Os Famosos e os Duendes da Morte

Os Famosos e os Duendes da Morte
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Sinopse

Um garoto de dezesseis anos, fã de Bob Dylan, acessa o mundo através da Internet, enquanto vê seus dias passarem em uma pequena cidade alemã no interior do Rio Grande do Sul. A chegada de figuras misteriosas na cidade traz lembranças do passado e o leva para um mundo além da realidade. Baseado ... Leia mais 

Um garoto de dezesseis anos, fã de Bob Dylan, acessa o mundo através da Internet, enquanto vê seus dias passarem em uma pequena cidade alemã no interior do Rio Grande do Sul. A chegada de figuras misteriosas na cidade traz lembranças do passado e o leva para um mundo além da realidade. Baseado no livro homônimo de Ismael Caneppele.

Dados técnicos

Gênero Drama, Fantasia
Título Original Os Famosos e os Duendes da Morte
Diretor Esmir Filho
Atores principais Tuane Eggers, Henrique Larrè, Áurea Baptista, Samuel Reginato, Adriana Seiffert, Ismael Caneppele
Ano de produção 2009
Duração 119 minutos.
Escritor Esmir Filho, Ismael Caneppele
País Brasil · Brasil França
Avaliação da comunidade
Média da avaliação: 3.19
Avaliação média baseada em 21 pessoas
Avaliação da mídia
Média da avaliação: 3.00
Avaliação média baseada em 2 críticos
Última modificação solana (2 meses atrás)

Trailer

Imagens

Crítica especializada

Omelete.com - Marcelo Hessel (Brasil)

3.00
Bom

Primeiro longa-metragem do diretor paulistano Esmir Filho, diretor do hit online Tapa na Pantera e figura constante em festivais com seus curtas, Os Famosos e os Duendes da Morte transforma aqueles miguxos que tiram autofoto sem camisa com a webcam em uma expressão superior de arte, o que não é pouca coisa.

Acompanhamos, em uma cidade do inte ... Leia mais Primeiro longa-metragem do diretor paulistano Esmir Filho, diretor do hit online Tapa na Pantera e figura constante em festivais com seus curtas, Os Famosos e os Duendes da Morte transforma aqueles miguxos que tiram autofoto sem camisa com a webcam em uma expressão superior de arte, o que não é pouca coisa.

Acompanhamos, em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, o drama de um adolescente (vivido pelo ator local Henrique Larré) que bloga com o nome Mr. Tambourine Man. A fixação por Bob Dylan se estende ao Flickr e aos vídeos que ele segue, postados por uma morena de cabelos finos que assina como Jingle Jangle (outra referência à música de Dylan).

No MSN, instigam o garoto a conhecer o mundo. E o jovem Sr. Tamborim não vê mesmo a hora de ir embora.

Há um mistério cercando a trama, e ele começa a se revelar quando descobrimos que aquelas pessoas que o Sr. Tamborim vê no YouTube não são estranhas em sua cidade. Ademais, falar de trama é um pouco complicado. O que Esmir Filho nos dá, inspirado no romance de estreia do escritor Ismael Caneppele, Música para Quando as Luzes de Apagam, é um relato sensorial (ou uma viagem de erva, se você preferir), beirando o realismo fantástico, sobre projeções, idealizações e outras ficções que criamos para preencher nossos vazios.

A mãe do Sr. Tamborim tem uma ficção muito comum: para superar a viuvez, ela conversa com o seu cachorro como se fosse um filho. De certo modo, a ficção do adolescente também é usual: espelhar-se no ícone da música (o "famoso" do título) para imaginar uma vida melhor, cheia de poesia, onde ele possa compreender sua ambiguidade sexual, longe daquela cidadezinha de eventos coletivos e ancestrais como a festa junina e os suicídios.

É aí que Os Famosos e os Duendes da Morte dialoga com a geração que não acredita na Internet como um passatempo, mas como uma opção existencial.

Os devaneios emos do Sr. Tamborim são filmados com aquela mão pesada de cineasta que quer preencher todos os vazios do enquadramento com muitos significados, emulando um Paranoid Park, mas Esmir Filho deixa a sua marca quando mistura o granulado do vídeo online com o real. É o YouTube visto como passado e presente, o registro ao mesmo tempo efêmero e definitivo da existência. (!!)

Pipoca Combo (Brasil)

3.00
Bom

Estruturado como relato de sensações, o filme dialoga com Paranoid Park (Gus Van Saint, 2008) e a sua temática de delírio adolescente, entre desejos incompreendidos e vagas insatisfações existenciais, sentimentos trabalhados no nível da imagem. Numa paisagem bucólica e gelada do sul do Brasil, que conforma com personagens docemente angustia ... Leia mais Estruturado como relato de sensações, o filme dialoga com Paranoid Park (Gus Van Saint, 2008) e a sua temática de delírio adolescente, entre desejos incompreendidos e vagas insatisfações existenciais, sentimentos trabalhados no nível da imagem. Numa paisagem bucólica e gelada do sul do Brasil, que conforma com personagens docemente angustiados, a narrativa submege num lirismo cansativo ao redor de um adolescente solitário, que lembra o estilo emo. Esse protagonista mantém um blogue-diário, passa as noites em chats e sonha eroticamente com uma musa juvenil casta, lânguida, pálida e mórbida.

Isto remete o espectador inevitavelmente ao spleen birônico da “Lira dos Vinte Anos” de Alvares de Azevedo. Como na “Lira…”, pontificam em Os Famosos e os Duendes da Morte o medo de amar, a vontade vaga por virgens intangíveis, o sentimento de culpa frente aos desejos carnais e sobretudo o fascínio com a morte. Trata-se de uma história de seres imaginários e idéias abstratas vagando na noite enevoada, como fogos-fátuos sem pele e carne. Sofrendo do mesmo “mal-do-século” dos poetas ultraromânticos, as cenas alternam entre seqüências tranqüilas sobre o tédio da pacata comunidade, e planos febris com flares, névoas e ofuscamentos, em vertigem audiovisual.

É curioso como, no filme, não há duendes nem famosos (senão a aparição espectral de Dylan), mas a morte atravessa-o de ponta a ponta. E são muitos os suicídios da história. Como o roteiro falha em encontrar qualquer sentido para os acontecimentos, parece que, realmente, nada resta aos personagens do que aliviar a sua dor existencial pulando da ponte. E não nos sentimos tocados, tamanha a desumanização dos espectros-personagens.

Ao que tudo indica, o título do longa tem a ver com uma antológica entrevista pelo crítico gonzo Lester Bangs (revista Rolling Stones) do roqueiro queer Lou Reed, em 1975. O que até faz sentido em relação à trilha indie descolada e às passagens homoeróticas, mas de resto parece incongruente com o conteúdo do filme como um todo.

Trata-se, em conclusão, do retrato de uma adolescência descarnada, uma geração despolitizada e autocentrada, que se reinventou nas redes e comunidades da internet. Em busca da pureza e da candidez do desejo, e sem correr os riscos da carne e da matéria, ela tristemente só encontra a ilusão, o vazio, a morte.

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Média da avaliação: 30
Bom
Avaliação da comunidade
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