Bruno

Pronto, na sua agenda

Sinopse

O comentarista de moda austríaco Bruno leva seu programa de TV para os Estados Unidos. Assim como fizera em Borat , Sacha Baron Cohen surpreende as pessoas e as coloca em situações desconfortáveis.

Dados técnicos

Gênero Comédia
Título Original Brüno
Diretor Larry Charles
Atores principais Sacha Baron Cohen
Ano de produção 2009
Duração 81 minutos.
Produtor Jonah Hill, Jay Roach, Dan Mazer, Sacha Baron Cohen
Escritor David Ciminello
Música Erran Baron Cohen
País Estados Unidos da América
Avaliação da comunidade
Média da avaliação: 2.38
Avaliação média baseada em 136 pessoas
Avaliação da mídia
Média da avaliação: 3.14
Avaliação média baseada em 7 críticos
Última modificação jev233 (2 anos atrás)

Trailer

Imagens

Crítica especializada

UAI - M. Castilho Avellar (Brasil)

4.00
Muito bom

O novo filme estrelado por Sacha Baron Cohen, Brüno, é bem melhor do que o sucesso que o tornou conhecido internacionalmente, Borat. À primeira vista, as duas obras são estruturalmente análogas: uma série de esquetes tendo, como fio condutor, uma personagem que interfere no cotidiano de pessoas, espaços e comunidades e, por meio dessa interf ... Leia mais O novo filme estrelado por Sacha Baron Cohen, Brüno, é bem melhor do que o sucesso que o tornou conhecido internacionalmente, Borat. À primeira vista, as duas obras são estruturalmente análogas: uma série de esquetes tendo, como fio condutor, uma personagem que interfere no cotidiano de pessoas, espaços e comunidades e, por meio dessa interferência, acaba expondo o ridículo presente em todos eles. Em Borat, o “herói” era um suposto telerepórter do Cazaquistão disposto a revelar a seus espectadores a realidade da vida americana. Em Brüno, Baron Cohen se apresenta como um jornalista especializado em moda, que depois de demitido, tenta, de todas as maneiras possíveis, voltar a ser uma celebridade.

A diferença está no foco. Sacha Baron Cohen e o diretor Larry Charles parecem ter percebido o alcance de suas sátiras – afinal, Borat foi um dos grandes sucessos na temporada de 2006. No fundo, o filme queria ser apenas uma comédia. Pretendia arrancar o riso a qualquer preço – mesmo às custas da dignidade das pessoas. Se, de quebra, expunha a realidade autoritária e politicamente incorreta, era apenas um efeito colateral. E para alcançar aquele efeito, precisava ser tão autoritário e politicamente incorreto quanto as pessoas e grupos de quem debochava.

Brüno olha em outra direção. O riso e a comédia, aqui, não são fins em si, mas meios. É como se o ator e o diretor soubessem exatamente de quem pretendem debochar. Há espaço para tudo de que se ria em Borat, da pornografia aberta e escatológica à sátira e costumes. Mas os alvos de Sacha Baron Cohen são mais nítidos. Enquanto antes ele pretendia fazer humor com o preconceito, agora ele pretende expor o preconceito por meio do humor. Continua sendo capaz de rir de si mesmo: Bruno, com sua obsessão pelo que é fashion, é ridículo. E ao mostrar o próprio ridículo, expõe coisas mais sérias (embora não menos engraçadas no contexto do filme) nos outros.

Logo no início da película, por exemplo, Brüno nos informa de seu objetivo de ser o segundo austríaco mais famoso da história. Para ele o primeiro, claro, é Adolf Hitler. Algumas cenas depois, quando tenta entrevistar celebridades para dar impulso a sua própria carreira, ele se refere ao fuehrer – enquanto a imagem mostra uma foto do ator Mel Gibson. Cohen é incômodo ao se referir, daquela maneira, a Hitler. Mas ao fazê-lo, inclui Brüno na legião de ingênuos que se referem ao nazismo com desconhecimento, indiferença ou irresponsabilidade. Logo a seguir, Cohen aponta o dedo para comportamentos que se aproximam perigosamente da ideologia que quase arruinou o mundo na primeira metade do século passado – o ultraconservadorismo de pessoas como Gibson, por exemplo.

