A seqüência de Kil Bill: Vol. 1 mostra a vingança da Noiva (Uma Thurman) contra Bill (David Carradine) e suas comparsas, que tentaram matá-la no dia de seu casamento. Desta vez, a Noiva vai atrás de Budd (Michael Madsen), Elle (Daryl Hannah) e, claro, Bill, os últimos presentes no atentado ... Leia mais
A seqüência de Kil Bill: Vol. 1 mostra a vingança da Noiva (Uma Thurman) contra Bill (David Carradine) e suas comparsas, que tentaram matá-la no dia de seu casamento. Desta vez, a Noiva vai atrás de Budd (Michael Madsen), Elle (Daryl Hannah) e, claro, Bill, os últimos presentes no atentado que continuam vivos após a carnificina do primeiro filme.
| Gênero | Ação, Suspense |
|---|---|
| Título Original | Kill Bill: Vol. 2 |
| Diretor | Quentin Tarantino |
| Atores principais | Uma Thurman, Samuel L. Jackson, Michael Madsen, Daryl Hannah, David Carradine, Stephanie L. Moore |
| Ano de produção | 2004 |
| Duração | 136 minutos. |
| Escritor | Quentin Tarantino |
| País | Estados Unidos da América |
| Avaliação da comunidade | ![]() Avaliação média baseada em 4121 pessoas |
| Avaliação da mídia | ![]() Avaliação média baseada em 5 críticos |
| Última modificação | jev233 (4 meses atrás) |
Tarantino volta a ser o diretor que todos conhecemos, nesta versão tudo toma um tom mais sério e conclusivo.
Se você é um daqueles que curtiu Kill Bill - Volume 1 somente pela porradaria, esqueça Kill Bill - Volume 2. Aqui Tarantino volta a ser o Tarantino de sempre, construindo personagens interessantes através de diálogos bem desenvolvi ... Leia mais Tarantino volta a ser o diretor que todos conhecemos, nesta versão tudo toma um tom mais sério e conclusivo.
Se você é um daqueles que curtiu Kill Bill - Volume 1 somente pela porradaria, esqueça Kill Bill - Volume 2. Aqui Tarantino volta a ser o Tarantino de sempre, construindo personagens interessantes através de diálogos bem desenvolvidos e aprofundando tudo aquilo que no primeiro filme havia deixado gostinho na boca, porém sem a mesma dose de diversão. Se tudo era levado na brincadeira, se era extremamente divertido ver braços serem arrancados e litros e mais litros de sangue jorrarem daquele ferimento, agora tudo toma um tom mais sério e conclusivo. Ainda existem as referências, mas sem a brincadeira e o tom cômico que transformaram o primeiro filme em uma obra-prima.
Não que Kill Bill: Volume 2 decepcione. Ele está muito longe disso. Completa perfeitamente a jornada da Noiva, apenas enfocando menos a porradaria e desenvolvendo muito mais a história. Só que, com isso, o filme ficou mais lento e perdeu justamente um dos grandes méritos que tornaram o original extremamente divertido de se assistir. A simples história de vingança se tornou mais profunda e complexa, afinal, quem imaginaria que Tarantino estaria contando uma história de amor com seu Volume 1? Ninguém. E é justamente aí que Tarantino nos lembra quem é, ao surpreender a todo o momento com os rumos pelo qual vai nos guiando com seu novo episódio. Toda hora estamos sendo surpreendidos por caminhos menos óbvios da história. O que é de ótimo agrado.
Só que este modo resulta em alguns pequenos deslizes. Para começo de conversa, faltam ligações mais óbvias entre o primeiro e o segundo filme. A espada Hattori Hanzo, por exemplo, não decepa ninguém nesta segunda versão. Os combates são muito mais rápidos e, às vezes, sem graça. A única briga que realmente empolga e nos faz lembrar os grandes momentos do Volume 1 é entre Uma e Daryl, a loira do tapa olho, bem coreografada, empolgante, e com um final simplesmente fantástico e genial. Michael Madsen, que interpreta Budd, mostra-se o vilão mais mortal, uma vez que, mesmo bêbado e gordo, ainda dá um trabalho danado à Noiva, mesmo que o combate entre os dois não seja algo gritante com os demais.
O combate final com Bill pode ser visto de duas maneiras: péssimo, se levarmos em consideração a expectativa pela luta (não sua coreografia, e sim sua duração, simplesmente anti-climática, que termina quando está começando a esquentar e ficar bom o negócio), ou quanto ao aspecto poético (depois do diálogo, o modo como a luta termina combina perfeitamente com o coração partido que os personagens estão). Talvez, a primeira vez em que Tarantino tenha falhado em seu timming das cenas na história, uma vez que sempre considerei todas as suas obras perfeitas nesse aspecto: tudo acontecia no momento certo. Além da luta rápida demais, tem algumas cenas demoradas e, aqui sim, uns vinte e quarenta minutos poderiam ter sido facilmente cortados da versão final sem que isso comprometesse o resultado da obra – algo que, se pensarmos no Volume 1, já não seria possível.
