Onde Vivem Os Monstros não é um filme complicado. Aliás, é bem simples. A historia é simples, a linguagem é simples e até a metáfora por trás da aventura do menino é bem simples de se entender. Complicado é falar sobre o filme. Como falar de um longa que é estrelado por uma criança, todas as situações se passam em torno dela e, ao ... Leia mais Onde Vivem Os Monstros não é um filme complicado. Aliás, é bem simples. A historia é simples, a linguagem é simples e até a metáfora por trás da aventura do menino é bem simples de se entender. Complicado é falar sobre o filme. Como falar de um longa que é estrelado por uma criança, todas as situações se passam em torno dela e, ao mesmo tempo, não é uma produção feita para as crianças? Ao mesmo tempo em que o brilhante trabalho do diretor Spike Jonze se utiliza da subjetividade para construir esse mundo mágico na cabeça de um menino de 9 anos, essa mesma subjetividade é que permite o julgamento do espectador depois de ter tido sua própria experiência com a obra.
A premissa é facilmente assimilável: Max é um menino solitário e que costuma brincar sozinho, tem muita imaginação e sente necessidade de chamar a atenção de todos para ele. Depois de uma briga com a mãe, o garoto resolve fugir de casa e vai parar na terra dos monstros. Fazendo uma breve sinopse, o filme parece não ter nada demais. É uma história sobre uma infância problemática como tantas outras. Mas a genialidade não está no enredo, pois as tramas são sempre as mesmas e o que a torna realmente grande é a forma como ela é contada.
Logo no início, Max brinca na neve dentro de um “forte de gelo” que construiu para si mesmo. Aparentemente desproposital, a abertura é interessante por denotar a imagem de fortaleza que retornará várias vezes ao longo. Um começo que funciona muito mais do que uma introdução, pois, além de apresentar o personagem, insinua as situações e questões que vão se repetir no mundo dos monstros.
É louvável a forma como Spike Jonze mostra a passagem entre os mundos. A travessia entre os universos se dá como se tudo fizesse parte de um mesmo plano, sem tratar o mundo do Max como real e o dos monstros como fantasioso. Ao contrário, Jonze busca uma forma de demonstrar que os dois lugares existem, são igualmente reais e, ainda que estabelecendo relações entre si, são próprios e independentes. Por mais que a subjetividade do filme aponte para o fato de que aquele mundo se passa na cabeça do menino e que os monstros são personificações de diversas personalidades de Max, algumas cenas (como na chegada e na partida de Max) provam que aquele espaço realmente existe e que se torna real na medida em que embarcamos em sua história e fantasia de Max. Os monstros tem as mesmas questões e desejos de Max. Suas tristezas que os permeiam é focada como algo forte, assim como a solidão, predileção, ou o fato de Max se tornar seu legítimo rei. Situações estas que envolvem a vida infantil e são bem tratadas pelo roteiro.
Se por um lado a direção faz uma produção caótica e a afasta do público alvo do estúdio (desde as primeiras sessões de teste as crianças odiaram o filme), ele se mostra um mestre na arte de conduzir o problemático menino e desvendar o que se passa onde vivem os monstros, pois, para ele, esse assunto não é novidade. Depois das bem sucedidas experiências em Quero ser John Malkovich (1999) e Adaptação (2003), Spike Jonze pode se dizer um mestre em mergulhar na mente humana. A direção de arte é muito bonita, tanto na criação dos monstros (que realmente parecem ter vida) quanto nos cenários belos e diferentes. A trilha sonora , que ficou a cargo da Karen O (vocalista da banda “Yeah Yeah Yeahs”), traz o clima de sonho, tristeza e perigo que o longa tanto necessita.
Tendo já comentado tais características, ainda há quem pergunte: “E ai, o filme é bom?”. E eis a questão a ser levantada. Para muitos, a experiência de visitar junto a Max a terra onde vivem os monstros pode ser agradável. Para outros, pode ser um jornada terrível e monótona ou, ainda, o espectador talvez alterne entre bons e maus momentos. O mesmo Jonze que mergulha fundo na mente do personagem não se garante como um diretor de grandes histórias, e sim alguém que constrói bons momentos de clímax. E Onde Vivem os Monstros é um ambiente onde a subjetividade pode fazer a platéia sair do cinema satisfeita ou apenas imaginando o quanto perdeu do seu tempo. Só mergulhando na aventura é que cada um vai descobrir.
