Che 2 - A Guerrilha

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Sinopse

Em 26 de Novembro de 1956 Fidel Castro vai de barco para Cuba com oito rebeldes. Um destes rebeldes é Ernesto "Che" Guevara, médico argentino que divide um objetivo com Fidel ? derrubar a ditadura corrupta de Fulgencio Batista. Che se mostra um lutador indispensável e rapidamente compreende e con ... Leia mais 

Em 26 de Novembro de 1956 Fidel Castro vai de barco para Cuba com oito rebeldes. Um destes rebeldes é Ernesto "Che" Guevara, médico argentino que divide um objetivo com Fidel ? derrubar a ditadura corrupta de Fulgencio Batista. Che se mostra um lutador indispensável e rapidamente compreende e controla a arte da guerrilha armada. Sua dedicação à luta faz com que seja acolhido por seus companheiros e pelo povo cubano. O filme acompanha a ascensão de Che na Revolução Cubana, de médico a comandante e a herói revolucionário.

Dados técnicos

Gênero Biografia, Drama
Título Original Che: Part Two
Diretor Steven Soderbergh
Atores principais Benício Del Toro, Julia Ormond, Franka Potente, Lou Diamond Phillips, Demián Bichir, Jordi Molla, Yul Vazquez, Carlos Bardem, Elvira Minguez
Ano de produção 2008
Duração 131 minutos.
Escritor Peter Buchman
País Estados Unidos da América · Estados Unidos da América Espanha · Espanha França
Avaliação da comunidade
Média da avaliação: 2.99
Avaliação média baseada em 343 pessoas
Avaliação da mídia
Média da avaliação: 3.40
Avaliação média baseada em 5 críticos
Última modificação ri32pi (6 meses atrás)

Trailer

Imagens

Crítica especializada

Cine Players - D. Dalpizzolo (Brasil)

2.00
Regular

Surpreende por ser algo jamais esperado de Soderbergh: um filme covarde.

O fracasso desta segunda parte do épico de Steven Soderbergh era previsível, especialmente pela necessidade imposta por seus realizadores de conceituar a obra como um filme diferente de Che, que entrou em cartaz no início do ano e que, apesar de ter um número praticamen ... Leia mais Surpreende por ser algo jamais esperado de Soderbergh: um filme covarde.

O fracasso desta segunda parte do épico de Steven Soderbergh era previsível, especialmente pela necessidade imposta por seus realizadores de conceituar a obra como um filme diferente de Che, que entrou em cartaz no início do ano e que, apesar de ter um número praticamente equivalente de qualidades e defeitos, consegue se manter como um filme minimamente interessante, por fazer valer a força de suas seqüências de ação para a composição de um sólido filme de gênero, mantendo a figura de Guevara em segundo plano e assim, protegendo-a do planfetismo barato. O curioso é que, ao contrário do que poderia se imaginar, os motivos para o naufrágio deste Che - A Guerrilha são justamente opostos aos que pareciam se desenhar através dos conceitos e informações que envolvem esta continuação.

Soderbergh optou por deixar de lado neste seu segundo filme sobre o revolucionário latino o cinemascope classicista que havia utilizado para a captação de imagens de Che. No lugar do belo formato com escala de 2.35:1, o diretor compõs seus quadros em aspecto 1.85:1, registrado através de uma câmera digital Red One, com a qual buscava uma diferenciação estética em relação à obra anterior. Com um dado destes, a expectativa para esta seqüência só poderia ser a pior possível. Primeiro por estar errando em tirar da tela um dos verdadeiros méritos do primeiro filme: a precisa composição de quadro, que aproveitava as extremidades da imagem e deixava as seqüências de combate e treinamento na floresta ainda mais cinematográficas e, consequentemente, mais interessantes. Segundo porque, ao apostar em um novo sistema de captação de imagem, Soderbergh insinua estar em meio a um daqueles projetos erráticos aos quais ainda insiste em retornar de semestre em semestre e que raramente dão certo (a exceção é Confissões de uma Garota de Programa).

