"Se você teve a sorte de viver em Paris, quando jovem, sua presença continuará a acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel, que se carrega no coração." Ernest Hemingway
Paris é uma festa, não apenas para Hemingway como também para Woody Allen. Não irei fazer uma crítica sobre esse fi ... Leia mais "Se você teve a sorte de viver em Paris, quando jovem, sua presença continuará a acompanhá-lo pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel, que se carrega no coração." Ernest Hemingway
Paris é uma festa, não apenas para Hemingway como também para Woody Allen. Não irei fazer uma crítica sobre esse filme, pois ela já foi feita brilhantemente pelo André Azenha. Sem contar que o meu objetivo é devanear sobre os filmes que eu assisto. Sabe aquela conversa pós-filme?
Acredito que para fazer esse filme Woody Allen deve ter lido (ou relido) Hemingway. Em muitas cenas relembrei do Paris é uma festa*, o qual li há muito tempo. A personagem da Gertrude Stein ficou perfeita, igualzinha àquela que imaginei quando li o livro. Aqueles que curtem Artes em geral, com certeza deram umas boas risadas com as conversas com Bruñuel e Dalí. Se não, assista “O Anjo Exterminador”* e busque no Google: rinocerontes + Dalí. Quase dei um gritinho (Calma! Não cometi essa gafe desprezível, pois estava no cinema) quando vi Lautrec e Degas. Senti a mesma emoção da personagem. Posso explicar: quando fui morar sozinha, não tinha muito dinheiro. Então, aproveitei uma promoção da revista Caras e adquirir pôsteres de obras de Degas, Toulouse-Lautrec e Monet (meus pintores favoritos) e espalhei-os pela casa. Ok, isso é coisa de "gente diferenciada", porém até que tem seu charme intelectual...
Machine du temp - Seja num Volkswagen Delore* ou até mesmo numa cabine telefônica*, muitos já se divertiram pensando na possibilidade de voltar ao tempo. Onde estará Carmen Sandiego*? Ops, acho que entreguei a minha idade. Sim, eu era criança nos anos 80. Se você encontrasse um "portal do tempo", para que época você voltaria? É claro que não podemos nos esquecer que "algo tão pequeno como o bater das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo"*. Se voltarmos ao passado, naqueles momentos cruciais da nossa vida ou até mesmo da História, será que conseguiríamos consertar o que deu errado ou a gente faria uma grande confusão? Confusões à parte, deve ser emocionante encontrarmos as personalidades históricas que admiramos ou voltar a um tempo que nos fascina. Que tal ter aulas com Sócrates em Atenas, tomar um mojito com Hemingway em Cuba, ir a Woodstock com os amigos, sair para dançar com Fred Astaire, assistir uma peça de Shakespeare (ao lado do próprio) em Londres, estar na casa da Nara Leão quando inventaram a Bossa Nova e ao lado de Picasso enquanto ele pintava Guernica ou do Da Vinci enquanto ele pintava a Monalisa e, até mesmo, fazer uma sessão de terapia com Jung ou Freud ou, quem sabe, até ser ciceroneado por Cleópatra numa viagem ao Egito? Enfim, a minha lista é enorme.
Nostalgie - Você já deve ter escutado que "a juventude de hoje está perdida", "na minha época as coisas eram melhores", "aí que saudades da escola (faculdade, da minha infância, etc.)", "eu era feliz e não sabia", "naquele tempo as pessoas viviam melhor" e por aí vai. Parece que temos um bloqueio mental quando relembramos o passado. Sim, há momentos na vida mais difíceis que outros. Mas o passado nunca foi tão cor-de-rosa como relembramos, como também o presente não é tão cinza como reclamamos. Problemas, dúvidas, angústias, saudades, insatisfações estão sempre presentes (algumas vezes mais, outras menos). O bom do agora é que temos o poder de nos reinventar e mudar o que queremos. Por que não pararmos com essa chatice de que no passado as coisas eram melhores e passarmos a viver o nosso hoje? Carpe diem, mes amis!
A Paris de Woody Allen
É muito difícil que algum artista tenha ideias geniais sempre. Ainda mais um cineasta. Por lançar filmes todos os anos, Woody Allen tem alternado trabalhos interessantes (“Match Point”, 2005), esquecíveis (“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”, 2010) e, vez ou outra, um daqueles sensacionais, a exemplo d ... Leia mais A Paris de Woody Allen
É muito difícil que algum artista tenha ideias geniais sempre. Ainda mais um cineasta. Por lançar filmes todos os anos, Woody Allen tem alternado trabalhos interessantes (“Match Point”, 2005), esquecíveis (“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”, 2010) e, vez ou outra, um daqueles sensacionais, a exemplo de “Vicky Cristina Barcelona” (2008). “Meia Noite em Paris”, nova comédia do diretor e que abriu o último Festival de Cannes, onde foi bem recebida, pertence à primeira categoria: não é uma obra prima, mas é leve, inteligente, envolvente.
A trama acompanha a jornada de Gil (Owen Wilson), que sonha alcançar o status dos grandes escritores norte-americanos. No entanto, é roteirista em Hollywood. Bem remunerado, mas frustrado profissionalmente. Para acompanhar o sogro republicano numa viagem de negócios, vai à capital francesa com a noiva (Rachel McAdams), onde revê seus conceitos.
Novamente o cineasta reuniu um elenco de respeito: Marion Cotillard (premiada com o Oscar por “Piaf”), Adrien Brody (Oscar por “O Pianista”), Kathy Bates, Tom Hiddleston (o Loki, do recente “Thor”), Michael Sheen, entre outros. Owen Wilson, inclusive, aparece bem, sem aquela cara de bobo das comédias que tem estrelado nos últimos tempos. Allen ainda convenceu a primeira dama francesa, Carla Bruni, a atuar. Ou melhor, aparecer. Reza a lenda que ela precisou repetir uma cena dezena de vezes. Como atriz, é ótima peça decorativa.
O roteiro traz a costumeira qualidade de Allen. Há as piadas irônicas, referências literárias, e seu alter ego na história – no caso, Owen Wilson.
Já o cenário... Depois de filmar em Londres e Barcelona, na chamada “fase europeia” de sua carreira, Woody Allen foi à França – ele tem rodado por lá, pois é onde tem conseguido financiamento. E Paris, por si só, é capaz de tornar qualquer obra cinematográfica charmosa. As andanças de Gil pela cidade-luz remetem a “Antes do Amanhecer” (1995), aquele em que Ethan Hawke e Julie Delpy passeavam pela capital francesa. Linda, cativante, a cidade-luz é a cereja do bolo para um filme divertido, que tem tudo para agradar os fãs do realizador.
Meia-Noite em Paris
"Incrível"
"Obrigado por me fazer me apaixonar por Paris sem nunca ter ido lá.... Obrigado Allen . Nada mais a dizer.
"