Algumas falas no início, a conversa de Uma com o cafetão e a chegada de Uma à casa de Bill, por exemplo, são seqüências que poderiam ter sido encurtadas em pró do ritmo e até mesmo da junção dos dois filmes em um só, como era idéia de Tarantino no início. Ele queria lançar algo do tipo épico de antigamente, relembrando clássicos como Ben-Hur ou E o Vento Levou, com espaço para introduções, intervalos e tudo mais que uma grande obra de antigamente levava em sua composição. Se considerarmos que o Volume 1 tem apenas 1 hora e 40 minutos, aproximadamente, e o Volume 2 fosse encurtado para um tempo parecido, o filme caberia sim em um pouco mais de três horas. O argumento utilizado para a divisão, é que as pessoas não agüentariam 3 horas de gente sendo decepada e porradaria sem interrupção. Se a segunda parte fosse igual a primeira, eu concordaria na divisão (como até falei na minha análise anterior). Porém, como o filme tem uma mudança radical no seu desenvolvimento, foco e nos combates, seria perfeitamente cabível colocar ambos juntos sem que isso comprometesse o modo de se assistir a película.
Até o vai e vem pela história, característica mais marcante de Tarantino em seus filmes, aqui é praticamente nulo. Não tanto quanto em Jackie Brown, mas é uma narrativa praticamente linear, bem diferente dos outros trabalhos do diretor, inclusive o Volume 1, onde a história vai e vem em 100% do filme. Mesmo a lista de pessoas a serem mortas, que a Noiva fez durante um vôo no Volume 1, não dá as caras nessa continuação. Mas ao mesmo tempo que faltam essas identificações com o primeiro filme, há algumas grandes sacadas que ligam os fios da história. Conhecemos, por exemplo, como Daryl teve seu olho arrancado, e o melhor, com uma justificativa que poderia ter sido pensada por qualquer um que estivesse prestando uma dose a mais de atenção na história.
Do jeito que falei, pode parecer que Kill Bill - Volume 2 foi uma grande decepção. Não foi. Até agora, apenas destaquei as grandes diferenças entre os dois filmes, e citei algumas qualidades. Mas é mesmo em algumas seqüências que temos a certeza de que estamos tendo o prazer de assistir a um filme de Tarantino. O flashback, em que retornamos à cena do crime, demonstra um bom gosto incrível e uma profunda sensibilidade do autor ao criá-la: temos a câmera fechada no altar, parada. Ela começa a se afastar, passando por todos dentro da igreja, inclusive Bill. Vemos então a chegada dos 4 integrantes do clã, já fora da igreja, ainda no movimento constante e suave da câmera recuando. A câmera sobe lentamente agora, enquanto os integrantes entram, já com armas em punho. Enquadrando a igreja, vemos o piscar de luzes referentes às armas sendo disparadas dentro da igreja.
Mesmo sabendo o que ia acontecer, Tarantino criou um profundo clima de tensão e nervosismo detalhando o que acontecera segundos antes no local. É nessa seqüência também que finalmente Samuel L. Jackson, que havia protagonizado dois dos três filmes anteriores a Kill Bill do diretor, faz sua participação especial na trama. Talvez o momento mais interessante do filme inteiro seja quando Uma é enterrada viva. Tarantino consegue passar exatamente a sensação da personagem através de um corte na imagem e passa a trabalhar toda a construção da expectativa de cena através do som. Ouvimos a tensão de Uma, seu desespero, enquanto a tela está toda escura, com alguns lampejos da lanterna deixada com ela. Ficamos tensos e nervosos junto com a personagem. Um dos momentos mais marcantes da carreira de Tarantino.
Outro momento que é a cara de Tarantino é o diálogo entre a Noiva – que neste volume finalmente ganha um nome real - e Bill. Este, ao tentar explicar a Noiva sua essência assassina, cita uma interessante relação entre ela e o Super-Homem. Uma teoria inteligente, coerente e que caiu como uma luva para o momento. O tipo de diálogo que havia sido deixado de fora e dado lugar a pancadaria no Volume 1. Se não temos tanto vai e vem na história, pelo menos temos outros tipos de brincadeiras com a linguagem cinematográfica por parte de Tarantino. Mesmo que não tenham significado algum dentro do contexto, há mais uma vez uma divisão de telas para mostrar duas ações simultâneas (no primeiro filme, o recurso havia sido utilizado enquanto Daryl entrava no hospital assobiando uma melodia de Bernard Herrmann) e até mesmo uma mudança no aspecto da imagem, que passa de WideScreen para FullScreen por alguns poucos instantes.