Um dos livros infantis de maior sucesso do mercado editorial, desde os anos 60, finalmente, é transformado em filme. E pelas mãos de Spike Jonze, o festejado cineasta de Quero Ser John Malkovich e Adaptação. Trata-se de Onde Vivem os Monstros, do premiado escritor Maurice Sendak. A expectativa era grande, mas o resultado é discutível. Motivo: ... Leia mais Um dos livros infantis de maior sucesso do mercado editorial, desde os anos 60, finalmente, é transformado em filme. E pelas mãos de Spike Jonze, o festejado cineasta de Quero Ser John Malkovich e Adaptação. Trata-se de Onde Vivem os Monstros, do premiado escritor Maurice Sendak. A expectativa era grande, mas o resultado é discutível. Motivo: o filme tende a agradar mais aos pais que às crianças. Talvez justamente por causa disso a distribuidora tenha optado por exibi-lo no Brasil apenas em cópias legendadas, numa estratégia no mínimo estranha em se tratando de um filme baseado em livro infantil.
A primeira parte, na qual os Monstros ainda não aparecem, é um primor de direção. Sem muitas palavras, com gestos e olhares dos mais expressivos, Jonze contextualiza o garoto Max (Max Records), um menino agitado, ativo, esperto e brincalhão, que se sente “traído” pela irmã, quando ela não o defende numa batalha de bolas de neve. Pode parecer banal, mas a “traição” é um enorme peso no universo infantil de Max. Sua sensação de impotência e solidão piora ainda mais quando ele vê sua mãe (a ótima Catherine Keener) flertando com um homem que provavelmente é candidato a substituto de seu pai. O garoto explode. Tem uma crise de raiva, morde a própria mãe e sai correndo pela rua, onde acaba se perdendo. Vale dizer que quase nada disso está no livro original.
Em sua ira incontida, ele cria para si um novo mundo, uma fuga da realidade que inclui um barco e uma ilha habitada por alguns simpáticos monstrões. É ali que a história propriamente dita tem início, pois os monstros, bagunceiros incontroláveis, precisam de um rei, de um comando. Max finge que é rei; os monstros fingem que acreditam. Neste mundo de fantasia, o garoto tomará contato com os próprios medos, frustrações e impossibilidades.
Os pais (e as crianças que lerem legendas) mais acostumados à narrativa tradicional dos filmes infantis e/ou familiares provavelmente vão estranhar Onde Vivem os Monstros. Como tudo que Jonze dirige, trata-se de um filme fora do convencional, sem as tradicionais mensagens de superação ou redenção. A tal “moral da história”, se existir, é cifrada, sutil, subjetiva ao olhar de cada espectador, num filme repleto de nuances. Por outro lado, este não conformismo, esta não linearidade poderão agradar aos fãs de um cinema de camadas.
Quem se dispuser a despojar o filme de seu rótulo de “infantil” poderá ter uma bela experiência.
Onde Vivem os Monstros é um filme que não se classifica por infantil ou adulto. Na verdade, é bem possível que crianças muito pequenas tenham medo. Por isso a classificação de dez anos me parece correta. A partir desta idade, conseguimos nos relacionar melhor com os sentimentos, angústias e conquistas do personagem Max (Max Records) e, talv ... Leia mais Onde Vivem os Monstros é um filme que não se classifica por infantil ou adulto. Na verdade, é bem possível que crianças muito pequenas tenham medo. Por isso a classificação de dez anos me parece correta. A partir desta idade, conseguimos nos relacionar melhor com os sentimentos, angústias e conquistas do personagem Max (Max Records) e, talvez, possamos manter essa relação por toda a vida, se deixarmos o canal sempre aberto e sintonizado.
