular autenticidade. A fragilidade da vida nesse meio, onde todos pagam pelos erros cometidos (impossível não citar a cena em que Wade mata, a sangue frio, como nos bons westerns, um próprio companheiro pelo fato do mesmo por em risco a operação de um assalto do bando) é de uma veracidade encantadoramente visceral. Poderia falar aqui de mais coisas, mas com certeza isso tiraria a beleza do filme aos leitores que ainda não o assistiram. Posso dizer, contudo, que as saudosas frases de efeito ("Ria enquanto pode", proferida por Wade, por exemplo) estão presentes, tornando o longa ainda mais digno.
Nesse sentido, Mangold, que já confirmou ser um diretor versátil - o cineasta antes trabalhou em comédia romântica, suspense e até em um drama musical e biográfico - prova que realmente sabe como conduzir um filme do gênero. Se não bastasse todo o clima de velho-oeste criado, com o diretor utilizando eficientemente sua câmera nos enquadramentos, Mangold faz ótimas tomadas tanto das cenas com cavalos, quanto dos tiroteios - há momentos em que a sensação de estarmos no meio do bang-bang é particularmente interessante, ajudado pelo favorável trabalho de som, indicado ao Oscar deste ano.
Portanto, a parte técnica da produção não deixa a desejar em nada. A fotografia de Phedon Papamichael, seja nas cenas ensolaradas e abertas (a maioria), seja nas escuras e fechadas (como quando Wade, já prisioneiro, janta na casa de Dan), emprega uma iluminação adequada, nos transmitindo o quão difícil é viver naquele meio e nos relacionando plenamente com as personalidades de Dan e Wade, respectivamente.
A sensacional trilha sonora Marco Beltrami, merecidamente indicada ao Oscar, abusa das violas e de batidas fortes, caracterizando e dando mais significado às imagens - a derradeira, na qual vemos o trem partindo, é simplesmente maravilhosa. Temos também um bom trabalho de figurino e até de maquiagem (impressiona a forma como Christian Bale está rústico e sujo em cena). Ou seja, tudo está em seu devido lugar.
No entanto, somente o desfecho da história consegue desvirtuar do restante da obra. É incrível como filmes são estragados pela necessidade de um final meloso, que enalteça a figura do vilão, mostrando algo aparentemente triunfal, mas que na verdade soa um pouco forçado e contraditório. Talvez por saudosismo ao original (como disse, não o conheço para compará-lo), ou talvez por querer escapar dos reducionismos tão comuns em Hollywood, ou talvez por motivos mercadológicos mesmo. Não sei bem. Mas infelizmente a obra perde aí alguns pontinhos.
Isso, porém, não importa quando as atuações preenchem todas as expectativas. Christian Bale, que vem surpreendendo em suas atuações (vide "Batman Begins", "O Grande Truque" e o "O Sobrevivente"), da mesma forma vai bem vivendo alguém que carrega um passado, digamos, condenável. Com uma fisionomia pesada, triste e um olhar melancólico, Bale encontra o tom certo para o personagem. Já Russell Crowe é um espetáculo. Basta o ator aparecer na telona para termos a certeza de que ele é um dos melhores em atividade, roubando todas as cenas - assim como fez recentemente em "O Gângster", no qual foi superior em todos os momentos a Denzel Washington.
Além dos astros principais, o elenco de coadjuvantes - que conta com Alan Tudyk, o irreconhecível Peter Fonda e até mesmo Luke Wilson - faz sua parte. Dentre eles, há um coadjuvante que merece aqui um destaque maior: trata-se de Ben Foster. Superando sua incômoda propensão ao exagero (como em "30 Dias de Noite"), Foster torna seu Charlie uma grata surpresa, pois é, ao mesmo tempo, repugnante, violento e fiel, de modo que sua adorável atuação é essencial para o filme funcionar. Exageros à parte, pode-se afirmar sem medo que ele merecia uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante. Mas enfim, não é algo tão condenável assim – vide a ótima lista dos escolhidos este ano.