Em certos momentos, o humor se torna até mesmo algo amargo. Como Brüno é homossexual, fica claro desde o início que a homofobia é o principal alvo do filme. Em dado momento, nosso herói se traveste como o supermásculo apresentador de um show de luta livre. O evento é frequentado por homens e mulheres que juram acreditar piamente na heterossexualidade. De repente, o ex-assistente de Brüno invade o palco. Os dois se beijam, e se beijam mais, e trocam carícias, e começam a se despir. A câmera abandona completamente o casal para se concentrar nas reações do público, perplexidade, nojo, raiva. A cena caminha rapidamente para a violência sem deixar de ser divertida, deixando o espectador na incômoda condição de, ao mesmo tempo, rir e se horrorizar com a agressividade.

É nesse ponto que melhor se manifesta a diferença entre Bruno e Borat. Larry Charles mostra a reação violenta da platéia e o piso do palco atulhado de objetos que estariam sendo atirados contra os dois amantes. Deduzimos que se a primeira cena é real, a segunda também é, e os intérpretes estiveram ali correndo risco real. Só que nunca assistimos ao vínculo entre as duas cenas depois do início do beijo. Ele é construído em nossa cabeça. Em relação a isso, enquanto Borat era uma espécie de versão em longa metragem do “Pânico na TV”, Bruno aproxima-se mais dos pretensos documentários de Michael Moore, como Fahrenheit 911 ou SOS saúde, que usam estratégias da propaganda contra o poder que geralmente se apropria destas estratégias para obter benefícios políticos ou econômicos. Bruno, ao misturar sutilmente aquilo que é encenação fictícia e o que é registro autêntico da realidade quando provocada por uma interferência incômoda, cumpre de maneira divertida uma agenda, essencialmente, política.

Marcello Castilho Avellar - EM Cultura

Pipoca Combo - A. Melo (Brasil)

3.00
Bom

É indiscutível. Comédias não são levadas a sério. Seriedade, aliás, nem é o propósito delas. Mas algumas possuem o bom senso suficiente – e a sorte – para serem bem consideradas. Este tipo de reconhecimento Sasha Baron Cohen já experimentou há três anos com o inquietante Borat. Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, o longa ... Leia mais É indiscutível. Comédias não são levadas a sério. Seriedade, aliás, nem é o propósito delas. Mas algumas possuem o bom senso suficiente – e a sorte – para serem bem consideradas. Este tipo de reconhecimento Sasha Baron Cohen já experimentou há três anos com o inquietante Borat. Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, o longa caiu no gosto do público e da crítica por satirizar os alicerces da cultura norte-americana partindo de um personagem vindo do foco de amplas divergências políticas. Aproveitando ou não de um assunto que, apesar de saturado, ainda constava em pauta nos EUA e no mundo, Borat funcionou.

Tão politicamente incorreto quanto e talvez até mais constrangedor pelo descaramento – e aqui, apesar dos pesares, isto serve como elogio – Bruno adentra às telas desfilando em trajes mais caricatos (figuras de linguagem não foram aplicadas) e fazendo julgamento ainda menor do bom senso; aquele elemento que pondera entre uma boa e má comédia. Assim como Borat, o personagem título desta película, exausto de vários critérios de sua vida e profissão, deixa seu país de origem e parte para os Estados Unidos a fim de vivenciar novas experiências e obter algum êxito na carreira. Diferentemente do repórter cazaquistanês, o austríaco especializado em moda, Bruno, não insere críticas valiosas ou contundentes a condutas alheias. E, quando as faz, estas são em referência a casos isolados.

A linha temática de Bruno é muito semelhante ao longa anterior e é isso que faz a projeção ser amplamente comparada a Borat. A narração em primeira pessoa que explicita sentimentos e reações se repete e a fórmula que horas confunde ficção com realidade ainda é a principal arma da comédia. Mas Bruno perde feio para o filme de 2006 ao optar por ridicularizar o grupo a que ele mesmo pertence ao invés de fazer piada das diferenças de comportamento. Não que elas não existam. Cena após cena o personagem se vê encrencado tanto na sua jornada pela ascensão como repórter, entrevistador e apresentador de TV quanto nos seus relacionamentos e amenidades cotidianas devido ao seu estilo de vida (e de vestimenta, diga-se de passagem). Mas aí os pontos já devem ser somados no quadro de Baron Cohen. A cena de sexo oral com um espírito durante uma sessão é hilariante por conta do descaso do ator com qualquer bom princípio e total conforto com o momento.

O que retira de Bruno boa parte de seu tom de realidade é, justamente, o seu comportamento. E mais comparações surgem, agora com a devida necessidade. Borat vinha de uma cultura diferente, com costumes e conceitos de sociedade paralelos que influíam em ações simples e corriqueiras do personagem. Obviamente, aliado à sátira, este item dava toda a graça do produto. Tentando repetir o formato para garantir a mesma facilidade com o público, as atitudes absurdas voltam a dar as caras e a partir daí ganham caráter de inverossimilhança. Os padrões sociais e comportamentais austríacos não estão tão distantes do amplamente visto em diversos países, o que torna certas situações do filme descabidas – como despachar uma criança dentro de uma caixa de papelão num vôo intercontinental – em contraste com inusitadas ações do cazaquistanês.

