DVD: A Hora do Pesadelo é outro remake esquecível
Mesmo com o talentoso Jackie Earle Haley no papel principal, refilmagem do clássico do gênero terror não assusta e nem empolga como o original
Por Ricardo Prado * (02/11/2010) // Comente
Quando a indústria não está produzindo filmes de terror de qualidade duvidosa, resolve voltar os olh ... Leia mais DVD: A Hora do Pesadelo é outro remake esquecível
Mesmo com o talentoso Jackie Earle Haley no papel principal, refilmagem do clássico do gênero terror não assusta e nem empolga como o original
Por Ricardo Prado * (02/11/2010) // Comente
Quando a indústria não está produzindo filmes de terror de qualidade duvidosa, resolve voltar os olhos para o passado e refazer clássicos do gênero. Ninguém em sã consciência deveria estar esperando que este “A Hora do Pesadelo” fosse superar o original em algum quesito. Vai entediar os fãs mais ardilosos do gênero, pois traz bem menos violência, menos imersão e nenhuma identificação. Para o resto, é um filme de terror mediano. Estamos falando dos filmes de terror da atualidade: é preciso entender que estamos no lixão.
A história permanece basicamente a mesma. Um grupo de adolescentes passa a ser aterrorizado por pesadelos onde um homem com garras no lugar das mãos. As coisas passam a piorar quando Dean (Kellan Lutz) é o primeiro a morrer. “A Hora do Pesadelo” passa, então, a acompanhar o resto deles, começando por Kris (Katie Cassidy) até Nancy (Rooney Mara). Enquanto isso, eles tentam compreender quem é o psicopata que os persegue.
Este “A Hora do Pesadelo” traz bem menos mortes criativas do que o original, ou seja, menos sangue. Por outro lado, sentiu-se livre para dizer em alto e bom tom que Freddy Krueger é pedófilo. No original, isso ficava implícito. O elenco é bem ruinzinho, e até Jackie Earle Haley (“Pecados Íntimos”, “Watchmen”) não parece estar muito inspirado. É claro que o papel sempre será de Robert Englund, mas o que temos deste novo Krueger é apenas um cara estranho, não assustador.
Ao final, “A Hora do Pesadelo” não se mostra como uma experiência que valha a pena. Mas, para falar a verdade, qual remake se enquadra nessa categoria? Não consigo pensar em nenhum.
O tempo passou e, com ele, A Hora do Pesadelo (1984) foi ganhando um ar de clássico do terror. Independentemente da opinião de quem assiste, algo não dá para discutir: Wes Craven criou personagens muito interessantes.
A começar pelo grande vilão, Freddy Krueger, que aparece nos sonhos, justamente algo que que remete à tranquilidade. Sonho ... Leia mais O tempo passou e, com ele, A Hora do Pesadelo (1984) foi ganhando um ar de clássico do terror. Independentemente da opinião de quem assiste, algo não dá para discutir: Wes Craven criou personagens muito interessantes.
A começar pelo grande vilão, Freddy Krueger, que aparece nos sonhos, justamente algo que que remete à tranquilidade. Sonho como possibilidade de viagem e alucinações, das associações que o racional não permitiria. Craven subverteu tudo isso e transformou o sonho como a garantia da morte. Não é pouco!
A Hora do Pesadelo (2010), a refilmagem da franquia que lançou seis filmes em sete anos, chega com o terreno já estabelecido. Afinal, Craven já fez o trabalho grosso (inventar) e o novo diretor, Samuel Bayer, chegou apenas para executar e ressuscitar Krueger, morto em A Hora do Pesadelo 6 – A Morte de Freddy.
Qual o pulo do gato do filme original? Justamente ser original! Como Bayer não realiza um grande trabalho de direção, A Hora do Pesadelo serve apenas aos mais jovens que não tiveram contato com o início da franquia. Em outras palavras, o filme é um esforço comercial de atingir o fiel público das produções de terror, formado por muitos jovens.
O principal pecado da refilmagem é padecer de um antagonista poderoso. Freddy, óbvio, continua sendo instigante e a interpretação de Jack Earle Haley é honrosa se comparada com o trabalho de Robert Englund. Mas, do lado dos heróis, quem se apresenta? O roteiro aponta para um, depois indica que é outro para, no final, optar por um terceiro. Nenhum deles é tão carismático quanto seu algoz.
A primeira metade do filme tem ritmo e se sustenta porque ainda não sabemos o que aconteceu mesmo com os jovens durante suas infâncias e quem é Freddy Krueger. Nesse período, tem seus bons momentos e garante alguns sustos. Do meio para o fim, quando tudo se apresenta, A Hora do Pesadelo abandona o suspense e vira um filme de caçada. Cansativo, por sinal.
Quem não assistiu à versão de 1984, vai encontrar um filme correto, com as necessárias ambientações sombrias e história regular. Já quem acompanhou o desenvolvimento da franquia (que tem muitos percalços, por sinal), é provável que aponte muitos defeitos em A Hora do Pesadelo de 2010. O principal deles é ter existido. Wes Craven estava certo: Freddy Krueger deveria ter ficado apenas no imaginário e não ter sido alvo da falta de criatividade do estreante roteirista Eric Heisserer.