Narrando uma história de honra e redenção, "Os Indomáveis" traz de volta aos cinemas um gênero que infelizmente foi abandonado com o tempo. Não se limitando a homenagens batidas e efêmeras, este excelente trabalho consegue prender a atenção dos espectadores com uma composição honesta e divertida, possibilitando um prazer inigualável hoje em dia. Para quem gosta do bom cinema, é altamente recomendado. Para os fãs de western, é imprescindível.
Por Carlos Vinícius
19/03/2008
Um faroeste violento, mostrando que remakes podem ser bons.
Foi-se o tempo em que os faroestes eram comuns em Hollywood. Considerando o mercado atual, onde franquias antigas, refilmagens ou ressurreições de gêneros acabam se tornando mania quando há retorno, penso que os faroestes ainda voltarão com tudo, assim que houver um representante f ... Leia mais Um faroeste violento, mostrando que remakes podem ser bons.
Foi-se o tempo em que os faroestes eram comuns em Hollywood. Considerando o mercado atual, onde franquias antigas, refilmagens ou ressurreições de gêneros acabam se tornando mania quando há retorno, penso que os faroestes ainda voltarão com tudo, assim que houver um representante forte o suficiente para iniciarem uma reação em cadeia nas produções sobre o velho oeste. Acredito que, apenas como um exemplo representante do que falo, se Os Imperdoáveis fosse lançado atualmente, onde as boas idéias estão perdidas com o feno das cidades empoeiradas, teríamos vários filmes revisitando uma época tão vista anteriormente pelos cineastas.
Os Indomáveis é bom, bem produzido, cheio de detalhes escondidos, mas ainda não é suficiente para o retorno do gênero. Isso porque a história é difícil, vai acontecendo sem uma moldura de simples digestão, fugindo dos padrões de westerns clássicos e adotando uma alma mais trágica, à lá Meu Ódio Será Sua Herança. Tudo é muito realista e detalhista: cenários vivos, roupas sujas, barbas mal feitas, pólvora nas unhas. E fiquei feliz do trabalho de arte ter sido levado o conceito tão a sério. Tinha medo de cenários mal feitos, polidinhos demais, com roupas novinhas e chapéus perfeitos. Aqui eles têm que ser sujos e ajustados às cabeças pelo uso constante que seus personagens sugerem, e não parecendo terem saídos das mãos das costureiras minutos antes – exatamente como alguns filmes genéricos costumam fazer.
Neste momento, já perdi o trem para apresentar um resumo sobre o enredo: refilmagem do clássico de 1957 Galante e Sanguinário, conhecemos a sofrida história do pai de família e ex-combatente de guerra aposentado por invalidez Dan Evans (Christian Bale), que deve uma grande quantia de dinheiro para um magnata de sua cidade. Lá, tentando renegociar a dívida, acaba conhecendo Ben Wade (Russell Crowe), um dos mais perigosos fora-da-lei que estava no bar local simplesmente por causa de uma mulher, mesmo sabendo que os policiais estavam por perto. Com Wade preso, ele recebe a proposta de escoltá-lo até a cidade onde passa o trem para Yuma, local do presídio (o 3:10 to Yuma do título original refere-se à hora em que o trem chegará). O dinheiro seria suficiente para pagar suas dívidas e começar uma vida nova com sua esposa e filhos, já que estes o olham torto por não conseguir sustentar a família direito.
Depois desse pequeno grande resumo, vale dizer que a história é o de menos. Servindo apenas para impulsionar os atos de seus personagens, o psicológico é o ponto principal neste trabalho do diretor James Mangold (Garota Interrompida, Johnny & June). Ao invés de termos apenas histórias sobre as crueldades de Ben Wade (como no primeiro longa, onde Glenn Ford era bonzinho demais para crermos ser um assassino), aqui podemos vê-lo em ação e sem piedade. Isso ajuda a aceitar o fato de que aquele homem sendo transportado, quieto e educado, é realmente uma pessoa altamente perigosa e que não hesitaria em matar qualquer um que atrapalhasse a segurança de seu bando.