Felizmente, quando se imagina que o longa correrá até o fim com saltos de gargalhadas tantas vezes desconexas de um propósito maior, entra em cena a busca do personagem por aceitação e o conflito com a própria homossexualidade. A comédia passa a se aliar mais uma vez às críticas por imposições de padrões e o riso volta a ser o resultado do humor negro e sagacidade. O uso rápido de contextos externos, inseridos no início do filme também para fazer comédia, regressa ao final inteligentemente para finalizar uma grande piada que só ganha destaque na metade.

Apesar de inferior, Bruno pode – e deve – ser colocado ao lado de Borat. A qualidade das piadas nivelou com o usual de outras produções, mas a forma como elas são postas em prática revela um apreço à evolução no “ousar”.

Arthur Melo

O Globo Online - T. Leão (Brasil)

3.00
Bom

Brüno é ‘über’ fake

‘Brüno’. Brüno não é Borat. Ponto. Mas é quando ele exala algo do estabanado jornalista do Cazaquistão que se sai melhor. Pena que isso acontece pouco em “Brüno”, a nova comédia-realidade de Sacha Baron Cohen. Por isso, o boneco olha, embora pudesse aplaudir, pela cara de pau do excelente comediante.
... Leia mais Brüno é ‘über’ fake

‘Brüno’. Brüno não é Borat. Ponto. Mas é quando ele exala algo do estabanado jornalista do Cazaquistão que se sai melhor. Pena que isso acontece pouco em “Brüno”, a nova comédia-realidade de Sacha Baron Cohen. Por isso, o boneco olha, embora pudesse aplaudir, pela cara de pau do excelente comediante.

Desta vez, há uma trama definida, e sabemos de cara que Brüno, um fashionista austríaco e gay, é fake, do começo ao fim. Depois de cair em desgraça no mundo fashion europeu, ele vai para Los Angeles, onde tenta ser uma celebridade a qualquer custo. Embora suas críticas a certos comportamentos artificiais das celebridades americanas e ao preconceito em geral sejam pertinentes, não bate tão forte.

No fim, até dá para rir um pouco de algumas cenas absurdas. Mas o que incomoda mesmo é um certo pedido de desculpas que rola no clipe musical dos letreiros finais. Tudo bem que Brüno seja um maricas, mas Sacha Baron Cohen amarelar? Nein!

Tom Leão (13/08/2009)

Cine Players - R. Cunha (Brasil)

2.00
Regular

Polêmica na dose errada.

Brüno é o último dos personagens do programa de TV de Sacha Baron Cohen a chegar aos cinemas. Depois de Ali G Indahouse, o humor ácido e agressivo de Sacha alcançou o ápice em Borat, tornando-o mundialmente conhecido graças à extrema inconveniência ingênua de seu personagem, encontrando um perfeito balanceamen ... Leia mais Polêmica na dose errada.

Brüno é o último dos personagens do programa de TV de Sacha Baron Cohen a chegar aos cinemas. Depois de Ali G Indahouse, o humor ácido e agressivo de Sacha alcançou o ápice em Borat, tornando-o mundialmente conhecido graças à extrema inconveniência ingênua de seu personagem, encontrando um perfeito balanceamento entre as situações reais criadas pelo ator / roteirista com as planejadas, entregando uma história redonda, crítica e muito, muito engraçada. Com Brüno, Sacha repete a parceria de sucesso com o diretor Larry Charles, que demonstra certa imaturidade como realizador ao tentar também repetir a fórmula de sucesso anterior, mas sem a mesma precisão.

A história é sobre um estilista austríaco gay (Brüno, vivido por Sacha) que perde o emprego após arrumar uma confusão em um desfile em Milão. Decide então ir para os Estados Unidos, regado ao famoso sonho universal de sucesso em Los Angeles, mais precisamente em Hollywood. Graças à sua extravagância e falta de noção das coisas, essa tarefa será muito mais complicada do que imaginara inicialmente, colocando-o em diversas situações bizarras, como tentar seduzir o candidato à presidência dos Estados Unidos ou então fazer um programa piloto de entrevistas de mau gosto para uma rede de TVs (e que, desde já, tem a cena mais nonsense de 2009, com um close nada convencional).