A ideia de ressuscitar Freddy Krueger, transformando-o em personagem de mais um terror teen cheio de adolescentes esculturais, entediados e ricos, redundou num dos piores filmes do ano: o novo A Hora do Pesadelo dá sono, vejam vocês. Freddy Krueger agora faz dormir o público.
Boa parte do fracasso do filme se deve mesmo ao diretor e roteirist ... Leia mais A ideia de ressuscitar Freddy Krueger, transformando-o em personagem de mais um terror teen cheio de adolescentes esculturais, entediados e ricos, redundou num dos piores filmes do ano: o novo A Hora do Pesadelo dá sono, vejam vocês. Freddy Krueger agora faz dormir o público.
Boa parte do fracasso do filme se deve mesmo ao diretor e roteiristas, nenhum deles em momento muito inspirado. A pior escolha foi, sem dúvida alguma, ressaltar a passagem do que é realidade para o mundo dos sonhos. A mistura dos dois era uma das melhores sacadas do filme original. Nesse novo filme, todo vez que um infeliz cai no sono, o diretor avisa, deixa bem claro, e Freddy Krueger aparece com mais luz e efeitos que a Madonna num concerto. Antes, Freddy aparecia em tudo quanto é canto. Sádico, adorava torturar suas vítimas até o final. No terror versão bombada, tudo é físico e óbvio: Freddy estraçalha todo mundo sem dó - parece um açougueiro que acabou de cheirar cocaína.
Toda cena tem música. Toda cena começa com uma sugestão e termina com uma aparição relâmpago de Freddy, uma lavadeira que não para de falar – o novo Freddy Krueger perdeu o sabão. O filme é esquemático e previsível: em dez minutos, uma das vítimas já está atrás de pistas para saber quem é Freddy.
Talvez o grande problema do filme seja esse: Freddy é conhecido demais, famoso demais. Nesses 25 anos desde a sua estreia, o monstro dos sonhos acabou se tornando um chapa da galera. A cultura pop o assimilou. Resultado: Freddy Krueger não assusta mais ninguém. Ao contrário: Freddy é truta (para ficar na gíria anos 80).
Nos seis filmes da série, que começou em 1984, Freddy começou sinistro e assustador, mas aos poucos foi se tornando conhecido do público e não parava de fazer piadinhas infames. Chegou um momento que os adolescentes iam ao cinema para torcer a favor do Freddy. Quando ele ia matar alguém, muita gente começava a gritar “Morre, desgraçada! Cadela!”, e coisas do tipo. Descambou de tal forma que os filmes passavam na Sessão da Tarde e definitivamente não assustavam ninguém. Tornou-se camp. Até com seu rival, o Jason da série Sexta-Feira 13, ele andou se estapeando.
Se o novo Freddy usasse um chapéu cor-de-rosa, Freddy poderia tranquilamente participar de Rocky Horror Picture Show, a sátira dos filmes de horror dos anos 70 com Susan Sarandon.
Os novos produtores até que tentaram voltar ao Freddy do primeiro filme, mas o filme logo descamba para a filhos discutindo aos berros com os pais, gente dando murro em porta e clichês de amargar. Afinal, que tipo de medo ou culpa intrínseca os adolescentes de hoje poderiam ter, exceto engordar?
Freddy antes significa isso, a culpa. Funcionava com os adolescentes dos anos 80. Exemplo: amedrontada, a adolescente pede para o namoradinho dormir com ela na cama – os pais viajaram. No filme original, era o coitado do Johnny Depp, em seu primeiro filme, que terminava no banho de sangue. Hoje em dia, todo mundo dorme com todo mundo, transa com todo mundo, inclusive com os pais dentro de casa. Culpa de quê? Não tem mais religião enchendo a paciência da galera, nem professor azucrinando sobre os malefícios da masturbação. Até as drogas, se não são largamente utilizadas, são de sobejo conhecidas. Sem Deus, punheta, maconha e até virgindade para atazanar o subconsciente, não há Freddy Krueger que sobreviva.
Daí que o Freddy Krueger teve de ser transformado em assassino serial. No meio do filme você já saca tudo, até porque 500 filmes com o mesmo enredo foram feitos nas duas últimas semanas. Nem a cena em que eles descobrem como matar Freddy funciona. De tão ruins, algumas são risíveis. A única coisa que se salva é o ator, Jackie Earle Haley, o maníaco da vez (o diretor e roteirista Wes Craven, que criou o monstro, já deu entrevista espinafrando o remake).
Enfim, Freddy Krueger é um produto dos anos 80, por isso veio à tona como parte desse revival, que já trouxe o constrangedor Fúria de Titãs, e tem engatilhado Piranha 3-D, Tron Legacy (não por acaso, os trailers que passaram antes do filme) e uma série de outros filmes (até Wall Street vão refilmar). Entendo a vontade do público em reviver a ingenuidade cafona da década perdida, sufocado que está pelo cinismo e esnobismo dos tempos atuais. Mas até agora, esses dois filmes resultaram tão ridículos como as franjas e as ombreiras daquela época.
A Hora do Pesadelo
"Bom"
"Quando falo de remake sempre é complicado. No caso de "A Hora do Pesadelo", Freddy perdeu três caracteristicas marcantes do original:
- A face dele mudou, achava a antiga mais sombria.
- A voz mudou, pq hoje não é o Robert Englund
- As "satiras" do antigo não existem.
A Hora do Pesadelo, remake, Tem que ser assistido como se fosse um novo filme, sem comparar com o original."