Porém, Wade segue um sistema ético próprio que fica difícil entender. Se ele é capaz de matar um capanga quando este coloca o grupo em uma situação difícil, por que acreditar cegamente que seus homens irão atrás da diligência que o leva até a estação de trem, se isso expõe o grupo ao mesmo perigo que ele condena? É simples. Pelas próprias palavras do homem fiel de Wade, “não há ninguém que possa comandar este bando melhor”. E fica fácil acreditar nisso, pois acompanhando tudo o que acontece no filme, é óbvio que Wade conhece aqueles homens como ninguém. Em certo momento, o filho de Dan Evans questiona se Wade seria realmente aquela pessoa tão má quanto todos dizem ser. Russell Crowe, mais uma vez em sua carreira, traduz em realidade sua resposta: “pode acreditar que sou”. Nós não apenas acreditamos, nós vimos que pode.
Já Christian Bale, bom ator que todos sabemos que é, tem seus altos e baixos. Ao mesmo tempo em que consegue convencer andando manco uma boa parte do tempo, fica difícil crer, já que o filme adota um tom bastante realista, que seu personagem seria capaz de realizar proezas já difíceis para pessoas em seu estado perfeito de saúde, quanto mais para uma pessoa com uma perna de pau. Senti um certo problema também em suas falas, já que o sotaque é praticamente nulo e parece que estamos vendo o mesmo Christian Bale das entrevistas ali, na tela. Apesar disso, o resultado final não chega a ser comprometido.
Dito isso tudo sobre os dois personagens principais, o confronto que se estabelece entre eles é fascinante. Tudo é interpretativo, as maiores sacadas não são dadas de mão beijada pela história. Muitas pessoas estão acostumadas a ver o personagem falar aquilo que o diretor quer que saibamos, mas em Os Indomáveis isso não acontece, pois os detalhes contam aquilo que as palavras não dizem. E isso se refere a tudo: motivações, decepções, etc. E justamente por isso o discurso final de Evans para Wade soa forçado: nós já sabíamos porque Wade estava facilitando tudo para Evans, o filme não precisava nos dizer isso com palavras. Por que, então, tal seqüência melosa?
Não que Wade tenha contrariado sua personalidade assassina construída anteriormente: várias vezes tentando fugir de seus acompanhantes, acreditamos nas coisas que acontecem e que, vistas com olhares realistas, são críveis e funcionam justamente por isso. Os índios, tão famosos nos westerns clássicos norte-americanos, aqui são apenas coadjuvantes para mostrar o quanto Wade é impiedoso e servem como ponte para que o filme nos leve mais adiante, a outro tema: o preconceito. Negros, asiáticos e os próprios índios são vistos sob olhares inferiores do povo daquela época, algo que o nosso editor Andy Malafaya discutiu recentemente em um artigo sobre outro filme, Rastros de Ódio, mas que podemos ver alguns desses detalhes em determinado momento do longa.
Completando tudo o que gostaria de falar sobre Os Indomáveis, destaco a música: realizada com requinte por Marco Beltrami, a todo momento temos a perfeita sensação de que ela funciona muito bem no quesito ambientação, ligação com o público. É a ponte perfeita para entrarmos no clima e se parece muito, em composição, com o período clássico. Não que haja uma parte marcante, aquele momento da trilha em que todos vão se lembrar, mas ela é bem composta o suficiente para ficar lá no fundo e não roubar nada das cenas que estamos acompanhando. Não é imortal, mas faz o seu papel. Exatamente o mesmo papel que Os Indomáveis tem para os westerns.
Por Rodrigo Cunha
15/03/2008


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Os Indomáveis
"Incrível"
"um filme totalmente original, enredo magnifico, um elenco que deixa o filme melhor ainda..."