No filme, Roberts e Owen viverão dois quentes amantes de longa data que são contratados como espiões e passam a trabalhar para lados opostos, repetindo o sucesso da dupla no ótimo 'Closer - Perto Demais'. Ambos irão viver presidentes das companhias farmacêuticas rivais que disputam o lançamen ... Leia mais
No filme, Roberts e Owen viverão dois quentes amantes de longa data que são contratados como espiões e passam a trabalhar para lados opostos, repetindo o sucesso da dupla no ótimo 'Closer - Perto Demais'. Ambos irão viver presidentes das companhias farmacêuticas rivais que disputam o lançamento de um produto inovador no mercado, capaz de gerar grandes lucros.
| Gênero | Romance, Suspense |
|---|---|
| Título Original | Duplicity |
| Diretor | Tony Gilroy |
| Atores principais | Julia Roberts, Clive Owen, Paul Giamatti, Billy Bob Thornton, Tom Wilkinson |
| Ano de produção | 2009 |
| Duração | 125 minutos. |
| Classificação do CAEC | PG-13 - Não Recomendado para menores de 14 anos |
| Produtor | Jennifer Fox, Kerry Orent, Laura Bickford, John Gilroy |
| Escritor | Tony Gilroy |
| Música | James Newton Howard |
| País | Estados Unidos da América |
| Avaliação da comunidade | ![]() Avaliação média baseada em 624 pessoas |
| Avaliação da mídia | ![]() Avaliação média baseada em 13 críticos |
| Última modificação | ri32pi (6 meses atrás) |
Cumplicidade na telona
Tony Gilroy conquistou notoriedade como roteirista dos três filmes da série “Identidade Bourne”. Em 2007, ele estreou na direção com “Conduta de risco”, concentrando a ação no jogo sujo das grandes corporações.
A fórmula se repete em “Duplicity” (no original), só que aqui a tensão é trocada por u ... Leia mais Cumplicidade na telona
Tony Gilroy conquistou notoriedade como roteirista dos três filmes da série “Identidade Bourne”. Em 2007, ele estreou na direção com “Conduta de risco”, concentrando a ação no jogo sujo das grandes corporações.
A fórmula se repete em “Duplicity” (no original), só que aqui a tensão é trocada por um tom cômico que se manifesta nos encontros e desencontros dos personagens de Julia Roberts e Clive Owen, ex-agentes que militam no ramo da espionagem industrial. É a ótima dupla de atores que consegue tornar simpático um filme pouco crível, que peca pelo excesso de reviravoltas.
Marcelo Janot (05/06/2009)
Reviravoltas, clima de desconfiança e carisma do par central fazem de Duplicidade um filme agradável.
Para examinar Duplicidade, novo trabalho do diretor e roteirista Tony Gilroy (responsável pelo superestimado Conduta de Risco), é interessante abordar o contexto social do universo dos filmes de espionagem.
Há 20 ou 50 anos, as produçõ ... Leia mais Reviravoltas, clima de desconfiança e carisma do par central fazem de Duplicidade um filme agradável.
Para examinar Duplicidade, novo trabalho do diretor e roteirista Tony Gilroy (responsável pelo superestimado Conduta de Risco), é interessante abordar o contexto social do universo dos filmes de espionagem.
Há 20 ou 50 anos, as produções desse gênero versavam apenas sobre o ambiente de insegurança e disputa entre as nações. A pergunta em relação a um agente era sempre: “Para qual governo ele trabalha?”. Havia, então, os países e a suas agências de inteligência, e a informação residia em projetos de natureza bélica. Hoje, é interessante ver grandes corporações investindo pequenas fortunas na proteção de seus dados – afinal, a informação é um dos ativos intangíveis da empresa. E isso não é coisa da ficção: no seu país, na sua cidade, neste momento, há alguém fazendo esforços e campanhas para que não se discutam assuntos corporativos em um café, por exemplo; ou que os celulares dos convidados sejam deixados com a segurança e não façam parte de uma visita à fábrica; ou que senhas sejam trocadas todas as semanas e jamais contenham nome de parentes ou dos animais de estimação ou datas ou placas de carros, e que não sejam anotadas nem ditas e quiçá não se pense muito nelas.
A paranoia está infiltrada no mundo corporativo. E é disso que Duplicidade faz matéria.
Em um mundo em que a todo momento você pode estar sendo filmado, fotografado, gravado; em que tudo que você faz pode estar sendo registrado, em que sempre há alguém espiando o espião, um filme como Duplicidade soa como uma brincadeira divertidíssima, que eleva à potência máxima o medo inserido no cotidiano das pessoas e empresas. Claro que isso não chega a ser novidade: já havia sido antevisto por Orwell (que, no entanto, imaginava um regime totalitário), já estava presente no excelente A Conversação de Coppola, cujo final é quase uma prévia do que viria em Inimigo do Estado e neste Duplicidade. De qualquer forma, Gilroy faz uso do fato e cria um filme interessante sobre a desconfiança interpessoal e corporativa.
Um dos aspectos mais importantes para Duplicidade funcionar é o clima; afinal, trata-se de um filme que apenas causa um efeito por conseguir envolver aos poucos a plateia na atmosfera particular em que se encontram os personagens. Para que seja eficiente nesse aspecto, conta com diversos recursos. Os mais relevantes são o roteiro e o elenco.