A primeira suposição se confirma logo nos primeiros minutos: A Guerrilha perde muito em aproveitamento estético se comparado à primeira parte. O filme é apático, insosso, sem qualquer criatividade na mise-en-scène e prejudicado constantemente por uma montagem carregada e sem fluência, que parece dilatar cada vez mais a duração das cenas. Porém, ao contrário do que era insinuado por suas características técnicas, o verdadeiro motivo do fracasso do filme não é conseqüência da erraticidade, do anti-formalismo ou do senso de rebeldia extrapolado de Soderbergh, e sim de um raro lapso de covardia – coisa que poderia ser esperada de muitos diretores contemporâneos de cinema, mas jamais dele, que por mais errado que pudesse soar sempre mantinha seu caráter birrento e ousado, procurando diversificar ideias e trabalhar conceitos de estrutura narrativa e abordagem diferenciados em relação aos habituais da produção cinematográfica comercial estadunidense.

A Guerrilha, ao contrário da maior parte de sua obra, é apenas um filme medíocre, que poderia ser feito exatamente da mesma forma por qualquer outro diretor. Pode-se odiar Bubble, O Segredo de Berlim ou Confissões de uma Garota de Programa, mas este é um filme que não consegue despertar nada além do desprezo. Nem mesmo ódio. São duas horas de um filme sem qualquer interesse, acadêmico, praticamente nulo de ação (e não me refiro a tiros e explosões, embora estes também pareçam ter sumido da frente de Guevara mesmo em um filme que leva a guerrilha que causou sua morte no título, mas sim a qualquer ação que seja minimamente relevante à evolução do filme – lembrando que o roteiro foi em parte escrito por Terrence Malick, especialista em dilatação do tempo e poesia visual) e que, não suficiente, consegue ser covarde a ponto de utilizar-se do caráter humanista de seu personagem para fazer o espectador finalmente comprar sua ideia, o que faz com que o filme termine soando como um afronte se comparado à funcional sustentação da imagem de Che do anterior.

Soderbergh, ao invés de manter a aposta na inteligente saída de Che, que mescla a figura do revolucionário homônimo ao filme à ação e, assim, evita a exposição excessiva de características que normalmente são utilizadas para sua superexaltação, insiste em retornar, em A Guerrilha, às convenções de discursos enobrecedores a Che Guevara – ou qualquer outro importante personagem histórico homenageado por Hollywood no Cinema. Guardando posições políticas no armário – afinal, não cabem a um texto sobre Cinema – o que pode ser registrado é mesmo a surpreendente covardia do diretor, que ao invés de deixar as conclusões em aberto, escancara as lentes de sua câmera para a exaltação do caráter humanista de Guevara, pintando-o no terceiro ato – depois de uma hora e meia de vazio cinematográfico intenso e aborrecido - como um herói convicto através de diálogos posicionados estrategicamente para fazer o espectador comprar a carga emocional necessária para que o final – do qual todos temos conhecimento – funcione.

É então que ouvir um “Eu acredito no ser humano” sair da boca de Benício Del Toro pouco antes de seu personagem ser fuzilado deixa com a sensação de que o primeiro filme, por suas virtudes, era melhor do que se imaginava. Em comparação a este A Guerrilha, então, é quase uma obra-prima. Por maior que seja a lista de problemas, ao menos havia nele coerência suficiente para saber lidar com os signos dos quais dependia sem perder o controle sobre eles.

Já A Guerrilha inicia com um Guevara disfarçado com calvice falsa, óculos de lentes e roupa civil e termina com um close no rosto de Del Toro reconstituíndo precisamente os traços icônicos do personagem em questão – mesmo depois de ele já estar morto. Saída fácil que parece pronta para agradar aos fãs de Guevara e que, como anuncia o interessante plano do assassinato (um dos poucos traços soderberghianos do filme), é praticamente um tiro na cara do coitado do espectador.

Por Daniel Dalpizzolo
17/09/2009

Comentários

cygm comentou:

Che 2 - A Guerrilha

2.000
"Regular"

"O primeiro é bem melhor."

7 meses atrás ·  Sin votos · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
Média da avaliação

Média da avaliação: 30
Bom
Avaliação da comunidade
Média da avaliação: 2.99
Avaliação média
baseada em 343 pessoas
Avaliação da mídia
Média da avaliação: 3.40
Avaliação média
baseada em 5 críticos

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