A Onda

Pronto, na sua agenda

Sinopse

Professor propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo. Em pouco tempo, seus alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério o professor decide interrompê-lo, mas aí já é tarde demais.

Dados técnicos

Gênero Drama, Suspense
Título Original The Wave
Diretor Dennis Gansel
Atores principais Jürgen Vogel, Jennifer Ulrich, Frederick Lau, Christiane Paul, Max Riemelt
Ano de produção 2008
Duração 107 minutos.
Escritor William Ron Jones, Johnny Dawkins, Todd Strasser, Ron Birnbach, Peter Thorwarth, Dennis Gansel
País Alemanha
Avaliação da comunidade
Média da avaliação: 3.71
Avaliação média baseada em 834 pessoas
Avaliação da mídia
Média da avaliação: 3.00
Avaliação média baseada em 5 críticos
Última modificação claudioe2001 (9 meses atrás)

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Imagens

Crítica especializada

Cine Players - C. Heoli (Brasil)

3.00
Bom

Ótimo drama funciona como filme e ainda levanta questionamentos sociais muito pertinentes.

O cinema alemão contemporâneo parece carregar certa preocupação já há considerável tempo, demonstrando através de filmes políticos reconhecer o que o país causou ao mundo, através de sua administração governamental, durante parte do século p ... Leia mais Ótimo drama funciona como filme e ainda levanta questionamentos sociais muito pertinentes.

O cinema alemão contemporâneo parece carregar certa preocupação já há considerável tempo, demonstrando através de filmes políticos reconhecer o que o país causou ao mundo, através de sua administração governamental, durante parte do século passado. Ótimos exemplos como Adeus, Lênin!, Edukators e A Vida dos Outros justificam a afirmação anterior, assim como A Onda, filme que se une ao segmento supracitado que, além de agregar mérito à cinematografia alemã recente, serve como base para análises sociológicas muito pertinentes à questões nem sempre levantadas.

A Onda se inicia com uma informação que pode impressionar quem conhece previamente o tema do filme: é baseado em fatos. Nele, o professor Rainer Wenger deve trabalhar com seus alunos a autocracia, embora estivesse esperando a anarquia como temática para sua disciplina de curta duração. Em dúvida sobre como levantar tal assunto em aula, ainda mais quando seus alunos apresentam certo desinteresse, decide demonstrar na prática o significado da autocracia e dos mecanismos fascistas que hoje fazem parte do passado do governo alemão.

Na turma de Rainer, professor que já era admirado por seus alunos anteriormente, em parte por ser jovem e dono de estilo despojado - uma camiseta da banda Ramones é peça de seu vestuário no primeiro dia de aula, por exemplo -, o movimento começa através do sugerido poder pela disciplina, fazendo com que sua turma siga algumas regras a fim de se tornar obediente. Proclamado o líder, Rainer segue alimentando o movimento com indicações, que passam cada vez mais a agradar os alunos: define um nome para o grupo (Die Welle, no original, traduzido como A Onda), um símbolo, um cumprimento e um uniforme. Através de cada pequena imposição o professor vê suas intenções funcionando, mas não as consequências, já que a experiência sai da sala de aula e se torna ideologia dos jovens influenciados. O Die Welle então se torna um movimento do coletivo, que termina com a individualidade e livre arbítrio dos membros em benefício à suposta ordem e união. A manifestação rapidamente se dissipa pela escola e cada vez mais alunos decidem integrar o grupo, que discrimina qualquer um que não faça parte dele.

Ocorrido originalmente na Califórnia, em 1967, o experimento que deu origem ao filme foi batizado de A Terceira Onda e proposto por Ron Jones, professor de história que devia abordar o fascismo em aula. Jones optou pela experiência quando percebeu que seus alunos não compreendiam a declarada ignorância do povo alemão em relação ao extermínio de judeus, durante o regime nazista. O professor decidiu então simular em uma espécie de microcosmo social, composto por ele e seus alunos, o término da democracia para elevar o poder da unidade, enquanto seguia a máxima “força pela disciplina, força pela comunidade, força pela ação, força pelo orgulho”.

Através de ótica pessimista, A Onda funciona tanto como obra cinematográfica inteligente quanto crítica social, embora peque vez ou outra ao inserir resoluções que obviamente favorecem mais o drama que a realidade. Enquanto acerta no tom com que demonstra as transformações vividas pelo personagem do professor, que fica cego pelo controle e não percebe as implicações prejudiciais de seu experimento, o filme apresenta a juventude através de um viés pouco aprofundado, acrescentando personagens inverossímeis que se enquadram em arquétipos recorrentemente utilizados no cinema com ambientação escolar: o esportista popular, a garota inteligente e alternativa, o jovem deslocado e incompreendido, dentre outros.