A construção da história é feita de forma inteligente e eficaz. Em meio ao tempo presente, são apresentados flashbacks de momentos importantes, que ressignifcam a trama presente. Isso garante um enorme número de reviravoltas – em determinado momento, o espectador já fica ciente de que haverá isso – e faz o enredo se enredar sem, no entanto, perder o fio.
O roteiro original de Gilroy, ao contrario da maioria dos argumentos de ação ou espionagem, não parece ter sido escrito com pressa. É um material trabalhado, lapidado, pensado para que cada elemento que está ali tenha uma função. Além disso, a trama tem um ritmo adequado, as revelações são feitas na medida certa, não há atropelos, correria ou exageros (o único – e importante – deslize acontece apenas no fim, mas isso será abordado mais adiante). O fato é que o roteiro tem esse mérito de misturar as desconfianças corporativas com as dos personagens e, com isso, estabelecer uma atmosfera que envolve.
O carisma e a forte presença em tela do par central são de grande importância. Se já haviam protagonizado momentos memoráveis em Closer - Perto Demais, Clive Owen e Julia Roberts voltam a encarnar um casal que alterna o desejo com a desconfiança. É esse clima de insegurança que vai entrando aos poucos e toma conta da produção; acaba por tornar-se algo maior que qualquer outra coisa. Para completar, o elenco de apoio conta com os ótimos Tom Wilkinson e Paul Giamatti, que protagonizam uma cena magistral durante os créditos de abertura, que certamente poderá ser listada entre os melhores momentos de Hollywood em 2009.
É claro que a produção tem pequenas falhas, mas nada que mereça muito destaque. O deslize maior fica por conta da última reviravolta: entre todas que acontecem, talvez essa seja a única que soe forçada ou quase desonesta, que ocorra apenas para dar mais uma surpresa (a maior) para o público. De qualquer forma, é possível que isso não incomode grande parte dos espectadores.
Por fim, Duplicidade não é e não se pretende uma obra filosófica de profundidade oceânica. Ainda assim, consegue entregar mais do que mero divertimento ao acrescentar um olhar irônico sobre a nossa era.
Por Rodrigo Rosp
15/06/2009
O cinema sempre adorou heróis trapaceiros. Talvez por causa disso, os filmes sobre grandes golpes mostram, ao longo da história, surpreendente variedade de tom e conteúdo. Vão da comédia (como Golpe de mestre, de George Roy Hill) à tragédia (Os imorais, Stephen Frears); podem conter mensagens políticas cáusticas e poderosas (Um plano perfe ... Leia mais O cinema sempre adorou heróis trapaceiros. Talvez por causa disso, os filmes sobre grandes golpes mostram, ao longo da história, surpreendente variedade de tom e conteúdo. Vão da comédia (como Golpe de mestre, de George Roy Hill) à tragédia (Os imorais, Stephen Frears); podem conter mensagens políticas cáusticas e poderosas (Um plano perfeito, Spike Lee) ou buscar apenas o entretenimento (Onze homens e um segredo, Steven Soderbergh). O suspense é elemento comum de todos eles; mas a maneira como se relacionam com o espectador varia de filme para filme. Duplicidade, de Tony Gilroy (Michael Clayton), lembra-nos como os filmes de trapaceiros são aparentados com outro subgênero do suspense, o filme de espionagem.
Duplicidade nasce do fato de que o olhar do público sobre os espiões mudou. Se continuamos a assistir aos filmes estrelados por 007, é porque eles se tornaram uma espécie de tradição do filme de ação. Mas a Guerra Fria, que dava credibilidade a obras como Goldfinger ou Moscou contra 007, terminou há quase duas décadas, e mesmo se governo e mídia americanos insistem na expressão “guerra ao terror”, é difícil ver um grupo de terroristas como “o” inimigo. Duplicidade percebe esta distância e vai atrás de outro ramo da espionagem, talvez o mais importante nestes tempos de competição econômica acirrada, de vale-tudo pela conquista do consumidor. O espaço onde Ray (Clive Owen) e Claire (Julia Roberts) se movem é o da espionagem industrial, a tentativa de grandes corporações no sentido de se apropriarem dos segredos de suas rivais antes que sejam patenteados, e o esforço para conter as ofensivas análogas das concorrentes.
Como convém ao público americano, sempre fascinado por seus astros, o principal chamariz do filme é o elenco. Além de Clive Owen e Julia Roberts nos papéis principais, Duplicidade conta com outros bons intérpretes, como Tom Wilkinson e Paul Giamatti. Mas a principal qualidade do filme é a maneira como estrutura sua narrativa. Duplicidade apresenta-se, a princípio, como uma obra sobre a espionagem industrial. Aos poucos, saltando para trás e para frente no tempo, vai mostrando ao espectador que sua trama não é exatamente o que parece, que ninguém é inocente, que o jogo é pesado entre todas as personagens. Como convém a um filme sobre trapaceiros, reservará para os últimos instantes a surpresa final. Infelizmente, a complexidade da estrutura acaba resultando em certa frieza da construção – é possível admirar Duplicidade sem se envolver com ele, o que resulta numa experiência que fascina mais pelo engenho que pela emoção.
Marcello Castilho Avellar - EM Cultura


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