“O Espião que Sabia Demais”: uma ardilosa partida de xadrez
Tomas Alfredson traz um filme de espionagem que não necessita de pirotecnia e planos mirabolantes
Na contramão do estilo extravagante de 007, “O Espião que Sabia Demais” é um filme de espionagem que não esbanja de armas mirabolantes, planos macabros, garotas sensuais e pi ... Leia mais “O Espião que Sabia Demais”: uma ardilosa partida de xadrez
Tomas Alfredson traz um filme de espionagem que não necessita de pirotecnia e planos mirabolantes
Na contramão do estilo extravagante de 007, “O Espião que Sabia Demais” é um filme de espionagem que não esbanja de armas mirabolantes, planos macabros, garotas sensuais e pirotecnia.
Como o próprio nome no original já diz, “O Espião...” é uma ardilosa partida de xadrez: lenta, estratégica e muito mais psicológica do que física. Esse realismo aguçado e quase monocromático é explicado pelo fato do autor da obra adaptada ao cinema, John le Carré, ter participado do serviço secreto britânico na década de 1950. Outro fator importante é a direção do filme pelo sueco Tomas Alfredson, conhecido pelo terror (também sutil, psicológico e lento) “Deixa Ela Entrar” (2008).
A história se passa durante a paranoia da Guerra Fria. Após um desastre em Budapeste, Control, codinome para o chefe do Circo (John Hurt), é forçado a se aposentar e leva o braço direito George Smiley (Gary Oldman) junto para ostracismo. Porém, a suspeita de que existe uma maçã podre na cúpula, faz com que Smiley fique encarregado de descobrir o traidor.
De fato, “O Espião...” deixa de lado as ações, tanto físicas, quanto verbais. Em muitas sequências o espectador é desafiado a compreender a trama a partir dos olhares frios e expressões silenciosas dos personagens. Prova disso está no desfecho conduzido ao som de “La Mer”, e nada mais.
Ademais, Tomas Alfredson traz à telona uma atmosfera melancólica e pouco convencional, abrindo espaço para a bissexualidade do elegante Bill Haydon (Colin Firth). Afinal, a sensualidade ainda é uma arma poderosa de espionagem, e Haydon percebe que não dá para abrir mão de duas fontes essenciais para as investigações.
A direção de fotografia por Hoyte Van Hoyteman atiça ainda mais a paranoia da Guerra Fria.
Os enquadramentos e planos sugerem uma sensação contínua de observação por terceiros. A ambientação sóbria e escura também contribui para uma realocação de Londres da década de 1970, sem cair no clichê de filmes noir.
Com o auxílio dos roteiristas Peter Straughan e Bridget O'Connor, Alfredson criou um filme de suspense com o clima de ar rarefeito cujos espiões são misteriosos, anônimos e que vivem à margem da sociedade.
O Espião que Sabia Demais
"Ruim"
"Apesar de um ótimo elenco e de tomadas e músicas muito bonitas, O espião que sabia demais peca nas explicações. O trama ficou muito lento (mais lento que o normal dos filmes europeus) e a história mal amarrada, não gostei."