Com direção competente de Dennis Gansel, realizador que reconheceu a força da história que tinha em mãos e procurou a beneficiar com sua direção, e não se sobrepor a ela, A Onda ainda conta com um elenco que, diferentemente do Die Welle, funciona tão bem na unidade quando no coletivo. Uma boa surpresa é a performance de Jürgen Vogel, intérprete de Rainer, que não desequilibra a narrativa com excessos e apresenta desempenho bastante satisfatório. No roteiro de Peter Thorwarth e do próprio Gansel ainda se percebe a preocupação de ambos em destinarem o tempo correto de participação e destaque tanto ao núcleo adolescente quanto ao personagem do professor, o que serve para que o espectador se integre à realidade da obra em questão e sinta maior empatia e identificação para com seus personagens, assimilando as motivações de cada um para suas atitudes – mas nem sempre as compreendendo ou as aceitando.

A Onda revisita situações e levanta questionamentos que parecem distantes da realidade social de hoje para muitos, mas que são facilmente identificados, uma vez que se considere a homogeneização da população contemporânea, massificada não apenas pela mídia – como corretamente é dito – mas também por si própria. O pensamento fabricado é realidade latente de nosso tempo e aparece no grupo de A Onda como crítica ao comportamento do jovem do novo século, facilmente influenciável, que busca a integração em grupos sociais e abnega sua liberdade individual para fazer parte de algo maior.

Por Conrado Heoli
22/08/2009

O Globo Online - R. Gardnier (Brasil)

2.00
Regular

Marola de águas rasas

‘A Onda’. O argumento de “A Onda” (“Die Welle”, no original) é provocativo e lembra até Hannah Arendt: um professor (Jürgen Vogel) é encarregado de dar um curso sobre autocracia, ou seja, o modelo de poder absoluto e concentrado que faz as tiranias e as ditaduras. Quando os alunos sugerem que tal modelo jam ... Leia mais Marola de águas rasas

‘A Onda’. O argumento de “A Onda” (“Die Welle”, no original) é provocativo e lembra até Hannah Arendt: um professor (Jürgen Vogel) é encarregado de dar um curso sobre autocracia, ou seja, o modelo de poder absoluto e concentrado que faz as tiranias e as ditaduras. Quando os alunos sugerem que tal modelo jamais poderia vigorar numa sociedade que já experimentou a democracia e o poder constitucional, o professor decide transformar a sala de aula no microcosmo de um regime servil. O experimento rapidamente deixa o âmbito da escola, com efeitos devastadores.

O problema é que o filme usa de artifícios banais para sentimentalizar a história, abandonando os questionamentos iniciais em nome de efeitos dramáticos muito rasos. “A Onda” claramente tenta seguir o filão de filmes como “A vida dos outros”, “Edukators” e “Adeus, Lênin!”, eficientes no modo de tratar problemas filosóficos e políticos de forma simplória e edificante. Mas o esquematismo é tanto que o filme sucumbe até como filosofia soft.

Ruy Gardnier (21/08/2009)

Comentários

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Felipe César Pinto comentou:

A Onda

4.000
"Muito bom"

"Execelente para demonstrar como nos deixamos manipular e nos entregamos a determinada ideologia sem pensar sobre a mesma."

um ano atrás ·  Un voto · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
Ribeiro Azevedo comentou:

Filme Alemão bem feito e com uma linguagem bem simples, mostrando a realidade do que acontece quando formasse determinados tipo de grupos.

um ano atrás ·  Un voto · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
Ragonetti avaliou:

Bom

Filme Alemã 2008
Uma experiencia arriscada, envolvendo jovens,com pouca maturidade pode ser algo perigoso.Em algum momento algo certamente vai pode escapar de nosso controle arrastando tudo como uma Onda.

um ano atrás ·  Un voto · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
Vesperth qualificou:

Excelente

Refilmagem do televisivo de 1981. Ficou muito bom mesmo. Indico. Assisti ao 1º e agora vi a nova versão. Dá uma ideia bem forte de como foi que o Füher conseguiu a simpatia pelo movimento nazista. Impressionante. Vale muito a pena.

2 anos atrás ·  Un voto · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
Marcelo.Gomes74 comentou:

A Onda

4.500
"Excelente"

"Fantastico esse filme!"

um ano atrás ·  Sin votos · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
cygm comentou:

A Onda

4.000
"Muito bom"

"Muito bom."

um ano atrás ·  Sin votos · Este comentário foi útil?  Sim   Não  · Responder
Média da avaliação

Média da avaliação: 35
Bom(+)
Avaliação da comunidade
Média da avaliação: 3.71
Avaliação média
baseada em 834 pessoas
Avaliação da mídia
Média da avaliação: 3.00
Avaliação média
baseada em 5 críticos

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