Moldando seu filme exatamente no mesmo estilo de Borat, Larry Charles comete o primeiro erro ao introduzir o personagem: enquanto o repórter era ingenuamente carismático, o que trazia uma identificação imediata com o público que estava assistindo, Brüno é arrogante e repulsivo ao tratar as pessoas. Somando isso ao fato da introdução ser chata e mal montada, temos um problema sério na estrutura do longa-metragem logo nos primeiros minutos de filme. Problema esse que é estendido por toda sua duração: com cenas rápidas demais e uma metragem pequena até se comparado a Borat, fica difícil imergir nas situações porque tudo é apressado demais. Há, inclusive, o abuso de cortes nos planos, o que quebra a naturalidade de algumas situações. Isso é um erro grave, uma vez que o filme tenta adotar um tom documental, e inserir uma série de cortes em cenas que a câmera deveria passar despercebida é um equívoco sério.

Misturando diversas passagens reais com seqüências encenadas para dar continuidade à história, novas pérolas são criadas, como o acampamento com os homenzarrões de caça, a luta de gaiola gay vista por vários machões, o já citado piloto do programa de tevê (você não irá acreditar no que viu), a entrevista perigosíssima e corajosa com um terrorista, a tentativa de paz entre palestinos e israelenses; enfim, uma série de cenas que sim, são engraçadas e bem feitas (algumas mais do que as outras), mas que foram colocadas de uma maneira infeliz no decorrer do longa.

Sacha está mais ousado, mesmo com todos os processos que acumulou nos últimos anos, e continua sendo o excelente ator que demonstra tanto em suas produções quanto de outros diretores. Essa ousadia, por horas, acaba exagerando e, mais um dos pecados do filme, torna-se sem graça. Ver pessoas saindo do cinema será uma rotina comum nas sessões de Brüno e isso era mais do que esperado, mas o consenso geral de todos que gostam do tipo de comédia que Sacha faz é que Borat é melhor, mais completo e mais engraçado, mesmo que mais brando e antigo. O natural seria dizer que quem gosta desse estilo de humor irá gostar de Brüno, porém isso não é certeza.

Outro problema está no fato de que, ao estereotipar um tipo de gay que não é o que os homossexuais realmente são (ou pelo menos sua grande maioria), Sacha perde o público que poderia apoiar o filme e passa a ter mais pessoas contra suas obras (houve, inclusive, um movimento em Hollywood pedindo várias alterações no longa). Tendo sido banido da Ucrânia, fica óbvio que ele gosta de ver o circo pegar fogo. E isso remota ao papelão que Sacha e Eminem fizeram no MTV Awards, quando Brüno entrou praticamente nu, pendurado por um cabo de aço, e caiu com suas nádegas bem no rosto do rapper, que saiu enfurecido do local. Quando descobriu-se depois tratar-se de algo combinado, o brilho das “ousadias” de Sacha ficou um pouco ofuscado. O que é realmente real e o que é combinado daquilo que estamos vendo em seus trabalhos? Será que ele é realmente tão polêmico quanto dizem ser? Esse é um questionamento perigoso, pois deixa tudo meio artificial.

Se visto individualmente, episodicamente, há algumas coisas geniais em Brüno: os trocadilhos como o campo de concentração de Auschwitz com a palavra ass (bunda em inglês), por exemplo, mostram o poderio de fogo que Sacha tinha em mãos. Ao exagerar, faz sombra perante às passagens geniais que havia criado. Tem os seus momentos, mas como um todo, o filme tem bastantes trincas em sua estrutura. Já gerou alguns novos problemas que Sacha adora comprar, como uma prisão em Milão e alguns processos, e isso certamente é só o começo.

Sacha Baron Cohen tem muito mais de Brüno em si do que pode-se imaginar: o importante é fazer barulho e estar na mídia, não importa como. Com certeza será mais criticado do que as críticas que pretendia fazer.

Por Rodrigo Cunha
16/08/2009

Comentários

helveciodias comentou:

Bruno

5.000
"Incrível"

"Deixando de lado as cenas apelativas, escrotas ou explícitas; esse filme se consagrada no todo em um única aspecto: confirmar o que o mundo inteiro já suspeitava, o quanto a sociedade norte-americana é preconceituosa, hipócrita e mesquinha. Só por atingir esse feito (e ainda por cima com humor) esse filme é único."

um ano atrás ·  Sin votos · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
tania souza comentou:

ENGRAÇADINHO

2 anos atrás ·  Sin votos · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
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Bom
Avaliação da comunidade
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