Não é porque ficou um filme mais sério e profundo que ele não divirta e seja engraçado. O perfeito exemplo disso é o mestre que treinou Uma, o oriental de longas barbas brancas Pai Mei. O cara é simplesmente uma figura, tanto na arrogância em que trata seus discípulos quanto no modo em que mexe em sua barba quando faz uma pequena pausa em suas falas. Em suas cenas, a parte técnica recria justamente os tipos de filmes de samurai em que o personagem foi baseado, com closes rápidos nos rostos
Bem diferente do volume I, Volume II acaba sendo apenas divertido, e nada mais.
Após toda a expectativa gerada ao final do Volume 1, somado ao grandioso atraso de lançamento da continuação do filme no Brasil, finalmente “Kill Bill: Volume 2” pôde ser conferido. Os fãs de Quentin Tarantino saberão, enfim, todas as respostas que o marav ... Leia mais Bem diferente do volume I, Volume II acaba sendo apenas divertido, e nada mais.
Após toda a expectativa gerada ao final do Volume 1, somado ao grandioso atraso de lançamento da continuação do filme no Brasil, finalmente “Kill Bill: Volume 2” pôde ser conferido. Os fãs de Quentin Tarantino saberão, enfim, todas as respostas que o maravilhoso Volume 1 deixou em aberto. E Tarantino, como já era esperado, coloca um ponto final em cada dúvida, e ainda nos reserva algumas boas surpresas.
Mas a estrutura do Volume 2 é bem diferente do primeiro, o que pode contrariar alguns. Se na primeira parte havia ação em profusão, sangue jorrando para todo o lado e referências a torto e a direito, com a adrenalina correndo solta durante toda a projeção, Tarantino muda todo o ritmo do segundo ao fazer um filme "tradicional", com um andamento mais lento, menos histérico, e sua habitual verborragia finalmente vem à tona. E, se no primeiro episódio tínhamos combates sanguinários em seqüência, aqui só temos uma grande batalha: A Noiva (Uma Thurman,) - que aqui finalmente ganha um nome real, contra Elle Driver (Daryl Hannah), no combate mais sujo, forte e real de todos (o diretor cita “Jackass”, aquela série da MTV protagonizada por Johnny Knoxville, como referência). E, ao final da luta, o público vai ao delírio, como era de se esperar.
O segundo filme também reserva bons momentos cômicos. É mostrado o treinamento da Noiva com o velho mestre oriental Pai Mei (Chia Hui Liu, veterano dos filmes de ação orientais, que aqui assume o pseudônimo Gordon Liu) - que além de apresentar boas cenas de ação (e, propositalmente, alguns clichês habituais dos filmes de artes marciais - impossível não se lembrar dos velhos filmes de Jean-Claude Van Damme, que já eram cópias dos famosos filmes de artes marciais do Oriente) ainda nos rende boas gargalhadas. Como não rir quando Pai Mei brinca com sua barba longilínea?
O maior problema de Kill Bill Volume 2 é exatamente o seu antecessor. Ao assistirmos a primeira parte, ficamos com água na boca esperando uma continuação tão, ou mais incrível. Mas Tarantino optou por deixar na segunda parte todo o desenrolar verdadeiro da trama, o que acaba tornando o filme mais convencional, mais linear, o que infelizmente a grande maioria não esperava. Os dois filmes são tão díspares, tanto em forma quanto em conteúdo, que fica difícil acreditar que o filme fora planejado para ser um só. Outra questão desapontadora é o aguardado encontro entre A Noiva e Bill. Neste encontro esperávamos algo que entrasse para a história, um grande embate, mas isso não acontece. Não entrarei em maiores detalhes para não estragar a surpresa, mas todas essas diferenças acabam nos deixando um pouco desapontados, tornando este um pouco inferior ao seu antecessor.
Mas, ao final dos dois episódios, fica a sensação de termos visto o renascer de Uma Thurman, que finalmente se firmou como grande estrela em um papel difícil e marcante. E de Tarantino, que calou a boca de todos os que falavam que ele estava esgotado criativamente, que sua carreira tinha acabado. Ele provou que sabe tudo de cinema e mais um pouco. Kill Bill está aí para provar a inegável influência deste cara que revolucionou o cinema na década passada e que continua sendo importantíssimo para este ramo do entretenimento, tão carente de personalidade e renovação. O cinema de Tarantino é assumidamente pipoca, mas essa pipoca é mais que gostosa.
Por Andy Malafaya
06/10/2004


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Kill Bill: Vol. 2
"Bom"
"Acho que falam mais do que esses filmes realmente merecem. Não vi nada demais."