Desde quando foi lançado em 1963, Where The Wild Things Are, livro escrito e ilustrado por Maurice Sendak, vendeu quase 20 milhões de exemplares, e dá a cada novo leitor a oportunidade de viajar na aventura de Max com muita liberdade para inventar histórias, diálogos e criar. Spike Jonze (Adaptação) propõe e compartilha sua visão de forma bastante orgânica.
O longa-metragem flerta com a linguagem da fábula e combina a simbologia da jornada do herói com uma narrativa de ação e reação, buscando naturalidade no desenrolar das situações, sem forçar explicações ou tentar construir uma moral. Em contraste com o frio e o cinza da casa de sua família, a luz “natural” do mundo desconhecido é abundante cheia de verdes e tons de terra. Onde Vivem os Monstros, tanto o livro quanto a adaptação para o cinema, trabalha no registro de que a fantasia extrapola paredes reais. Para ir a lugares incríveis não é necessário deslocamento real, mas sim, a capacidade de imaginar.
Num primeiro momento temos empatia por Max, um menino que só quer companhia para brincar, receber mais atenção e se sente deslocado. Apesar de entendermos perfeitamente os sentimentos de Max, também temos empatia pela irmã mais velha, cujos interesses são outros, e pela mãe que ao chegar em casa faz o melhor que pode, mas tem ambições no trabalho e amorosas.
E mesmo assim, nem por um momento, Max deixa de ter razão em sua revolta. A sua forma de expressar a raiva por tudo o que não compreende é desajeitada e irracional, e o jeito de chamar a atenção é a bagunça, a gritaria. Fora de controle, ele foge... Quem nunca foi criança e disse que ia fugir de casa? Ou quase fez? E hoje, olhando para trás, saberíamos explicar exatamente o porquê? Talvez não, mas o que importa é que a comunicação com o protagonista aventureiro de Onde Vivem os Monstros se dá pela subjetividade.
O que a visão do diretor busca - e alcança - é a nossa criança interior. Por isso, o filme vai muito além da empatia por uma criança deslocada. No final das contas, sempre gostaríamos de nos reconfortar no abraço de nossas mães. Amar é irracional e esse amor, sem dúvida, o mais verdadeiro que poderemos receber ou dar.
Em sua jornada pelo desconhecido, Max chega num lugar selvagem habitado por criaturas bem maiores que ele e peludas. Ele tem medo, mas não pode dar o braço a torcer, a curiosidade é maior.
No novo mundo, Max convence os monstros de que é especial, se proclama rei e promete que todos serão felizes. Eles aceitam o jogo. Na minha leitura, os monstros representam facetas exacerbadas de sentimentos humanos. Não é a toa que Max primeiro se identifica com Carol (James Gandolfini, O Sequestro do Metrô 1 2 3). Sentindo-se traído por KW (Laure Ambrose, Diggers), Carol, num acesso de raiva resolve destruir tudo, até mesmo a casa onde vive com seus amigos.
Aos poucos, Max estabelece laços com os outros, e entende, mesmo com algumas tentativas frustradas pelo caminho, que não importa o quanto tente agradar, nunca todos estarão felizes porque os sentimos interferem. Nossas relações são repletas de sutilezas e incomunicabilidades. Ao tomar consciência de que não é possível controlar o outro e como as coisas acontecem, Max aprende o que é o indivíduo e dá conta de si como tal.
Junto com a expressividade de Max, imersos na visão de Spike Jonze e embalados pela ótima trilha sonora assinada por Karen O and The Kids, Onde Vivem os Monstros é cheio de sacadas sobre nós mesmos. A minha, os monstros, na verdade representam nossos sentimentos mais selvagens, e vivem dentro de nós. Adultos cínicos podem negá-los, mas fica uma pergunta: quem disse que para sermos adultos temos de deixar a criança dentro de nós morrer?
Onde Vivem os Monstros
"Excelente"
" Quem não gostou é porque não entendeu a essência do filme e do livro. É lindo esse filme, acho uma pena não ter tido a chance quando era pequeno de ler ele, toda criança deveria ler quando pequeno e se deixar explorar da sua imaginação, porque depois que cresce, esquece da maravilha que é imaginar as coisas e de uma pequena forma criar algo magnífico."